Black Force: Os Heróis Negros da Milestone/DC Comics

Ícone, Audaz, Superchoque e Hardware.

A intenção era tentar expressar uma sensibilidade afro-americana em uma indústria cheia de brancos, mesmo aqueles bem-intencionados. Em 1992 foi criada a Milestone, uma empresa de quadrinhos com donos afro-americanos. No ano seguinte, através de um acordo, esses quadrinhos foram impressos e distribuídos pela DC Comics.

Os principais nomes por trás da Milestone eram o escritor e editor Dwayne McDuffie, o diretor de arte Denys Cowan (o criador de Blade, o Caçador de Vampiros) e o presidente Derek Dingle, todos negros. Duffie explicou o sentimento por trás da criação da Milestone: “Se você quer criar um personagem negro ou feminino, ou um personagem asiático, então eles não podem ser só um personagem. Eles devem representar aquela raça ou aquele sexo, e eles não podem ser interessantes porque tudo que eles fazem é representar uma quantia inteira de pessoas. Você sabe, o Superman não é toda a representação das pessoas brancas, e muito menos Lex Luthor. Nós sabíamos que tivemos de apresentar um número de personagens dentro de cada grupo étnico, o que significa que nós não poderíamos fazer só um gibi. Temos que fazer uma série de gibis e temos de apresentar uma visão de mundo que é mais abrangente do que qualquer mundo que vimos antes”.

Ícone, Audaz, Superchoque e Hardware.
Ícone, Audaz, Superchoque e Hardware.

O primeiro gibi da Milestone a ser publicado foi Hardware, em abril de 1993. Escrito por McDuffie, desenhado por Cowan e finalizado por Jimmy Palmiotti. Essa história foi publicada no Brasil na revista Black Force, da editora Magnum Force em novembro de 1997, quase quatro anos depois, portanto. Ela não era a história mais legal da revista, mas se tratava de um grande inventor que descobre que as patentes das suas invenções estão sendo vendidas por seu chefe. Para piorar, ele tabém descobre que seu chefe é dono de uma organização criminosa. Por isso, ele combate o crime como Hardware.

Talvez o gibi mais popular da Milestone era Ícone (Icon). Sim, também era o mais bem escrito conforme podemos conferir na primeira história publicada em Black Force. Ícone é um super-humano com uma origem muito parecida com a do Superman, mas que caiu na Terra na época da escravidão para uma família de negros. Ele é superpoderoso, mas é conservador e precisa ser convencido a usar seus poderes em prol do bem da humanidade. Quem faz isso acontecer é uma garota de quinze anos, que passa a se chamar Audaz e vira sidekick do herói. O interessante é que lá pela edição 3, Audaz engravida (não de Ícone), mas todos os problemas da gravidez adolescente passam a ser tema das histórias.

A Revista Black Force, da editora Magnum Force, publicada no Brasil em novembro de 1997, só teve uma edição!
A Revista Black Force, da editora Magnum Force, publicada no Brasil em novembro de 1997, só teve uma edição!

Por último, mas não menos importante, tem Static, o herói elétrico adolescente, que ganhou uma animação com o nome Static Shock, e no Brasil ficou conhecido como Superchoque. Embora o desenho seja muito popular e Superchoque ter ganhado uma revista própria no início dos Novos 52 da DC Comics, ela não passou do número 8, pois durante a curta nova vida da revista, seu criador, Dwayne McDuffie faleceu e teve de ser substituído às pressas pelo desenhista Scott McDaniel para concluir o arco.

Algumas capas números um das revistas da Milestone Media!
Algumas capas números um das revistas da Milestone Media!

Além de Static Shock, também no Universo DC foi incorporada a revista Xombi, que se tratava de um super-herói sobrenatural que teve muitos encontros com o universo dark da DC Comics. Esse título durou mais que Static Shock, ultrapassando as 15 edições. A Milestone também tinha os títulos Blood Syndicate, Kobalt, Shadow Cabinet e Daethwish. Alguns desses heróis se encontraram com a Liga da Justiça na época em que McDuffie escrevia as suas histórias e o brasileiro Ed Benes as desenhava. Isso foi publicado no Brasil por volta de 2008.

O importante é que a Milestone deixou a marca de que etnias e sexos diferentes do heteronormativo não devem ser tratados com reverência, exclusividade ou panos quentes, mas sim como pessoas como qualquer outras.

Para ler como a cor da pele é e era normalmente retratada nos quadrinhos clique aqui.

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