A Saga da Paternidade: SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir, R$ 56, Tradução: Marquito Maia)

SAGA é a HQ mais aguardada do ano no Brasil. Ela ganhou três Eisner Awards e seis Harvey Awards em 2013. O primeiro volume recebeu o cobiçado Hugo Award para Melhor História Gráfica e o British Fantasy Award para Melhor Novela Gráfica em 2013. Fora isso, SAGA é uma concepção da mente criativa de Brian K. Vaughan, responsável por sucessos cults e de crítica como Y: O Último Homem, Fugitivos, Leões de Bagdá, Ex Machina e que também foi um dos roteiristas do seriado LOST a partir da terceira temporada. Fiona Staples, a artista, por sua vez vem do mercado independente, tendo feito apenas séries desconhecidas dos brasileiros. Entretanto, a arte de Fiona é de encher os olhos, versada em cores e traços dinâmicos, também tem de se destacar seu design de personagens, que povoam as histórias de saga os mais diferentes seres alienígenas.

Capa de poster estilo space opera, estilo Star Wars!
Capa de poster estilo space opera, estilo Star Wars!

A história começa com a bebê Hazel narrando seu nascimento. Ela é filha de duas espécies em guerra, os chifrudos, que habitam a Lua e dos alados, que habitam o planeta. Duas espécies em guerra, que não podem se aniquilar por medo de que a destruição de um ou de outro mundo consuma o próximo. SAGA é uma espécie de o que aconteceria se Romeu e Julieta tivessem uma filha e morassem no outro extremo da galáxia. Mas também é uma grande fábula sobre a paternidade.

TOMA QUE O FILHO É SEU

Capitão Nascimento (em homenagem aos reaças que invadiram o blog hj)
Capitão Nascimento (em homenagem aos reaças que invadiram o blog hj)

Como eu disse, a história começa com o bebê narrando seu nascimento, e a maneira como a dupla de criadores mostra esse nascimento é bem inusitada, seja na descrição, nos diálogos ou no que acontece logo a seguir. Talvez, para alguns, ser pai é um guerra que deve ser travada todo o dia, ser pai, para alguns é a prova encarnada de seu amor por outra pessoa concretizado numa pessoazinha bem menor que representa essa junção. E toda essa metáfora está no amor de Alana, a alada e Marko, o chifrudo. Além de criarem a filha em meio à uma guerra de proporções galácticas, Alana e Marko representam um amor proibido e a bebê a concretização dessas barreiras rompidas.

Logo no começo é afirmado: a parte mais difícil de ser pai é saber quando pedir ajuda. Nesse cenário, Alana e Marko precisarão de toda ajuda possível para criar Hazel. Enquanto isso, uma espécie de alusão ao criador da série, Brian K. Vaughan, o freelancer mercenário O Querer está atrás da cabeça de Alana e Marko e precisa capturar Hazel. Mas muita coisa irá acontecer, trazendo reviravoltas e momentos inesperados.

"Tudo além em nome do amoooor... todo mundo necessita amooor..."
“Tudo além em nome do amoooor… todo mundo necessita amooor…”

Ainda no último capítulo do encadernado temos um recordatório que resume bem o teor de Saga: “Houve uma época em que cada um de nós já foi filho de alguém. Todo mundo teve um pai, mesmo que ele nunca tenha contribuído com outra coisa além do esperma. Todo mundo teve uma mãe, mesmo que ela fosse obrigada a nos abandonar na porta de um estranho. Não importa se fomos criados dessa ou daquela maneira, todas as nossas histórias começam do mesmo jeito. O fim de cada um também não é diferente.” Aqui cabe uma congratulação a Marquito Maia pela tradução e adaptação de nomes bem realizada.

Sinto uma forte influência de Neil Gaiman em Saga, ainda que de uma forma mais ousada e brincalhona, menos sisuda e menos obscura, algo que é típico de BKV, mas o teor da história lembra muito as minissérie da Morte, principalmente a segunda que, concidentemente, uma das mães lésbicas também se chama Hazel.

NÃO É FEITIÇARIA, É TECNOLOGIA

Também vejo um a dicotomia entre os dois mundos de SAGA. Enquanto um é baseado em Tecnologia e é governado por uma monarquia de homens com cabeça de televisão, ou outro é baseado em magia – e aí temos mais uma vez a influência de Neil Gaiman. Em suas histórias, toda magia precisa de uma barganha. Nas magias de Marko é preciso sempre sacrificar algo, seja um segredo, seja o frio que a neve provoca, um utensílio de morte… Tudo isso contribui para enriquecer o mundo de SAGA, que vai permitir muito mais interações e dicotomias guerreiras entre feitiçaria e tecnologia, visto que se passa no espaço e histórias no espaço são sempre mais empolgantes e com tendência ao imprevisto, porque do espaço pode surgir qualquer coisa.

SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir, R$ 56, Tradução: Marquito Maia)
SAGA, Volume Um, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir, R$ 56, Tradução: Marquito Maia)

Saga é uma leitura linda, empolgante, engraçada, que vai entreter muita gente por anos a fio até que BKV e Fiona resolvam acabar com a série, algo que os dois já disseram que não há previsão. Por favor confira e entenda por que ela foi esperada por tanta gente por tanto tempo aqui no Brasil. E vamos fazer magia e tecnologia para que continuem saindo mais e mais volumes dessa série o mais breve possível aqui no Brasil.

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