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Os 10 Comics Que Me Ensinaram a Escrever

É pessoal, listas fazem sucesso com todo mundo, mesmo que não concordem ou não gostem de listas, todo mundo quer saber o que elas contém. Essa lista de Os 10 Comics Que Me Ensinaram a Escrever dizem respeito os MEUS gostos, claro. Percebi que as minhas HQs preferidas de todos os tempos até então me ensinaram algo e, quase sempre relacionado a escrever. Por isso esta lista se chama assim. As HQs que mais me tocaram, me emocionaram, me influenciaram, enfim, que me provocaram alguma reação. As reações serão pautadas por gifs e teremos vários links para resenhas delas que já foram publicadas aqui.


  1. MULHER HULK (de Dan Slott e Juan Bobillo)

Eu me senti assim:

Sempre  traz um sorriso à minha face!

Sempre traz um sorriso à minha face!

Por quê? Caso você não saiba, antes de escrever o Homem-Aranha e o polêmico Homem-Aranha Superior e também muito antes da Mulher-Hulk, Dan Slott trabalhava nas revistas dos Looney Tunes, onde aprendeu a trabalhar seu humor afiado. Na suas histórias da Mulher-Hulk atravessamos o multiverso, nos encontramos com androides assustadores e boa-praças, acompanhamos Jennifer Walters defendendo super-heróis numa empresa de advocacia especializada em direito super-humano. E poxa, a HQ começa com Tubthumping, uma música que adoro na versão de Angus & Julia Stone, mas foi tema da esquecível Copa de 1998. Confere aí embaixo!


  1. A SAGA DE PROTEUS (de Chris Claremont e John Byrne)

Eu me senti assim:

Escrever é uma mutação! #soquenao

Escrever é uma mutação! #soquenao

Por quê? Foi lendo Marvel Saga #03, da Editora Abril que eu reparei pela primeira vez que os argumentos de Chris Claremont funcionavam como uma novelinha: ele plantava uma sementinha aqui que ia desabrochar em 20 números depois. Ele também dividia a história em subtramas, que corriam mais devagar que atrama principal e valorizava personagens secundários como a Moira McTaggert e Madrox, o Homem-Múltiplo. Assim eu aprendi que não devemos nos concrentra apenas numa trama só e que subtramas tem um efeito interessante para o leitor. Aliás até hoje não entendi por que isso nunca foi republicado em formato americano. Se bem que né, vamos combinar que X-Men não é muito favorecido no Brasil quando se trata de encadernados.


  1. LJA VERSUS VINGADORES (de Kurt Busiek e Gerge Pérez)

Como eu me senti:

Nós vos amamos Busiek e Pérez!

Nós vos amamos Busiek e Pérez!

Por quê? Já falei aqui que essa HQ, para mim, é a história em quadrinhos de super-heróis definitiva. Mas nela Busiek sabe trabalhar personalidades e a cronologia dos super-heróis também, fazendo uma bela homenagem às histórias do Universo Marvel e DC. Essa HQ me mostrou como se faz pra agradar ao público num trabalho tão difícil como esse de encaixar tantos personagens e personalidades diferentes numa história só sem destoar daquilo que é tão venerado pelos fãs.


  1. STARMAN (de James Robinson e Tony Harris)

Como eu me senti:

Dançando na biblioteca!

Dançando na biblioteca!

Por quê? Está aí outra HQ injustiçada no Brasil, que não entendo porque pessoal não compra de rodo. Poxa, aqui o James Robinson nos mostra como utilizar o ambiente para dar todo o clima da história. Jack Knight trabalha num antiquário e o escritor nos traz curiosidades sobre artefatos do passado, sempre fazendo um link com a história. Assim, Robinson nos ensina como a pesquisa é importante para construir uma história, mesmo ela se passando nos dias atuais. Mas ele usa a metáfora do antiquário para traçar a relação entre Jack e seu pai, Ted Knight, o Starman da Era de Ouro, que de certa forma também é uma coisa antiga, largada às traças, mas muito importante para quem a valoriza.


  1. SANDMAN: ENTES QUERIDOS (de Neil Gaiman, Jill Thompson e Vários Artistas)

Como eu me senti:

Bailando com as Estrelas!

Bailando com as Estrelas!

Por quê? Esse é o volume mais reflexivo de Sandman, com mais citações de ouro para serem retiradas, que eu compilei aqui e aqui, da tradução do Daniel Pelizzari para a Conrad. Sabe o que ele me ensinou depois fazer e fazer oficinas literárias que pasteurizavam a escrita e que tem por mote uma escrita precisa e sem personalidade? De que sim, é necessário divagar na escrita, porque são nas divagações que surgem nossas maiores pérolas. Claro, também não podemos escrever só divagações. Mas poxa, o que é a obra de Clarice Lispector senão divagação pura? Se você não divagar você sacrifica a personalidade da escrita, você sacrifica sua voz interna. E é exatamente sobre sacrifícios e sobre vozes internas que se trata Entes Queridos, talvez, inconscientemente Gaiman quis mostrar isso.


  1. Y: O ÚLTIMO HOMEM (de Brian K. Vaughan e Pia Guerra)

Como eu me senti:

Oi, oi, oooiii!!!

Oi, oi, oooiii!!!

Por quê: Você pode saber mais sobre essa história em quadrinhos clicando em três links: aqui, aqui e aqui. Basicamente a premissa é: o que aconteceria se você fosse o último representante do sexo masculino na Terra? Com essa HQ eu aprendi como capturar a atenção do leitor página por página, como utilizar os ganchos de uma edição para outra e como trabalhar diálogos sarcásticos e irônicos. Esse quadrinho também trouxe a cena mais triste de todos os tempos, só não chorei sobre o papel porque li em scan na época (não saia no Brasil).


  1. FLEX MENTALLO (de Grant Morrison e Frank Quitely)

Como eu me senti:

It's a loooong waaay doooown!

It’s a loooong waaay doooown!

Por quê? O gibi louco, louco, louco do Grant Morrison e do Quitely. É louco, mas você gosta, louco, louco, louco! Já escrevi sobre essa HQ em muitas oportunidades, como aqui e aqui e sigo escrevendo, viu? Você não podem me parar! Para verem como essa história me influenciou. Ela traz várias camadas de leitura e compara o crescimento de um garoto e suas criações com a evolução da indústria de quadrinhos de super-heróis nos EUA. Além de falar sobre criação e metalinguagem, assuntos preferidos de Morrisono, também lida com identidade, sexo e religião.


  1. WATCHMEN (de Alan Moore e Dave Gibbons)

Como eu me senti:

Eu tenho mãos! Eu tenho mãos!

Eu tenho mãos! Eu tenho mãos!

Por quê? Por falar em camadas, outra HQ que tem diversas delas é Watchmen. Mas claro, não comece por ela, vá ler depois de entender a mecânica dos quadrinhos. E também não seja preguiçoso e não vá ler só os quadrinhos, leia os apêndices também, porque são ESSENCIAIS para entender a história. Eu aprendi tanto, mas tanto com Watchmen, que quando li aos 14 anos ela foi tão mindblowing que mudou minha vida e meus conceitos interioranos e provincianos de vida. Passei a me questionar mais, a deixar de me achar certo em tudo que fazia, passei a dispensar as certezas e plantar dúvidas nas cabeças dos outros (meu irmão que o diga!). Mas Watchmen é uma HQ com tantas questões humanas, sociais, éticas e morais, que ela ensina mais que forma (os grids, as citações, as capas, os apêndices), ela ensina que arte, mesmo que uma marginalizada como os quadrinhos, não está aqui apenas para entreter, mas para trazer uma nova interpretação e incitar a busca por respostas dentro e fora da gente. Fica ligado que em breve vai sair um Splashpod sobre Watchmen. E aqui 20 motivos para ler Watchmen.


  1. DEMO (de Brian Wood e Becky Cloonan)

Como eu me senti:

Sou uma hipster poser!

Sou uma hipster poser!

Por quê? Isso que eu não entendo: por que raios essa HQ não foi publicada no Brasil AINDA? Ela é o suprassumo da HQ indie. Trata de histórias independentes sobre adolescentes/jovens adultos que estão deslocados, mas que por alguma razão possuem esses poderes extraordinários e ninguém parece notar. Fiz uma resenhinha dela há muito tempo atrás nesse link. Foi essa HQ que eu li e disse: quero fazer quadrinhos! E quero fazer quadrinhos bem do jeitinho desse aqui. Não por acaso meu gibi Fratura Exposta tem muito de DEMO.


  1. BONE (de Jeff Smith)

Como eu me senti:

Leite? Leite é para os fracos!

Leite? Leite é para os fracos!

Por quê? Essa é a HQ perfeita. Tanto nos desenhos como no plot. É linda. É amor. É tudo. E finalmente está saindo em português e colorida pela HQM Editora (se você correr ainda acha nas livrarias o volume 1 de 9). A saga de Bone nunca foi publicada no Brasil na íntegra, uma maldição estilo Preacher, mas a HQM promete que vai trazer todas e mais alguma coisa pra nosso deleite. Bone mistura aventura épica com personagens cartunescos, identificação com humor, J. R. R. Tolkien com Neil Gaiman, Tio Patinhas com Pateta e Mickey, feitiçaria com dragões, RPG com Moby Dick. E sai algo que é DEMAIS. Essa é simplesmente o quadrinho que eu mais desejava ter feito no mundo. Eu não ia perder se fosse você.


Ou seja amiguinhos: não venham com essa de eu já li muita HQ então já sei escrever. Não, é necessário ler uma HQ como um escritor.

Não é PRAYstation, é PLAYstation!

Não é PRAYstation, é PLAYstation!

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4 comentários

  1. Ótima lista. Não conheço todos, mas vou caçar. Eu incluiria Patrulha do Destino do Morrison e a Fase Claremont/Lee nos X-men. Homem Animal também do Morrison é coisa de doido.

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  2. ro301 diz

    Fogo você é mil! Não desista do blogue. É dificil ter publico até com lixo muito mais é com cultura. Mas o seu blogue para sempre será uma referência a ser consultada. Parabéns.

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    • guilhermesmee diz

      Obrigado! Sempre é bom ter um retorno dos leitores, e um retorno positivo sempre é um incentivo! Abraços!

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