Análises, quadrinhos, Quadrinhos Comparados
Comentários 5

Os Instintos de Eros, o Deus do Sexo e Thanos, o Amante da Morte

Com o anúncio de Avengers – Infinity War como um dos últimos filmes agendados pelo Marvel Studios, os olhos dos fãs se voltam para Thanos, o titã louco, o amante da morte, o detentor da manopla do infinito. O que poucos leitores sabem é que Thanos é irmão de Starfox, cujo nome real é Eros. Starfox foi criado por Jim Starlin em 1973, na revista do Homem de Ferro – mesmo criador e ano de criação de Thanos – e entre seus poderes estão a telepatia e o controle das emoções. Isso torna Starfox, ou Eros, um ser muito visado tanto por homens quanto por mulheres. Starfox já foi um dos Vingadores na década de 80, e representa o oposto de seu irmão Thanos.

Uma família do barulho que vai aprontar altas confusões na sua telinha!

Uma família do barulho que vai aprontar altas confusões na sua telinha!

Thanos, o Titã Louco, ama a Senhora Morte e quer destruir o universo como prova de seu amor. Tanto ele como Eros são filhos de Mentor, o governante da lua de Júpiter, Titã. Todos eles são descendentes dos Eternos, uma raça de seres superpoderosos criados pelos alienígenas krees em diversas partes do sistema solar, inclusive a Terra. Aqui, seus representantes mais conhecidos são Ikaris, Makaari e Sersi. Os Eternos, em sua última aparição no Brasil foram escritos por Nei Gaiman e desenhados por John Romita Jr.

Mas lancei mão da discussão de Thanos e Eros porque ambos completam um ao outro. Vou justificar a razão, de irmãos tão díspares serem complementares utilizando a teoria psicanalítica através do livro Teoria da Literatura: Uma Introdução, de Terry Eagleton: “Eros, ou a energia sexual, é a força que constrói a história, mas está encerrada a uma trágica contradição com Thanatos, ou o impulso da morte. Lutamos para avançar, mas estamos constantemente levados para trás, buscando retornar a um estado anterior à nossa existência”.

Here is my number, so call me maybe!

Here is my number, so call me maybe!

Eros e Thanos (ou Thanatos), representam o grande embate entre heróis e vilões. Enquanto um é o impulso construtor, os mocinhos, que reparam os danos, que crescem e se engrandecem, os malvados são o impulso destrutor, que fazem a sociedade regredir ou manter-se como está. E o mesmo ocorre dentro de nós mesmos, em nossa psique. Por vezes queremos nos destruir e somos os vilões da história, quando nos autossabotamos, ou levamos nossa autoimagem para as cucuias. É quando a culpa nos corrói. Por outro lado, nos sentimos heróis quando fazemos algo construtivo, quando ajudamos alguém, ou recebemos algum elogio ou tapinhas nas costas. Essas motivações dividem o íntimo dos seres humanos e, assim como o embate dos supers e dos supervilões, são forças intrínsecas e eternas (tal Eros e Thanos), pelas quais a humanidade sempre estará dividida.

A morte não é parente do Thanos, mas também é Eterna.

A morte não é parente do Thanos, mas também é Eterna.

Isso também explica porque as histórias maniqueístas de super-heróis não tem fim, e porque às vezes nos identificamos com os supers e outras vezes conseguimos até nos ver nos malfeitores. Os seres humanos são eternos insatisfeitos, pois estão em busca de algo perdido há muito tempo, que todo nosso inconsciente coletivo não sabe o que é. Alguns dizem que é a volta ao ventre da mãe, outros dizem que é um passeio pelo desconhecido, uma vez que vivemos em um mundo onde a maioria das coisas já foi descoberta. Por isso os humanos têm tanta necessidade por histórias. Elas encerram o prazer da busca e da construção (Eros), como prazer do final, do não-mais, de satisfação de fechar um livro cuja leitura está completa, a morte da história (Thanos).

“Para Freud, é o desejo de volta a um lugar onde não podemos ser atingidos, existência inorgânica que antecedeu toda a vida consciente, que nos leva a lutar por avançar; nossos inqueitos apegos (Eros) são servos do impulso da morte (Thanatos)”, assim Eagleton explica nossa necessidade pelo escapismo, para experimentarmos da criação e destruição de um universo num casulo onde estamos ilesos da dor das descobertas e do final eterno. Onde as mortes das pessoas não nos atingem e nos deliciamos com a dor dos outros sem culpa. “Em uma narrativa, alguma coisa deve ser perdida ou estar ausente, para que ela se desdobre: se tudo estivesse no lugar, não haveria história a ser contada. Essa perda é perturbadora, mas também excitante: o desejo é estimulado por aquilo que não poderia se possuir totalmente, e esta é uma fonte de satisfação narrativa. Entretanto se nunca o pudéssemos possuir, nossa excitação poderia se tornar intolerável e se transformar em desespero”. Essa, meus amigos, é a razão porque a sociedade demanda a presença de heróis míticos que nunca chegam ao fim de sua história. A razão das histórias não acabarem, é que elas geram consumo. Consumo Eterno, como Eros e Tanatos.

Agradeço ao Nana Walker por suscitar essa questão. 😉

Anúncios

5 comentários

  1. Pingback: Cinco Supervilões da Marvel e Suas Inspirações | Splash Pages

  2. não foram criados pelos kree e sim pelos celestiais os “deuses do espaço” cujo até galactus tem medo, como diz a hq “OS ETERNOS’ que conta a origem deles. Interessante destacar tbm que os eternos em geral adoram a vida, ao contrario de thanos , que mostra ser totalmente oposto da raça, visto que se parece com um DEVIANTE (uma raça irmã) e adora a morte, podemos dizer que thanos é o ‘diferentão’ entre os eternos.kkkk

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s