Chris Bradley e as Metáforas dos Anos 90 nos X-Men

X-Men Unlimited #08, a revista de A Dor de Uma Verdade
X-Men Unlimited #08, a revista de A Dor de Uma Verdade

Todo mundo sabe que mutantes são uma metáfora para minorias, mas o que nem todo mundo sabe é que existe uma história que reúne grande parte dessas metáforas. A história se chama A Dor de Uma Verdade, e foi publicada em X-Men Unlimited #08 (1995), [no Brasil, em X-Men #113, da editora Abril] escrita por Howard Mackie e desenhada por Tom Grummett e Ian Lawlis. Querem saber o que acontece? Me acompanhe!

Tudo começa com um dia comum na vida de Chris Bradley, ele conseguiu levantar cedo e pegar o banheiro antes de sua irmã, mas de repente, faíscas começam a sair de suas mãos e ele desmaia. Depois que um médico o visita, ele descobre ser mutante. Uma ruiva misteriosa começa a rondar sua vida e seu melhor amigo, depois de descobrir sua mutação, começa a evita-lo. Na escola depois de ter uma crise, com os poderes descontrolados, ele passa a ser achincalhado por ser mutante. E aí que surgem Gambit, Jean Grey e o Homem de Gelo, que o levam para casa e sugerem aos seus pais leva-lo para a Escola Para Jovens Superdotados do Professor Xavier.

Os poderes chocantes de Chris Bradley!
Os poderes chocantes de Chris Bradley!

Assim acaba a primeira parte da história. Podemos notar que o escritor Howard Mackie, famoso por criar o Motoqueiro Fantasma Danny Ketch, quis comparar a descoberta dos poderes com a adolescência, período em que os hormônios estão à flor da pele, e crescem pelos, espinhas, o corpo estica, encolhe e toma várias formas até se estabilizar.  Mas há mais analogias aí.

Depois de entrar para a Escola Xavier, Chris se sente à vontade, com novos amigos e distante dos amigos que o evitavam dizendo “Vai procurar sua turma!”. Ele começa a controlar seus poderes, sem ter mais crises e “surtos”. As metáforas aqui são duas, o “outing” dos homossexuais, em que depois de se sentirem “odiados e rejeitaram pela sociedade que juraram proteger”, começam a se sentir mais à vontade entre seus iguais e a encontrarem seu lugar no mundo. Mas também podemos comparar essa parte da história com as doenças mentais, os descontroles, os desconfortos, o afastamento dos amigos que não entendem o que a pessoa está passando, pois “não compreendem seus poderes”, mas com a ajuda de amigos verdadeiros, eles passam a se controlar e a viver normalmente convivendo com seus “poderes mentais”.

A descoberta do Vírus Legado.
A descoberta do Vírus Legado.

Já na terceira parte da história, depois de fazer um exame de sangue com o Fera, Chris descobre-se infectado com o Vírus Legado, um vírus que no princípio afetava apenas mutantes e depois começou a afetar humanos, condenando ambos à morte. Chris percebe que vai morrer em breve, mas que como o tratamento necessário pode prolongar sua vida. O final feliz é que a menina que ele curtia na escola se declara para ele e diz que quer namorar com ele, sem se importar se ele é mutante ou se contraiu o vírus.

Chris nos Novos Guerreiros: o primeiro da esquerda para a direita.
Chris nos Novos Guerreiros: o primeiro da esquerda para a direita.

No início dos anos 90, surgia o Vírus Legado, que era nada mais que uma analogia à AIDS, primeiro afetava mutantes (gays) e depois os humanos (heterossexuais). Era uma doença fatal, mas que no gibis não era sexualmente transmissível, mas sim, transmitida pelo ar. A primeira humana a pegar o Vírus Legado foi Moira McTaggert.

Mas a saga de Chris não acabou ali. Ele participou como sidekick das histórias solo de Maverick e depois fez parte de uma formação dos Novos Guerreiros como o herói Raio (Bolt). Depois ele foi aparecem em Arma X, no início dos anos 2000, numa trama rocambolesca em que assumia tanto as identidades de Maverick quanto de Arma Zero. Chris acabou se sacrificando para salvar os mutantes presos no complexo da Arma X, no final da série Weapon X. Chris foi interpretado por Dominic Monaghan, no esquecível filme X-Men Origens: Wolverine.

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6 Comments

  1. Época boa em que cada novo mutante descoberto era um evento e fazia vc se importar com seus destinos.
    Hoje são tantos, em 2 escolas cheias e mal consigo lembrar o nome de todos, quem dirá suas histórias.

    Outro fato é que com a saída de Xavier do núcleo central X, cada vez se perdeu mais esses momentos de aprendizado e aconselhamento. A única que poderia seguir esse caminho seria a própria Jean como vemos nesta edição. Não vejo nem o Ciclope atual ou o Wolverine, ou mesmo Tempestade desempenhando esse papel.

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