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O Design da Capa do Herói #001 – Rian Hughes

Você não imaginava que por trás das capas de super-heróis que você tanto curte existe um profissional especializado para isso, não é mesmo? E é sobre isso que vamos falar aqui nessa coluna, chamada “De Carona na Capa”. Ela servirá para mostrar pra vocês esses designers que deixam as capas das suas revistinhas tão especiais e que fazem seus olhos brilharem na hora de comprar uma HQ.

COM VOCÊS: Rian Hughes

COM VOCÊS: Rian Hughes

Mas não vamos falar só de desenhos, ah, isso qualquer um fala. Vamos falar do processo de design por trás da capa. Letterings, logotipos, layout e sim, um pouquinho de desenho também. E para começar, vamos falar de um cara especial, o Rian Hughes.

Rian Hughes é um desenhista britânico muito famosos por seu trabalho para a revista 2000 a. D. em séries como Robo-Hunter e Dan Dare. Ele é um baita designer e trabalha com fontes de sua própria autoria, geralmente bastante inusitadas, deixando de lado as fontes prontas. Alguns dos clientes mais notáveis de Hughes, para além da indústria dos quadrinhos são a Virgin Airways, a BBC e a Penguin Books. Seu traço é versátil, mas é mais lembrado pela tendência retrô, pelos traços chapados e pela originalidade constante de sempre se reinventar.

A capa de The Invisibles#05

A capa de The Invisibles#05

Talvez o trabalho mais reconhecido do Hughes nos quadrinhos sejam os logos e designs de capas da série Os Invisíveis, de Grant Morrison. Aqui temos a capa de The Invisibles #5, repare no logo da série, ele não remete ao anos 60? E não é bem nessa época que começa a história de Morrison? E não foi lá que começaram os beats e a contracultura que dão o tom da série de os Invisíveis? Repare como ele lembra os cartazes de filmes de Alfred Hitchcock, que ficaram conhecidos no mundo inteiro graças a outro designer, Saul Bass. Não lembra a série dos anos 60, The Avengers – Os Vingadores?

Agora, falando da capa mesmo. Veja as fontes escolhidas: elas lembram tela de LCD, pixels, e o que os anos 90 foram senão uma explosão de pixels e as pessoas explorando o Photoshop de maneiras que deviam e que não deviam? Além disso elas trazem um quê da cultura punk que se estabelecia naquela época com bandas como Green Day e The Offspring, que faziam o tal punk limpinho. E veja como o código de barras se integra a imagem, lembrando um ingresso de show, não é mesmo? Porque a contracultura sempre esteve ligada à cultura pop, ou seria o contrário?

Seria a tangente da hipotenusa, ou o seno do cosseno?

Seria a tangente da hipotenusa, ou o seno do cosseno?

Agora repare que maravilha o trabalho de Hughes nas capas da Tangent Comics, da DC Comics. Pra começar o logo, mostrando bem a que veio e o que é uma tangente no sentido matemático da coisa. No sentido quadrinístico, a ideia da Tangent Comics era pegar o nome dos super-heróis e recriá-los a partir de seu nome, literalmente. Ou seja, a Flash desse mundo, tinha poderes luminosos. Os Demônios Marinhos eram, literalmente diabos do fundo do oceano e não uma patrulha de mergulhadores. Veja como todos os logos casam com as acepções dos personagens. Preste atenção no trabalho de fonte, logo por logo.

Pega na minha tangente e faz a raiz quadrada!

Pega na minha tangente e faz a raiz quadrada! (clique para ampliar)

Agora uma olhadinha nas capas em si. Veja como mesmo com uma identidade própria e individual, elas conseguem manter uma coesão entre elas. O fundo com linhas dinâmicas lembrando os animes e os mangás. As cores vibrantes, neons, típicas dos clubbers do final dos anos 90. Eu disse final dos anos 90? Pois é, e essas capas parecem tão atuais como se vendidas hoje. Perceba como todos os elementos estão em harmonia, os símbolos, os créditos, a numeração e a data e, claro, o nosso amigo código de barras!

Esse Tony Stark é um cara cabeça!

Esse Tony Stark é MESMO um cara cabeça!

E, para finalizar, o último exemplo do trabalho de Hughes. As capas do arco Stark Disassembled, de Invincible Iron Man. De novo trabalhando com cores chapadas, mas cada uma identificando uma edição e, dessa vez trabalhando com o capacete do Homem de Ferro como elemento de coesão. As transparências e as cores chapadas lembram filmes de ficção científica de futuros assépticos, como o THX, de George Lucas. Mas aqui o que importa mesmo é a cabeça de Tony Stark, já que todo o arco revolve em torno de recuperar o disco rígido que possui as memórias, ideias, enfim, todo o conteúdo cerebral de Tony. Enquanto Stark é operado, Maria Hill e Pepper Potts partem para resgatar a empresa e a inteligência do homem por trás do Homem de Ferro.

E assim finalizamos nossa primeira análise de um designer de capas de quadrinhos. Não posso deixar de dizer que essa coluna foi inspirada no blog do meu amigo Samir Machado de Machado, chamado sobrecapas. Ele trata disso mesmo, capas de livros. Dá uma passadinha lá, tá aqui o link!

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2 comentários

  1. Ótima matéria, Guilherme! Parabéns!
    Uma curiosidade: sabe se esse “Universo Tangente” chegou a sair aqui no Brasil? Eu, pelo menos, nunca vi. Lembro apenas de ter lido algo sobre ele na saudosa primeira fase da Wizard brasileira, o que me deixou bem interessado no material.

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    • guilhermesmee diz

      Valeu, Sidney! Salvo engano não saiu nada do Tangente aqui. Mas na revista Melhores do Mundo da Panini saiu uma história em que o Íon (Kyle Rayner) se encontra com alguns personagens desse universo. Abraços!

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