Seria o Superman uma alegoria ao Fascismo? (ou ele só é um coxinha?)

Olha! À sua direita! É o Luciano Huck? É o Rei do Camarote? Não! É o SUPERCOXINHA!
Minha Kryptonita é a Vodka!
Minha Kryptonita é a Vodka!

Em sua HQ Superman: Entre a Foice e o Martelo, Mark Millar imaginava o que aconteceria se o foguete que trouxe Superman de Krypton tivesse caído na URSS e não nos EUA. Durante a Guerra Fria, a “posse” de um super-homem não só beneficiaria a guerra para o lado dos soviéticos, como também garantiria o controle de todo o poder do mundo nas mãos do Superman. Kal-El havia se tornado um fascista tão horrível quanto Hitler, Mussolini ou Stalin. Por outro lado, crescendo nos EUA, o Superman se tornou o símbolo da liberdade. Mas será isso mesmo?

Em GargantuaRabelais criticava àqueles que colocavam um sentido cristão nas obras de Homero, uma vez que as obras haviam sido compostas séculos antes do cristianismo. O mesmo é feito com o Superman, de Siegel e Shuster que, dizem ter uma interpretação messiânica. O herói kriptoniano seria uma alegoria de Moisés, uma vez que seus criadores eram judeus. Mas como saber se esta foi realmente a intenção dos autores?

Olha! À sua direita! É o Luciano Huck? É o Rei do Camarote? Não! É o SUPERCOXINHA!
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Continuando com o homem de aço, sabe-se que sua primeira versão foi criada poucos anos depois da quebra da bolsa de Nova York de 1929 e da Grande Depressão que se seguiu. Estudiosos dizem que o Superman foi uma resposta para o clima de desesperança que se abateu sobre a população americana. Um super-herói, portanto, seria uma resposta otimista à uma sociedade falida. Superman seguiria a onda escapista das revistas pulp que publicavam as ficções científicas baratas e servia como uma injeção de ânimo ao povo. Em suas primeira histórias o homem de aço não combatia supervilões, mas maridos que batiam nas esposas, traficantes de armas, lobistas, turbas de linchamento, detratores das conferências de paz mundial, enfim, detratores da ordem. Essa ordem buscada pelo Superman e pelos demais super-heróis era estabelecida através da força e da violência. E aqui cabem outras questões.

O primeiro fanzine de Jerry Siegel e Joe Shuster apresentava um Superman fascista
O primeiro fanzine de Jerry Siegel e Joe Shuster apresentava um Superman fascista

A meme do übermensch de Nietzche estava rondando as cabeças das pessoas lá pelo início da década de 30. Não por acaso o partido nazista na Alemanha apregoava a superioridade da raça ariana, uma classe de super-homens que devia reinar sobre a Terra em detrimento das outras raças, consideradas inferiores. Em 1933, Siegel e Shuster publicavam seu protótipo do que viria a ser o Superman no fanzine chamado Science Fiction. A história, intitulada “O Reino do Superman”, contava como o mendigo Bill Dunn era transformado pelas experiências de um professor em um ser superpoderoso, dotado de poderes telepáticos, que deseja governar o mundo inteiro. Mais tarde, em entrevistas, Siegel confessou que havia se inspirado nas idéias de Nietzche para criar a história.

Então vejamos: Superman é um homem superior aos outros, com força e poderes extraordinários, através dos quais impõe a ordem em uma nação desiludida cujas cores da bandeira ele usa em seu peito para instaurar um certo ufanismo e restaurar a crença no país. “A valorização fascista da nação é inevitavelmente retórica”, diz Leandro Konder em “Introdução ao fascismo”, “precisa ser agressiva, recorrer a uma ênfase feroz para disfarçar o seu vazio e tende a menoscabar os valores das outras nações e da humanidade em geral”.

Seria o Superman uma alegoria do Messias? Ou de Hitler? Siegel e Shuster queriam trazer nova esperança para os Estados Unidos ou queriam controlá-lo à força? Estaria o Dr. Frederic Wertham certo ao dizer que o Superman é um megalomaníaco?

A questão da intenção e do contexto se confunde desde então. Não está certo nem quem diz que o kriptoniano é o novo Cristo, nem quem diz que seus ideais se adequam aos de Mussolini. O significado do Superman é renovado a cada era, sempre ligado a alegorias diferentes. No contexto dos anos 30 ele tinha um significado e tem outro aos olhos de uma sociedade que viu as Torres Gêmeas caírem e enfrenta uma crise econômica semelhante à de 1929.

Precisa haver um Superman?
Precisa haver um Superman?

Para exemplificar esse pensamento, trago à baila duas histórias. A primeira é de 1972, escrita por Elliot S! Maggin e desenhada por Curt Swan e se chama “Precisa haver um Superman?”. A história questiona se o Superman deve interferir na história da humanidade, salvando-a toda vez que surge uma ameaça ou deixar os humanos virarem-se por si mesmos. Diferente de suas primeiras histórias, o homem do amanhã chega à seguinte conclusão: “Vocês não devem contar com um Superman consertando suas vidas toada vez que há uma crise ou um desastre…Vocês não precisam de um Superman. O que precisam mesmo é da supervontade de serem guardiões de seu próprio destino”.

A segunda é de março de 2001, seis meses, portanto, antes do 11 de setembro. “Olho por Olho?”, escrita por Joe Kelly e desenhada por Doug Mahnke e Lee Bermejo mostra o Superman medindo forças com a Elite, uma equipe que resolveu usar de atitudes extremas para defender a Terra. Aqui vemos o bom-mocismo do homem de aço em confronto com uma alegoria do The Authority, de Warren Ellis e Brian Hytch, que, na história em questão, retrata o fascismo: o mundo governado por uma força superior que usa de extrema violência para resolver as crises planetárias. Ou nas palavras de Manchester Black, líder da Elite: “Regra número um: quem tem o poder faz as regras. (…) Isto não tem a ver com amor, tem a ver com a remoção dos cânceres que infestam nosso corpo e a eliminação deles na privada. As pessoas não querem babás de colante que lhes dêem tapinhas nas costas quando forem más, querem cirurgiões que cortem os nacos podres de seus corpos e cobrem uma atitude decente daí por diante”. No final da história Superman vence a Elite e fica mais próximo de um messias do que de um fascista.

Superman x Elite Branca Católica Heteronormativa Dominante
Superman x Elite Branca Católica Heteronormativa Dominante

Dessa forma, temos Supermans de vários estilos, como podemos ver neste post aqui. Várias versões para o mesmo herói. Ou seja, o Super não é fascista, mas que tem um pé no salgadinho recheado com frango desfiado, ah isso a gente não pode negar que ele tem.

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5 Comments

  1. Eu não sei bem o que pensar depois desse texto…Vou ter que pensar um pouco sobre isso, mas tenho quase absoluta certeza de o Superman não simboliza regimes ditatoriais, mas uma nação forte e unida, porém podre por dentro e falida em questões éticas e morais, mas sabe como funciona o patriotismo cego…Ainda assim, sempre vi o Superman como um “campeão da justiça” que tem grandes demônios interiores, com os quais parece discutir muitas vezes…

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  2. que texto sem sal. coxinha é o texto, e sem sal ainda por cima. por que as pessoas não querem entender que o superman simboliza a justiça? ele não é coxinha. ele não é fascista, muito longe disso. sequer é de direita. ele não bate panelas e nem vai para rua fazer desfiles de intolerância e marchas anacrônicas de ditaduras de militares. esse texto é um mal texto.

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  3. Mas, cacete, alguém sabe me explicar o que diabos quer dizer “coxinha”?

    Por que, com base nesse seu texto, parece que é apenas “tudo que eu não gosto”.

    Seu arrogante.

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