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A intrínseca relação entre os super-heróis e as guerras

Basta reparar: as revistas de super-heróis possuem suas maiores vendas em tempos difíceis. São nessas épocas que o povo se torna mais acanhado, sem esperanças e vão busca forças nas revistas dos super-heróis.

Isso é pra você aprender a não usar bigode!

Isso é pra você aprender a não usar bigode!

Aff... Viram como a história da bolinha de papel é velha? Segundo esses tiranos dói mesmo...

Aff… Viram como a história da bolinha de papel é velha? Segundo esses tiranos dói mesmo…

Desde o começo, as revistas de super-heróis mostraram os mesmos em suas capas lutando contra os inimigos da guerra. Capitão América dava um soca na cara de Hitler logo em sua primeira edição. Superman, Batman e Robin acertavam bolinhas na cara de Hitler, Mussolini e Hiruito. Mas enquanto na Marvel o confronto era direto, a DC Comics, ao longo dos anos, deletou essa luta da Segunda Guerra Mundial das páginas de Superman.

Bom, se até o Sperman quer evitar o exército, acho que é compreensível, né, gente?

Bom, se até o Sperman quer evitar o exército, acho que é compreensível, né, gente?

Embora existam histórias do Homem de Aço lutando no front, uma história mostra que Clark Kent burlou o exame oftalmológico para que não servisse na guerra. Anos depois, a DC iria justificar a ausência da Sociedade da Justiça na guerra, afirmando que Adolf Hitler estava de posse de um artefato sobrenatural chamado Bastão do Destino, que criava uma barreira mística na Europa e na Ásia para ficarem à mercê do Eixo. Já na Marvel, é comprovado que foi o Tocha Humana original quem matou Hitler, carbonizando-o.

Esse sim, é um verdadeiro Fanático por rubis!

Esse sim, é um verdadeiro Fanático por rubis!

Porém, fora essas intervenções, geralmente os supers são mantidos fora das guerras. Na Guerra da Coréia, por exemplo, o Professor Xavier e o Cain Marko, seu meio-irmão lutaram juntos. Foi assim que Cain ganhou os poderes de Fanático, ao ser abandonado por Xavier em uma caverna que possuía a gema de Cittorak, o deus místico que deu os poderes a Cain que se tornou o Fanático. Nenhum deles se tornou o salvador ou o impedimento da guerra.

O Que Aconteceria se... o Superman vencesse a Segunda Guerra Mundial?

O Que Aconteceria se… o Superman vencesse a Segunda Guerra Mundial?

Pois, se por um lado os super-heróis tem a condição perfeita para encerrar uma guerra, da mesma forma eles tem o poder de modificar os caminhos do mundo. Se algum super-herói teria impedido a Segunda Guerra Mundial, como seria nosso mundo hoje? Com certeza, bem diferente do que estamos acostumados. Se o mundo em que os super-heróis vivem fosse diferente do nosso, como um Elseworlds (Túnel do Tempo) ou um What if? (O que aconteceria se…), perderia um elemento muito importante: a verossimilhança. Com a perda dela seriam perdidas a projeção e a identificação tão comum aos leitores desse tipo de quadrinhos.

O Conflito do Vietnã #19, da série The 'Nam, o que aconteceria se os vingadores vencessem a Guerra do Vietnã?

O Conflito do Vietnã #19, da série The ‘Nam, o que aconteceria se os vingadores vencessem a Guerra do Vietnã?

A Guerra Fria gerou heróis como o Homem de Ferro e o Incrível Hulk, que tiveram sua gênese nessa época e estão ligados à corrida atômica da década de 60 e no início das histórias a maioria de seus inimigos estavam ligados à “ameaça vermelha” dos comunistas. Depois, a Guerra do Vietnã, gerou heróis como o Justiceiro, um homem que lutou no fracasso dos Estados Unidos e voltou de lá traumatizado. Sobre a Guerra do Vietnã, uma série interessante da década de 70, chamada The ‘Nam, trouxe uma história que imaginava o que aconteceria se Capitão América, Homem de Ferro e Thor tivessem interferido no front. Ora, a Guerra acabaria, como mostra a história que é comparado com o filme A Ponte do Rio Kwai, com John Wayne e George Takei, os soldados dizem que quem fez esse filme não entende nada da guerra e que mostra, no fim do filme, o sol se pondo no Leste.

Salvando as Torres Gêmeas!!!

Salvando as Torres Gêmeas!!!

O 11 de Setembro, como todo mundo dessa geração sabe, teve um impacto muito grande sobre os americanos – e os super-heróis são um produto exclusivamente americano, por isso eles não funcionam se criados em outras realidades – mas mais uma vez os super-heróis não puderam fazer nada para impedir o desastre, como mostra a edição especial do 11 de Setembro do Homem-Aranha. Por outro lado, o mundo de Ex Machina, criação de Brian K. Vaughan e Tony Harris, mostra o que aconteceria se um suposto super-herói impedisse a queda de uma das Torres Gêmeas: ele se tornava o prefeito de Nova York.

Na Guerra do Iraque, os Supremos cravaram um de seus QGs em Bagdá, para disseminar a força dos americanos na região. Agora uma nova guerra se anuncia, da coalizão do G-20 contra os radicais muçulmanos do ISIS, encerrado mais uma vez no Oriente Médio. Não vai demorar muito para que mais esse conflito seja tema de gibis e, se for duradouro, dar uma força para a indústria dos quadrinhos, enquanto os pobres leitores americanos buscam salvação e esperança nas mãos destes incríveis heróis de papel.

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