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Federico Fellini fala sobre os Quadrinhos

“Histórias em Quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisados no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar os olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e inabilidade de uma borboleta num alfinete”.

Viagem à Tulum, de Fellini e Manara

Viagem à Tulum, de Fellini e Manara

“(…) Descobri, assim, com um sentimento de admiração, que, por trás de uma história em quadrinhos, sempre aparecendo regularmente nas bancas, há uma formidável organização eficientíssima e tecnicamente preparada. Como sabemos, nós do cinema pertencemos a uma casta; e os desenhistas, os roteiristas, os coloristas, e os letristas, capazes de preencher o balão com diálogos escritos em uma límpida letra de forma, fazem parte de uma casta de artistas e de artesãos que fascina e faz felizes milhões de leitores de todas as idades. Exatamente como nós do cinema estamos convencidos de fazermos o mesmo. De resto, para mim, as histórias em quadrinhos nasceram um pouco antes do cinema. Charlie Chaplin, Buster Keaton, Harry Langdon, Larry Semon (vocês que têm alguns anos a mais lembram-se deles?), os grandes humoristas do cinema devem muito a Harry Holligan, Felix the Cat, Capitain Cocoricó. E Spielberg, Lucas e eu não nos consideramos todos devedores, não redemos frequentemente e prazerosamente uma festiva homenagem, em tanto de nossos filmes, a Little Nemo, de Winsor McKay, e aos muitos mundos alucinados e siderais de Moebius e dos seus incandescentes e geniais colegas da Metal Hurlant?”

Manara e Fellini

Manara e Fellini

(Reportagem feita por Vicenzo Mollica em fevereiro do 1990. In: Fellinni, Federico e Manara, Milo, Viagem à Tulum, Vol. 1, Ed. Globo, 1991)

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É mestrando em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Em 2016 lançou a HQ coletiva Lady Horror Show e a HQ "muda" Esperando o Mundo Mudar. Mantém o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

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