Análises, Melhores Leituras 2014, quadrinhos
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Os Melhores Quadrinhos Brasileiros que Li em 2014

Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira, (Zarabatana Books, 2014, 144 págs, R$ 46,00)

Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira, (Zarabatana Books, 2014, 144 págs, R$ 46,00)

Aos Cuidados de Rafaela, de Marcelo Saravá e Marco Oliveira

Quando escrevi a resenha sobre Aos Cuidados de Rafaela disse que seria uma das melhores HQs brasileiras do ano e realmente se manteve assim. Não pelo clima Nelson Rodrigues que a HQs traz, mas pra mim ficou parecendo mais uma HQ sobre uma sociopata ao estilo Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock e tantos outros filmes do mestre do suspense. Na verdade a HQ revela a sordidez da alma humana e como as pessoas podem ser interesseiras até as últimas consequências, envolvendo-as numa turbulenta sequência de dominós interpessoais que podem ser derrubados a qualquer estalo.


 

A Vida de Jonas, de Magno Costa

A Vida de Jonas, de Magno Costa

A Vida de Jonas, de Magno Costa

A história de um alcoólatra tentando se recuperar. Até aí tudo bem, mas o que um dos novos gêmeos revelação da cena quadrinística brasileira faz é usar fantoches. Isso aí: fantoches para contar quadrinhos. Não são fotos, mas parece que todos os personagens saíram ou da Vila Sésamo, ou do filme dos Muppets, ou da Exposição de 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum. Isso confere outra realidade à trama, que deixa a dicotomia entre fantasia e realidade ainda mais acentuada em suas diferenças.


 

Baratão 66, de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum (Pitomba/Beleléu, 192 páginas, 2013, R$ 35,00)

Baratão 66, de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum (Pitomba/Beleléu, 192 páginas, 2013, R$ 35,00)

Baratão 66, de Bruno Azevêdo e Luciano Irrtum

Como não lembrar da frase de abertura da HQ: “Com cu ou sem cu?”, pergunta a atendente do Baratão, que de dia é um estúdio de depilação e de noite é um bordel. Baratão tem um teor parecido com Aos Cuidados de Rafaela, só que com muito muito muito mais humor e sem se levar a sério demais. A prova disso é a arte escrachada de Luciano que pega o estilo emprestado dos cordéis. Logo as “atendentes” do Baratão se verão envolvida numa trama de crime e mistério no melhor estilo das narrativas nordestinas. Veja aqui a resenha que escrevi sobre essa HQ.


 

CLICK, de Samanta Flôor

CLICK, de Samanta Flôor

CLICK, de Samanta Flôor

Uma doce e inocente garotinha sai por aí a saltitar portando uma câmera fotográfica, mas toda vez que ela tira a foto de alguém alguma coisa estranha acontece. Um homem que vê todas as pessoas diferentes de si, menos a si mesmo, precisa descobrir o porquê. Duas histórias no traço fofinho de Samanta que rendem uma boa reflexão e algumas boas gargalhadas, além é claro de ser uma digna representante da cena gaúcha de quadrinhos que vem se aprimorando mais a cada ano.


 

Criatura, de Rafael Corrêa

Criatura, de Rafael Corrêa

Criatura, de Rafael Corrêa

E por falar de dignos representantes da cena quadrinística gaúcha, está aí o Rafael Corrêa, que acho que é um dos cartunistas brasileiros mais premiados dos últimos tempos em festivais ao redor de todo o globo. No seu Criatura, Rafael traz uma história de companheirismo, cuja semelhança dos personagens à Han Solo e Chewbacca, da trilogia Star Wars, não é apenas mera coincidência. Assim como a HQ de Samanta, a história é muda, mas cheia de identificação com quem já teve um pet, mas dessa vez no estilo cartunesco inconfundível do Rafael.


HUG, de Phellip Willian e Melissa Garabeli

HUG, de Phellip Willian e Melissa Garabeli

HUG, de Phellip Willian e Melissa Garabeli

Já falei sobre esses carinhas queridos da Velociraptor Pirata aqui nesse link, mas agora vou falar do HUG. Se trata de uma HQ experimental, de poucas páginas, mas que trabalha com todos os elementos dos quadrinhos de uma forma bem divertida. Um bichinho sai do nariz de outro e eles começam uma dinâmica de gato e rato, ou de Felícia e Perninha. Phe e Mel brincam com o layout, os requadros, os personagens, expandindo a história a níveis extranarrativos, mas que ao mesmo tempo não deixam de conectar o leitor com oq eu stá ocorrendo. Thumbs up!


 

Los 3 Amigos: Sexo, Drogas e Guacamoles, de Laerte, Angeli e Glauco

Los 3 Amigos: Sexo, Drogas e Guacamoles, de Laerte, Angeli e Glauco

Los 3 Amigos: Sexo, Drogas e Guacamoles, de Laerte, Angeli e Glauco

Nham, guacamoles! Hã… Então te chamas Miguelito? Te chamavas! Três dos maiores quadrinistas de tirinhas brasileiras se reúnem nessa edição antiga pra canário, que eu li esse ano. Los 3 Amigos criam um Universo inteiro para mostrar o pais portunhol de Mirasoles e suas perseguições aos Miguelitos fabricados em massa naquela nação perdida tão parecida com o Brasil ou qualquer país da América Latina. Essa edição ampliada, além das tiras regulares de Los 3 Amigos também traz complementos do mestre Laerte em tirinhas no pé da página. Essa HQ é para se matar de rir! Hã… mas não que nem o Miguelito…


No Divã Com Adão, de Adão Iturrusgarai

No Divã Com Adão, de Adão Iturrusgarai

No Divã Com Adão, de Adão Iturrusgarai

Quando vi essa HQ há muitos anos atrás não tinha dado muita bola, 10 anos de divã depois, eu achei sensacional. Vi ela em promoção na praia e resolvi comprar uma para a minha psicóloga. Aí pensei melhor e comprei uma pra mim também, senão seriam mais 10 anos de divã de arrependimento. E assim funcionam as tirinhas de Adão, para tudo existem um número x de anos no divã o que acaba tornando tudo mais engraçado. Então era só eu dando gargalhadas e gargalhadas lendo No Divã com Adão, sentado no Dindinho – o ônibus que transita na beira da praia de Balneário Camboriú – , e as pessoas ficavam olhando sem entender.


Quer Dançar?, de Guilherme De Souza

Quer Dançar?, de Guilherme De Souza

Quer Dançar?, de Guilherme De Sousa

Não, ele não é parente do Maurício, e a HQ não tem nada a ver com Turma da Mônica. Tem a ver com crocodilos, jacarés, aligators, mas tudo começa mesmo numa simples pergunta numa boate: “Quer Dançar?”. O traço de Guilherme é convidativo, expressivo e a sua história – praticamente muda – é envolvente e irônica. E também tem aquele gosto de “o que aconteceria se…” e é uma história que todo mundo já deve ter imaginado, levando em conta as lendas urbanas que se contam por aí sobre crocodilos. Esse é um quadrinho simpático que deveria ser conhecido por mais gente.


 

Vestido de Noiva, de Arnaldo Branco e Gabriel Góes

Vestido de Noiva, de Arnaldo Branco e Gabriel Góes

Vestido de Noiva, de Arnaldo Branco e Gabriel Góes

A obra máxima de Nelson Rodrigues, que muitos já falaram ser impossível de adaptar para os palcos. Não só foi, como virou HQ. A história não se prende apenas à narrativa da peça, mas também conta um pouco da história biográfica de Nelson Rodrigues. O que chama atenção logo de cara, com certeza é o traço de Gabriel Góes. É lindo, tem um peso que o texto pede, a sobriedade e a obscuridade da peça, e além de tudo é bastante semelhante ao estilo de Charles Burns, de Black Hole. É uma ótima pedida para quem quer adentrar no mundo de adaptações de quadrinhos e quer fugir do óbvio.

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