Entrevista, Eu e os Quadrinhos, quadrinhos, Quadrinhos Comparados
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O Mercado de Quadrinhos Pela Visão das Bancas

Entrevistamos dois donos de bancas (as bancas que costumo ir, claro) para nos contar um pouco sobre a visão do mercado de quadrinhos por parte de quem vende esse material todos os dias. O mercado de quadrinho está maior ou menor? Variedade também é sinônimo de aumento de vendas? Vamos falar sobre isso e mais um pouco.

As revistas de linha convivem com os encadernados de capa dura nas prateleiras da Banca Moinhos de Vento

As revistas de linha convivem com os encadernados de capa dura nas prateleiras da Banca Moinhos de Vento

Meus entrevistados foram Antônio Alexandre Fraga Braz, que tem sua banca desde abril de 1986, a Braz Shop – que é mais uma loja de revistas que uma banca propriamente dita –, e Gabriel Scur, dono da Banca Moinhos de Vento. A banca Moinhos de Vento possui por volta de 35 anos e Gabriel está com ela há 15. Ambas aceitam cartão de crédito/débito, uma prática que a maioria das bancas de rua não costuma ter. Eles também reservam as revistas e mantém clientes fiéis que vão toda semana, mês ou, como eu fazia uma vez, todos os dias na banca.

Alexandre nos conta que a mudança mais significativa vista por ele no mercado desses anos para cá foi uma abrangência maior de idade entre os leitores de HQs, antes restrita aos públicos infantil e adolescente. Gabriel reparou que existem ciclos no mercado de quadrinhos, que variam conforme a qualidade dos lançamentos e a política das editoras.

A Braz Shop Tabacaria fica na Av. Venâncio Aires, 1187, Bom Fim, Porto Alegre/RS

A Braz Shop Tabacaria fica na Av. Venâncio Aires, 1187, Bom Fim, Porto Alegre/RS

Os títulos que vendem mais nas bancas são os infantis como Turma da Mônica Jovem, como destacou Alexandre. Gabriel contou que os títulos da Disney estão tendo uma diminuição na procura. Ambos disseram que depois dos infantis, são as editoras Marvel e DC Comics os mais procurados.

As duas bancas têm apresentado, e tinham em suas prateleiras, muitas HQs em capa dura. Perguntado sobre a invasão dos quadrinhos de capa dura às bancas – um mercado de início restrito às livrarias por causa da maior circulação e do ISBN – Gabriel disse: “Vejo com bons olhos a edição de capa dura, mas com certeza ela compete com os gibis normais pois acredito que a verba do fã é limitada”. Alexandre conta que no início havia um receio das editoras quanto a colocar capas duras nas bancas porque o manuseio poderia prejudicar as revistas. Como as revistas são consignadas e precisam ser devolvidas, havia o medo que pudessem ser danificadas. “Por outro lado, atraiu um público casual que não compra gibis regularmente”, destacou Alexandre.

A Banca Moinhos de Vento fica na esquina da Av. Independência com a Rua Ramiro Barcelos, no bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre/RS

A Banca Moinhos de Vento fica na esquina da Av. Independência com a Rua Ramiro Barcelos, no bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre/RS

Gabriel diz que houve um aumento tímido nas vendas, mas que a variedade com certeza aumentou. Alexandre salienta que o fenômeno da Coleção de Graphic Novels da Marvel, pela Editora Salvat ajudou a aumentar as vendas porque pega não só o público corriqueiro das HQs de super-heróis, os colecionadores, como também as pessoas que começaram a ler por causa dos filmes ou que estavam afastados desse mundo por um motivo ou outro. Gabriel também acha que apesar de o público de HQ ser basicamente o jovem adulto, ser fiel e procurar não perder os números lançados, “naturalmente o problema é o grande número de lançamentos e o preço que acaba limitando as compras”. Ou seja, variedade pode, e ao mesmo tempo não pode, ser boa para o mercado do varejo.

Muitos gibis de super-heróis nas prateleiras da Braz Shop

Muitos gibis de super-heróis nas prateleiras da Braz Shop

Porém, vejo que as duas bancas possuem um público fiel de quadrinhos, que, provavelmente seja o mais fiel quando se trata da comercialização de periódicos. Alarmistas podem dizer que o consumo de HQs nas bancas está se extinguindo, mas acho que o mercado sempre encontra soluções, como o caso das edições da Salvat, que pelo bem ou pelo mal, acabam chamando público para outras revistas. Vale ressaltar que a Turma da Mônica Jovem, lançada em 2008 vende mais de 400 mil exemplares por mês. Eu gosto muito de comprar em banca e ver todas aquelas revistinhas expostas na minha frente, disponíveis para minha compra, ainda que muitas vezes eu não tenha dimdim para compra-las na hora. Claro que na minha última visita a essas bancas já cofrei alguns exemplares. Injustiça – Volume 03 e Universo Marvel #019 na banca do Gabriel e a juiz Dredd Megazine #020 na loja do Alexandre. E assim vai ser pelo menos enquanto eu conviver por essas bandas. 😀

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13 comentários

  1. Nossa, eu compro todos os meus HQs na banca Ricco Pane, em Sousas (Campinas). É uma banca bem tradicional na região de Sousas, pois está bem próxima da padaria mais famosa rs.
    Eu morei dez ano em São Paulo e eu senti que o relacionamento do cliente com o dono da banca não é o mesmo comparado a uma cidade do interior.
    Quando voltei a morar em Campinas, comecei a trabalhar em Sousas, e como vou sempre almoçar nessa padaria passei a conhecer a banca e o dono (grande Wagner).
    Até então eu estava habituada a comprar minhas HQs na Fnac ou em alguma livraria que eu encontrasse algo de um arco que eu estivesse acompanhando.
    O Wagner, dono da banca, rapidamente me conquistou como cliente!
    O atendimento é excelente, e o mais legal é que ele já conhece os meus gostos, e também tem tudo que eu costumo comprar anotado, e logo quando chega ele reserva pra mim.
    Realmente é um vício muito caro, mas eu tenho uma “continha”. Sim! Ele faz fiado rsrs, e as vezes me mima com brindes, afinal, ele disse que eu sou a cliente que mais fiel de quadrinhos, e ainda por cima, mulher, que foge totalmente do esteriótipo feminino.

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    • guilhermesmee diz

      É, Raissa, são essas que tu listou algumas das vantagens de se comprar em bancas do que nas grandes lojas tipo Cultura, Saraiva, FNAC, além de estar ajudando o comércio local. Gostei do teu relato! Abraços!

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  2. Eu costumo comprar na única banca da minha cidade, Guaíba/RS, e não tenho do que reclamar. É uma banca bem localizada, organizada e o atendimento é ótimo. A dona, inclusive, me liga para avisar quando algum exemplar que eu compro chega. Ela aceita cartões e, embora eu nunca tenha usado este artifício, a dona já me disse que eu podia “levar e pagar depois” se eu quisesse. No mais, a banca costuma receber de tudo, incluindo coletâneas, encadernados e caras edições de capa dura.

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    • guilhermesmee diz

      Que legal Sidney, mas sendo a única da cidade, tem mesmo que prestar serviço, hehehe. Curti o relato! Abraços!

      Aliás, quem mais quiser contar das suas bancas favoritas, deixa o relato aqui! Vai ser legal para enriquecer o post e para o pessoal que passa por aqui saber como funciona a venda de HQs em outras cidades. 😉

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      • Concordo, Guilherme! Rsrsrsrsrs
        Mas, por outro lado, por ser a única, poderia se “atirar nas cordas”, já que não há concorrência. Assim, fico contente por ela prestar um serviço de qualidade! 🙂

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  3. Israel diz

    Quando eu ainda tava em Salvador, costumava comprar sempre na Estação da Lapa. Bom atendimento, variedade. Como eu ainda era estudante, quando não tinha dinheiro deixava lá reservado pra pegar quando tivesse e não correr o risco de ser recolhida. Todo final de ano tinha brinde certo.
    Hoje, em Alagoinhas, uns 100 km de Salvador, costumo comprar sempre na Estação Rodoviária de Salvador, quando passo por lá e tb numa banca aqui da cidade. Na Rodoviária, encontro tudo, mas não tem a mesma aproximação de antes, até pq é meio que uma loja/livraria/banca. Aqui em Alagoinhas, não tenho o mesmo contato próximo.
    Vez ou outra ainda passo na Lapa, mas vejo que a variedade e o próprio movimento lá caiu muito. Um fenômeno que se mantém na cidade, onde as pequenas bancas somem e temos as grandes livrarias em shoppings.

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  4. Balbino Junior diz

    Eu moro em Campos dos Goytacazes, Cidade da região Norte do estado do RJ. Como aqui é tratado como não metrópole, acabam chegando atrasados muitas coisas, e o esquema daqui funciona da seguinte forma: Tem 4 bancas, duas no centro e mais duas em outro bairro próximo, sendo uma nessa bairro é a única que aceita cartão, logo dou a preferência nela e também porque sou amigo do dono, que já separou pra mim até quando a HQ iria ser recolhida e depois vem as outras, se não tiver corre pra Internet porque não vai chegar. Admiro quem compra em livrarias mas aqui o jornaleiro é o nosso amigo.

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  5. Jorge Nunes diz

    Eu moro em Florianópolis – SC e dificilmente compro HQs em bancas, em geral recorro a sites de livrarias ou especializados. Isso primeiramente por não ter nenhuma banca no bairro onde moro, o que me fazia ir em algumas perto da faculdade. Sendo que quase todas as vezes que recorri a uma banca procurando algum produto em específico não tive muita sorte, mesmo sendo a capital do estado alguns produtos chegam aqui com um certo atraso, o que deixa meio difícil saber quando se procurar caso não seja frequentador assíduo de bancas, mas principalmente pelo atendimento por parte dos donos das bancas, que em geral não sabem muito bem informar sobre o assunto, tendo mais de uma vez escutado “Não sei, os que tem são esses que estão ai” quando perguntei sobre alguma HQ. Emfim, atualmente só recorro ao ramo em última instancia.

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    • guilhermesmee diz

      Legal seu relato, Jorge. O negócio é encontrar uma banca ou estabelecimento que conheça as HQs. Não conheço nenhuma comic shop de Florianópolis, mas de repente nas Livrarias Catarinense não ajudaria a resolver esse problema? Abraços!

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  6. Eu moro em Marilia (interior de SP) e aqui na cidade não tem tantas bancas , mas tem uma banca loja chamada ( Vamos Ler ) frequento lá a mais de 8 anos e o pessoal lá e bem legal , teve até uma vez que o dono me chamou no canto do balção e me mostrou uma foto que ele tinha tirado em um prédio em NY onde eles tinham gravado uma cena do filme do Homem-Aranha , eu achei aquilo fantástico , eles aceitam cartão e tbm reservam as revistas pra mim , apesar que os especiais da panini (as vezes não chegam lá) eu pego nas lojas Online , mas não deixo de frequentar a velha e boa Banca de sempre !!!

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