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Eu me amarro na Mulher-Maravilha!

As muitas capas que mostram a Mulher-Maravilha amarrada! Sofredora Safo!

As muitas capas que mostram a Mulher-Maravilha amarrada! Sofredora Safo!

Mulher-Marvilha, símbolo do feminismo. Amazona guerreira que inspirou tantas mulheres. Dotada da força de Hércules e da beleza de Afrodite. Deusa da verdade. Dominatrix.

William Moulton Marston era um psicólogo que atendia crianças, assim como o famigerado Doutor Frederick Wertham. Marston, porém, era um libertário, não um conservador como o Senhor Caça Às Bruxas. Ele admirava os quadrinhos e em especial os de super-heróis, achava que haviam neles um grande potencial educativo e transformador para as mentes das novas gerações. Marston vivia com duas mulheres. Sim, ele era bígamo. Elisabeth Moulton e Olive Byrne. As duas, aparentemente conviviam normalmente, já que os filhos de ambas as mulheres foram criados juntos, se é que não participavam dos jogos sexuais na casa dos Marston. William Moulton Marston declarou o seguinte sobre as mulheres: “Nem mesmo as garotas querem ser garotas enquanto nossos aquétipos femininos se apresentam sem força. Não querendo serem meninas, elas não querem ser carinhosas, submissas e pacifistas como as boas mulheres são. As qualidades fortes das mulheres vêm sendo depreciadas por causa de suas fraquezas. O remédio óbvio é criar uma personagem feminina com toda a força do Superman somada à sedução de uma boa e bela mulher”. E assim se fez Suprema, a Mulher-Maravilha. Não é brincadeira, pessoal, esse era o nome que o psicólogo inventou para Diana no início de sua criação. Enquanto que no Brasil, seu primeiro nome foi Supermulher.

"Suprema? Pra mim isso é nome de sanduíche!"

“Suprema? Pra mim isso é nome de sanduíche!”

Marston também foi o criador do detector de mentiras, que consistia em amarrar um indivíduo à uma cadeira, interrogá-lo e ver, através de estímulos elétricos, se o sujeito dizia ou não a verdade. Talvez tenha sido a inspiração para a criação do Laço da Verdade da Mulher-Maravilha. É, meu filho e minha filha, não é nada por acaso. Esse Marston pensava em tudo. Eram frequentes nas histórias da Mulher Maravilha situações em que mulheres apareciam amarradas. Uma história curta de 1942 trazia 15 painéis com situações de bondage. Outra de 1948 continha 75 painéis com esse tema. Sua verdadeira contribuição aos quadrinhos, segundo o autor, era ensinar aos jovens a gostar de amarras.

"Não tenho pena de você, Mulher Maravilha" "Hahaha, Hera, seus poderes não fazem nem cócegas!"

“Não tenho pena de você, Mulher Maravilha” “Hahaha, Hera, seus poderes não fazem nem cócegas!”

No especial DC 70 Anos – As Maiores Histórias da Mulher-Maravilha, lançado pela Panini Comics isso pode ser perfeitamente verificado na história “A Corporação da Vilania”, publicada originalmente em Sensation Comics #28 (janeiro de 1942), o último número que trazia histórias da heroína. A história já começa com muitos vilões amarrados. Depois, apenas as garotas são amarradas,e como Diana tem pena delas, às envia para a Ilha da Transformação, uma ilha amazona onde os prisioneiros são obrigados a usar um cinturão que muda suas mentes. São obrigados a se tornares bondosos e gentis e a obedecerem TODAS as ordens das amazonas, SEM questionamento.Uma das vilãs escapa e se alia a diversas oponentes da princesa amazona também presas na ilha, como Giganta, a Dra. Veneno e a Mulher-Leopardo. Temos, então, uma sucessão de cenas em que a Mulher-Maravilha acaba subjugada pelas vilãs, tendo de realizar alguns trabalhos, como rebocar um navio, sob as ordens das inimigas. Em uma história de 25 páginas temos 63 quadros em que ao menos uma pessoa aparece amarrada. São laços, cordas, correntes, redes, gaiolas. Homens, mulheres, grupos de mulheres amarrados e subjugados. No final da história, as amazonas são salvas pelas prisioneira que realmente haviam se transformado, ou seja, seguiam suas ordens cegamente. Marston realmente dava seu recado.

Sofredora Safo! Sinto-me compelido a obedecê-la!

As mulheres são excitantes justamente por essa razão – esse é o segredo da sedução feminina – a mulher gosta de se submeter, de ser amarrada. Trago isso à tona nas sequências da ilha paraíso em que as garotas imploram por correntes e gostam de usá-las”, dizia nosso sadista escritor. Não passava nada mais do que uma relação de Mestre e Servo como diz a música oitentista do Depeche Mode, que tem uma versão muito legal com o Nouvelle Vague. “Ceder ao outro, ser controlado, submeter-se à uma pessoa, não pode em hipotese nenhuma ser agradável sem que haja um forte elemento erótico”, ele já ajeitava, ou seja, vendia erotismo para crianças. Talvez, Wertham estivesse certo sobre alguns subtextos sexuais nas revistas de super-heróis, mas não aqueles que ele gostava tanto de destacar, a homossexualidade. Seria Wertham um recalcado?

Moulton parece ter bastante experiência no que diz, por isso vivia não apenas com uma, mas duas mulheres bastante liberais e avançadas em seu tempo, prontas para serem o homem da casa. No final da história da Corporação Vilania, Hipólita, mãe de Diana conclui ao ver duas das vilãs capturadas: “A única felicidade verdadeira para alguém é obedecer uma autoridade benigna”.

Eu me amarro muito em tudo isso!

Eu me amarro muito em tudo isso!

O fato é que não, Marston não pretendia atingir o público feminino com a Mulher-Maravilha, mas fazer de seus leitores bondagistas e sadomasoquistas, uma vez que, feita uma pesquisa, 95% dos leitores da princesa amazona era meninos. Marston escrevia um manifesto feminista para meninos. Isso, garotos, deixem-se submeter pelas mulheres e deixem que elas os submetam, era isso que suas histórias diziam. Duvida? Deixo vocês com essa citação do próprio autor: “Dê a eles uma mulher encantadora, mais forte que eles, e então eles próprios (os leitores) se submeterão à ela, e serão orgulhosos de se tornar seus escravos voluntários”.

Steve Trevor deve lamber as botas da Mulher-Maravilha e, amarrado pelo Laço da Verdade, confessar todos os pensamentos sujos que teve com ela.

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