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Painéis em pixels ≠ Painéis no papel: as diferenças entre o quadrinho digital e o analógico

Reinventando os Quadrinhos, de Scott McCloud

Reinventando os Quadrinhos, de Scott McCloud

Hoje em dia os quadrinhos digitais vêm se proliferando de maneira incrível, principalmente aqueles em aplicativos para dispositivos móveis. O que ainda não chegou a um consenso foi a maneira como esses quadrinhos devem ser apresentados. Não existe um padrão e provavelmente nunca existirá. Erik Loyer, um criador de quadrinhos digitais, responsável pelas séries Upgrade Soul e Ruben & Lullaby acabou de lançar um vídeo sensacional sobre quadrinhos digitais chamado Timeframing: The Art of Comics on Screens, uma análise profunda de como as telas e os quadrinhos podem trabalhar em conjunto. O vídeo, você pode assistir abaixo, mas eu vou fazer aqui um apanhado geral para você acompanhar se não entende inglês.

PARA ALÉM DA DEFINIÇÃO

Em seu revolucionário livro Desvendando os Quadrinhos, Scott McCloud cunhou a seguinte definição para os quadrinhos: “Imagens pictóricas ou outras justapostas em sequência deliberada”, porém, com o advento dos quadrinhos digitais, em seu livro seguinte, Reinventando os Quadrinhos, McCloud resolveu transformar sua definição no seguinte termo, os quadrinhos agora são “um mapa do artista para o próprio tempo”.

Segundo a antiga definição de McCloud, quebrar a imagem em quadros e separá-los dos layouts utilizando sequências de vídeos é o mesmo que quebrar a própria essência dos quadrinhos em sua identidade primordial. Da mesma forma que acontece na visualização guiada dos quadrinhos no comiXology, onde o leitor não tem acesso ao tempo de exposição, podendo entretanto, ampliar ou diminuir os quadros dos comics.

Mapas temporais

Mapas temporais


UMA FACA DE DOIS GUMES

Em seu livro About Digital Comics, de 2009, Balak explicava como devem se manter os quadrinhos digitais para que permaneça dentro de uma definição mínima de tal coisa. Devem haver pelo menos dois quadros justapostos e, com um clique, o leitor poderia avançar ou retroceder na narrativa. Assim funcionam os aplicativos Marvel APP para leitura dos quadrinhos da Marvel Comics e o aplicativo de quadrinhos digitais Thrillbent (2014), uma iniciativa de Mark Waid.

Ao mesmo tempo, sugiram games que se utilizam de recursos dos quadrinhos para dar uma dimensão plana às animações e computações gráficas, como o caso do jogo Ultimate Spider-Man (2005) e os motion comics como Watchmen: The Motion Comic (2014). Esses efeitos e essas adaptações, polarizam a atenção da audiência produzindo uma experiência de imersão, que diferem dos quadrinhos por se utilizarem de efeitos audiovisuais.

Na definição de Balak, é necessário haver interação com o leitor no controle do tempo. Assim, o usuário é convidado a clicar para ver o próximo quadro ou o anterior, não importando quão grandiosa e espetacular foi a experiência temporal naquele momento da narrativa que poderia estragar a experiência como um todo. Eric Loyer diz que para romper as barreiras do quadrinhos digital ou de se manter fiel à experiência dos quadrinhos em papel é necessário descobrir ou redescobrir o efeito do estático na narrativa.

EXISTIRIA UMA SOLUÇÃO?

Segundo McCloud em seu livro Reinventando os Quadrinhos,  a solução para os quadrinhos digitais seria a utilização do que ele chamou de INFINITE CANVAS, ou seja, a história corre infinitamente de cima para baixo, no caso de visualização vertical; ou da esquerda para a direita no caso de visualização horizontal. Ou ainda, a solução seria trabalha-lo como uma hipermídia como a internet, com links para diversas partes. Loyer usa o exemplo da pesquisa do Google Imagens para isso, ou ainda o site Pinterest onde há links de imagens para imagens e conjuntos de imagens.

Um belo exemplo que Loyer nos dá é o quadrinho “Our Teyota was Fantastic”, do quadrinhista francês Boulet (2009) que através de gifs e efeitos de iluminação mostra as lembranças de um menino a passear com o carro da família. Como Loyer mostra em seus próprio quadrinho digital, uma forma de trabalhar bem essa mídia é a utilização da ilusão de óptica em movimento, assim como a continuidade de som/imagens estáticas.

“Our Teyota was Fantastic”, do quadrinhista francês Boulet (2009)

“Our Teyota was Fantastic”, do quadrinhista francês Boulet (2009)

Por fim, Loyer nos diz: “Estamos vivendo num era não apenas de telas, mas de telas divididas; caixas de tempo estão ao nosso redor. Nós as encontramos em sequências divididas de filmes e na TV, jogos de videogame multiplayer, videoconferências, e mais – para onde nos viramos, parece que caixas de tempo tem se tornado uma parte importante na maneira como nos comunicamos visualmente. Conforme isso acontece, um meio tem se provado um grande adepto em coreografar caixas de tempo com propósitos narrativos: os quadrinhos.”

Mais uma razão da importância que os quadrinhos têm tomado nas nossas vidas e nós nem percebemos. Viram só? Se não viram, vejam no vídeo do Erik Loyer abaixo:

AGRADEÇO AO AMIGO DANIEL SIMON POR TER ME PASSADO ESSE VÍDEO SENSACIONAL.

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