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Luto: Homem-Animal – Espécie Anormal, de Jeff Lemire, Steve Pugh, Travel Foreman, John Paul Leon, Francis Portela

A morte sempre rondou os quadrinhos, depois da morte do Superman, virou sinônimo de pico de vendas de exemplares. A morte que é retratada em Homem-Animal – Espécie Anormal, entretanto, é a de uma criança. Isso é algo raro nos quadrinhos de super-heróis, principalmente porque crianças não tem muito destaque nesse tipo de aventura.

Depois da saga Mundo Podre, em que a Podridão ameaçou os reinos do Verde (Vegetais) e do Vermelho (Animais), Buddy Baker, o Homem-Animal e Alec Holland, o Monstro do Pântano, conseguiram debelar a ameaça. Porém, a vitória cobrou um preço mais caro, levando desse plano a vida de Cliff Baker, o filho de Buddy. Foi assim que nos despedimos da revista Dark, e assim que começamos o primeiro encadernado do Homem-Animal.  A primeira história, O Funeral, mostra as reação de Buddy, de Ellen e Maxine, sua esposa e filha, bem como um busca de Buddy por satisfações dos avatares do Vermelho. Na história seguinte, publicada originalmente no segundo anual do Homem-Animal, temos um vislumbre do passado, do dia em que Maxine nasceu, uma história tocante de companheirismo entre pai e filho. Em seguida, conhecemos mais do filme que Buddy estrelou, “Máscaras”, em que ele encarna o vigilante da vida real, Relâmpago Vermelho, em um interessante contraponto com sua vida civil. Daí então partimos para o arco que dá nome ao encadernado, Espécie Anormal, povoado com as reações dos fãs de Buddy ao seu desaparecimento.

Porém, a maneira que Jeff Lemire utiliza para narrar a reação das pessoas, é inovadora, pelo menos nos quadrinhos de super-heróis. Pelo twitter. Claro que Unwritten foi pioneira nesse artifício, mas a maneira que Lemire utiliza o microblog ao longo da história é bem diferente. Digna de microcontos e microrrelatos, mas de uma maneira a abranger todos eles e trazer um significado a mais quando casados a história que Buddy percorre e os comentários a cada movimento dele.

PERDAS E GANHOS

Quero frisar também que Lemire trata a perda de Buddy de uma forma que nenhuma outra HQ de super-heróis já tratou: dando a sua real importância. Não basta apenas mostrar as pessoas passando pelos estágios da perda, como fez Jeph Loeb em Morre uma Lenda. É preciso buscar e revelar as emoções. Geralmente perdas de heróis merecem um especialzinho, uma minissérie de como se lida com a perda, mas fora as histórias do Homem-Aranha, as mortes nos quadrinhos não são tão sentidas pelas pessoas que perdem alguém. Um exemplo recente são as histórias da Capitã Marvel, por Kelly Sue DeConnick. Embora muito bem narrada e por revelar nuances que apenas uma mulher escrevendo outras mulheres consegue, há um momento da história em que uma das pilotos que acompanham Carol morre, e na próxima página, nenhuma delas se importa com o ocorrido.

Homem-Animal - Espécie Anormal, de Jeff Lemire, Steve Pugh, Travel Foreman, Francis Portela (Panini Comics, 2014, 148 páginas) Tradução:  Mario Luiz C. Barroso

Homem-Animal – Espécie Anormal, de Jeff Lemire, Steve Pugh, Travel Foreman, Francis Portela (Panini Comics, 2014, 148 páginas) Tradução: Mario Luiz C. Barroso

Jeff Lemire é o nome certo quando se procura um escritor para falar de assuntos familiares. Todo o seu trabalho independente, The Essex County Trilogy, The Underwater Welder e inclusive Sweet Tooth – Depois do Apocalipse, giram ao redor deste tema. Buddy Baker, o Homem-Animal, é um dos poucos heróis que mantém uma família “quase” normal como seus personagens de apoio. Maxine, nesta última releitura, dos Novos 52, possui uma importância cabal, maior que a do Buddy, pelo menos em termos de poder. Maxine é um avatar do Vermelho, e Buddy “apenas” seu guardião. Ele recebeu os poderes porque seria pai de Maxine. Seus poderes não vieram de alienígenas amarelos, como sua versão pré-crise, nem das mãos de seu escritor-careca-na-época-cabeludo, como na versão pós-crise de Grant Morrison.

Não é por acaso, que depois de ter sido encarregado de escrever o Homem-Animal, Jeff se tornou o segundo escritor mais prolífico da DC Comics, ficando atrás apenas de Geoff Johns. A partir daí, começou a escrever histórias da Liga da Justiça Dark, Constantine, Superboy, Frankenstein Agente da S.O.M.B.R.A., o megassucesso Arqueiro Verde e, mais recentemente Justice League United.  Também trouxe com ele outros escribas da cena independente como Matt Kindt (Revolver, 3 Story: The Secret History of the Giant Man, Super Spy) e Ray Fawkes (One Soul), que colaboraram com ele em inúmeras ocasiões.

O único porém desta publicação é ter encerrado o ciclo da revista Dark, a publicação que trazia as histórias mais interessantes do Universo DC Novos 52. Agora, é torcer que o encadernado das histórias atuais de Buddy vinguem, para que em breve possamos apreciar as histórias do Homem-Animal por Grant Morrison, pela primeira vez em formato original e coloridas.

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