Dia do Quadrinho Nacional – 30 de Janeiro – Depoimentos (Parte I)

Viva! Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional! E temos muito a comemorar, visto o salto de qualidade e de público que essa produção deu na última década. Chamei alguns amigos envolvidos com a produção nacional de quadrinhos para ratificar a importância dessa produção cultural no Brasil. Confere aí!
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“Há 146 anos Angelo Agostini lançava, no Brasil, uma nova forma de comunicação: os Quadrinhos de Nhô Quim (que veio bem antes do Yellow Kid, Flash Gordon ou Dick Tracy). Anos antes, ele já havia surpreendido a população com seu novo estilo de jornalismo: a imprensa ilustrada. Essa revolução na comunicação de massa criou raízes e hoje é impossível pensar em comunicação -impressa, televizada ou internetizada- sem que a imagem tenha seu importante espaço delimitado. Infelizmente, a imprensa escrita onde a ilustração ganhou força e se popularizou (a dita “imprensa marrom”) tem reduzido o espaço da ilustração em suas páginas. E os Quadrinhos, apesar de perderem seu espaço nas bancas, ganharam o mundo das livrarias e da virtualidade, e hoje vemos uma produção imensa de veteranos e iniciantes tomar conta do mundo real e virtual. Viva Angelo Agostini, viva o Quadrinhista nacional.”

Bira Dantas, um dos maiores defensores do quadrinho nacional, um dos organizadores do troféu Angelo Agostini, faz parte da AQC-SP e trabalhou em diversos quadrinhos, entre eles, Os Trapalhões.


“A HQ nacional já representou militância e resistência, num tempo que sô interessava HQs de fora; hoje o mercado nacional está aberto para projetos, roteiros e desenhos que tenham robustez, consistência e excelência.”

Gervásio Sant’Anna, organizador da Usina de Quadrinhos, evento dentro da Feira do Livro de Canoas/RS e autor de diversos fanzines.


“Pu! Pra mim as hqs brasileiras têm sido fundamentais pra pensar a própria HQ, posto que geralmente (e isso é também uma maldição) são produções independentes e meio foda das amarras editoriais e industriais. Nesse sentido têm sido o espaço de criação e reflexão por excelência. Basta sacar o trampo de caras como o Pedro Franz, Diago Gerlach, Stevz e outros tantos.”

Bruno Azevêdo, escritor, autor de Baratão 66 com Luciano Irrthum, editor da Pitomba, pai da Missu.


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“Uma característica bacana dos quadrinhos é que o acesso à sua produção é bem democrático. Depende de um suporte pra sustentar a página, que pode ter qualquer formato, ser feita no papel ou no tablet. Assim, pra fazer quadrinhos basta ter a vontade. E isso a gente vê muito na produção nacional de HQs. Muita gente desenhando, escrevendo, contando suas histórias. Uns seguem os modelos importados, a estrutura de histórias e o tipo de personagens. Outros extrapolam, colocam elementos de artes plásticas, falam de temas como racismo, homofobia, machismo. Nesse sentido, a produção nacional de quadrinhos é extremamente rica. Vale ressaltar o interesse de editoras como a Nemo, a Balão, a Zarabatana, o grupo MSP, que estão construindo um espaço no mercado para os autores e autoras nacionais. E o trabalho dos jornalistas, blogueiros e fãs que fomentam todo esse interesse com artigos, entrevistas, discussões. Numa perspectiva comercial, ainda tem muito pra ser batalhado, pra que o quadrinho se estabeleça efetivamente como profissão, mas com cetrteza estamos vivendo um período muito animador.”

Liber Paz, quadrinista criador da HQ Coisas Que Cecília Fez.


“Apesar de terem alcançado uma qualidade inegável, a indústria de quadrinhos americanos, franco-belga, japonesa e tal nunca vai suprimir uma necessidade que só os quadrinhos nacionais podem fazer: falar diretamente com você. Ao contrário de ver cidades como Nova York ou Tóquio, as nossas histórias podem se passam em São Paulo, Fortaleza, Curitiba, além de falar de novela, ônibus lotado, rolezinho, carnaval ou qualquer outra coisa que só existe por aqui. O quadrinho nacional permite que os autores e leitores possam conversar sobre o nosso imaginário e retratar a realidade de quem vive no Brasil. Despertamos o interesse dos leitores, da mídia especializada e dos pontos de venda, mas ainda não conquistamos o grande público. Quando isso acontecer, nada pode parar o quadrinho nacional.”

Raphael Fernandes, editor da revista MAD e da coletânea Imaginários, autor de Ditadura no Ar e mais vários outros quadrinhos.


“A importância da produção nacional, ainda mais nos dias de hoje, é porque as novas gerações terão contato muito mais rápido, por exemplo, do que autores anteriores a mim ou de minha geração mesmo tiveram. A internet propicia um alcance ao leitor muito mais rápido do que se estivéssemos somente em nossos pequenos estúdios fazendo nossos fanzines e tentando mandar pelos correios o maior número possível de copias! Se estivéssemos, com a realidade digital de agora, sem produzir NADA, seria um tremendo desperdício. Datas como hoje não devem ficar somente no confete e rodinhas de bar enchendo a cara e dizendo “uau, como somos artistas arrojados e engajados”… tem que baixar a cabeça e produzir, fazer sua parte.”

Daniel HDR, desenhista da DC, Marvel, Avatar, dono do Dinamo Estudio, e podcaster do ARGcast!


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“Uma produção de quadrinho nacional tem a mesma importância de qualquer outra produção cultural nacional. Ela nos ajuda a nos entender como um povo. Nossas peculiaridade, nossas contradições, nossa identidade. Nos só existimos no mundo realmente enquanto produtores de cultura.”

Lauro de Luna Larsen, editor da MINO, que lançou L’Amour 12 oz., de Luciano Salles


‘A importância da produção nacional de HQs hoje é a de mostrar para um público novo, que começou a ler por causa do cinema, séries e videogames, que existe arte por trás de tudo. Também porque hoje, finalmente, nossa produção existe, é forte e de muita qualidade. Nossos artistas merecem estar produzindo e se dando bem.”

Artur Pescumo Tavares, editor e tradutor da HQM Editora, casa de The Walking Dead, Valiant, Dark Horse Apresenta e muitas produções nacionais.


“Eu aprendi a ler com histórias em quadrinhos. Quando era criança preferia a Turma da Mônica aos gibis da Disney. Hoje eu entendo o melhor do porquê dessa preferência. A Mônica, o Cebolinha, o Cascão e a Magali eram mais próximos da minha realidade do que Pato Donald, Mickey e cia. Eu me via refletido de alguma forma ali, queria ser parte daquela turma, queria ser amigo deles. E essa identificação é algo poderoso e incomensurável. Os quadrinhos são parte de nossa cultura e de nossa identidade assim como o samba, a bossa nova, a Tropicália, o teatro do Nelson Rodrigues ou a literatura de Machado de Assis. Nossa produção de quadrinhos é um patrimônio inestimável assim a Mafalda é para a Argentina, os super-heróis são para os EUA ou o Asterix é para a França. Os quadrinhos nacionais são espelho que nos ajuda a nos enxergarmos melhor.”

Mario César Oliveira, ex-editor da Front, autor da série de quadrinhos EntreQuadros, colaborador de vários projetos de HQs.


“O quadrinho nacional brasileiro tem se mostrado mais nos últimos anos, basta ver a quantidade de eventos, de lançamentos e do espaço que a imprensa tem dado para as HQs. Surgiu um “espaço social” pra HQ que não tínhamos em tempos recentes. Há também diversidade: é possívelencontrar vários “estilos” de autores de HQ. Vejo tudo de modo promissor.”

Lielson Zeni, editor, roteirista, pesquisador de HQ e escritorDQN
AMANHÃ TEM MAIS!!!

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