É pior um super-herói virar gay do que virar um supervilão

Será que é realmente uma pergunta tão difícil de responder?

É, mergulhadores, aqui estou eu de volta batendo nessa tecla de novo. E por quê? Bem, o mundo dos quadrinhos é um dos universos mais misóginos, sexistas e homofóbicos que existem, tendo em vista a resposta que tive aos posts sobre os gays dos quadrinhos. E, engraçado que odeiam tanto assim, mas é um dos assuntos mais acessados do blog. Vai entender. Freud explica.

A frase que abre o post é verdadeira. Não existe tanta reclamação dos fãs de super-heróis quando um herói se torna vilão. Mas quando um herói “se torna gay” caem feito abelhas no pote de mel das reclamações. Vou explicar: quando Hal Jordan se tornou o vilão Parallax, ele matou toda a Tropa dos Lanternas Verdes e destruiu a bateria central de Oa, impedindo (ou quase) de que novos Lanternas surgissem. Hoje, o fato é quase esquecido e não, ninguém da mídia tradicional noticiou esse fato. Por quê? Porque não tem relevância nenhuma. Ninguém foi ameaçado de morte por Hal Jordan ser vilão. Heróis, vira e mexe, se tornam vilões. Isso é uma coisa corriqueira.

Será que é realmente uma pergunta tão difícil de responder?
Será que é realmente uma pergunta tão difícil de responder?

Em 2012, James Robinson transformou outro Lanterna Verde, dessa vez, Alan Scott, o Lanterna Original da Era de Ouro, em homossexual. Peraí, transformou, vírgula. Ou, como diria Luciana Genro, transformou UMA OVA! Era um personagem totalmente novo de uma realidade/universo/dimensão totalmente diferente da tradicional. E sim, ganhou a atenção da grande mídia. Por que? Por que heróis gays praticamente não existem ou não tem relevância nenhuma. Um herói de grande escalão se tornar homossexual tem relevância social, sim. Pode mudar a mente de uma pessoa e passar a aceitar as diferenças.

É, Alan, ser gay fez um bem para o seu guarda-roupa!
É, Alan, ser gay fez um bem para o seu guarda-roupa!

Por isso a mídia, aberta, independente, que valoriza a melhora da sociedade, apoia as questões de gênero. E, caso você não saiba, as questões de gênero pipocam na mídia. Por quê? Porque dão audiência, meu filho! Por que isso faz você ficar grudado na televisãozinha porque não consegue entender os gays ou porque entende muito bem e os apoiam. O mesmo serve para as lésbicas, os trans, os bissexuais, e todas as minorias de gênero. Por quê? Porque isso envolve relações sexuais e se tem uma coisa que o ser humano tem o maior interesse e curiosidade de discutir, fazer e falar sobre é sobre o comportamento sexual de outro ser humano. E por que a mídia que audiência, hein? Pra ganhar mais anunciantes! Pra ganhar mais dinheiro! Talvez o segundo assunto que o ser humano tenha maior interesse em discutir, fazer e falar sobre, quiçá o primeiro. Não pense que a mídia é tão boazinha assim. Talvez por isso, a imagem que a mídia usou para divulgar o Lanterna Gay foi a de Hal Jordan, o mais popular entre ele, que não NÃO É GAY! Ou talvez porque o jornalista que fez a matéria estava com preguiça e pensou, “ah é só quadrinhos, eu não sei que personagem é, vou jogar no Google e ele vai me dizer”. Simples assim.

Os limites da ficção e da realidade!
Os limites da ficção e da realidade!

“Ah, é só quadrinhos!”, os fãs deveriam pensar mais essa frase quando se trata de personagens de quadrinhos, não quanto a mídia quadrinhos, pois essa sim, tem o poder. Mas um personagem, um super-herói, gente, sinto avisar vocês, mas ELES NÃO EXISTEM! ELES NÃO SÃO DE CARNE E OSSO! ELES NÂO VÃO TE DAR UMA CARONA NA SUA CAPA! ELES NÃO VÂO TE COMER SE FOREM GAYS! Entendido? Não adianta dedicar a vida a um personagem porque como aprendemos em O Inescrito, se não me engano no Volume 2, é que amar muito um personagem irrestritamente, e ainda confundir fantasia e realidade acreditando que ele está entre nós, bem, isso traz consequências terríveis. Ou a morte ou uma internação no manicômio.

Por que Deus? por que me fez gay? Certamente é porque eu tenho uma missão aqui nesse mundo: evangelizar!
Por que Deus? por que me fez gay? Certamente é porque eu tenho uma missão aqui nesse mundo: evangelizar!

Personagens, minha gente, são feitos para serem abusados. Eles não são pessoas reais. Eles não sofrem como pessoas reais. Eles são simulacros. Entendeu? De simulação! Por isso personagem de longa data como os super-heróis passam por transformações extremas: para se adaptarem à realidade e para agradarem ao público. Personagens são feitos gato e sapato por seus autores/editores/criadores porque é isso que a ficção permite: TUDO. Por isso é ficção. Se fosse na realidade, provavelmente existiriam algumas limitações. Mesmo Deus, que pode ser considerado por alguns nosso autor/editor/criador não faz tanta lambança com seus personagens quanto as editoras de super-heróis fazem com os seus. Mas isso eu não vou mostrar como, basta ver os filmes A História Sem Fim, Matrix, Mais Estranho Que a Ficção, O Show de Truman, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e tantos outros.

Sim! Sim! Sim! Esse é amor é tão profundo!  Você é minha prometida eu vou gritar pra todo mundo!
Sim! Sim! Sim! Esse é amor é tão profundo! Você é minha prometida eu vou gritar pra todo mundo!

Outro exemplo: o jogo The Sims. Jogar The Sims é brincar de Deus. É estar no controle da vida de pequenos seres humaninhos em que pode acontecer de tudo, ainda que com uma certa limitação própria do jogo. Lá, já pensou, se um ser humaninho atinge cinquenta pontos de socialização com um ser humaninho do mesmo sexo… bingo! Ele se apaixona. Ele é gay! Bingo! E isso não é um limite de jogo. Isso não é um limite da vida real. No jogo da vida real, você não perde se for gay. Talvez você não ganhe, até porque jogos como The Sims, não tem final. Talvez no jogo da vida real, você perca, e muito, sendo gay. Veja só quanta gente é contrária a essa condição, veja só quantos direitos são negados a um personagem gay. Se o jogo da vida real fosse um jogo mesmo, ser gay nos dias atuais teria dificuldade VERY HARD. E não é todo mundo que quer começar um jogo assim, podendo ser esfaqueado nas ruas, ameaçado de morte, tendo seus direitos de constituir família tolhidos, ser mal aceito pela família, pela sociedade, ser ridicularizado por respirar. Se nascesse antes dos anos 60, com a palavra homossexualismo em voga, em que “ISMO” significa doença, a pessoa seria levada a hospital e trepanada. Sabe o que é? Não, não tem nada a ver com sexo. Apenas sua cabeça era furada de lado a lado. Apenas.

Ser gay é enfrentar um chefão de fase por dia!
Ser gay é enfrentar um chefão de fase por dia!

De qualquer forma, jogar um jogo na dificuldade VERY HARD, é uma opção. Transformar um personagem em homossexual é uma opção editorial. Mas ser gay, lésbica, trans ou congênere no mundo atual NÃO É UMA OPÇÃO. O termo “opção sexual’ é uma balela. O certo é orientação sexual. Ou você acha que alguém gostaria, só pra ver como é, de ter de lidar num mundo dificuldade VERY HARD? Pode se dizer, então, se você acredita em Deus, que o jogador do nosso mundo quis assim. Ou que, uma das limitações do jogo, é que existam gays, para dificultar as coisas para os personagens. Ou para Deus não há limites? Se não, então ele quis assim, sim. Fazer o quê? Claro que seria mais fácil para quem é gay ir lá, escolher a opção EASY: heterossexual, cis, branco, loiro, de olhos azuis, rico, de alta escolaridade, que mora num país de primeiro mundo, super-herói de primeiro escalão da Marvel e/ou da DC Comics. Mas ninguém vive num videogame, sinto revelar. Ninguém vive num filme. E, por último, mas não menos importante, a vida não é gibi!

Agora você que é fã de super-heróis, de filmes, de games, mostre que tem algum resquício de superpoder, de dignidade e de valentia e vá defender os fracos e oprimidos como os gays, por exemplo, ao invés de chutar cachorro morto e apelar para uma abordagem que só dissemina mais e mais o ódio entre os seres humaninho.

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