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Quadrinhos Baby-Boomers: Shazam! & A Sociedade dos Monstros, de Jeff Smith

“É hora das duas luzes. No pôr do Sol, o dia não acabou e a noite ainda não começou. As coisas estão incertas e os espíritos inquietos”. Esta é uma das frases que Jeff Smith insere em Shazam! & A Sociedade dos Monstros, uma obra que levou quatro anos para acabar. Misturar mistério, magia e infância é uma das características da obra de Smith, famoso mundialmente por sua epopeia medieval/animada/mística Bone. Isso ele traz belamente na HQ em questão, mostrando que é uma das maiores forças criativas dos quadrinhos americanos.

O Início!

O Início!

A ideia por trás de Shazam não é nada mais que o pensamento mágico que as crianças têm de como seria a vida se se tornassem adultos por um tempo, como no clássico filme Quero Ser Grande, com Tom Hanks. Billy Batson e o Capitâo Marvel ou o Shazam! tem uma relação diferente dos outros alter-egos de super-heróis. Billy seria uma espécie de sidekick, o companheirinho juvenil do herói. Mas nas HQs eles são a mesma pessoa. Em Sociedade dos Monstros, entretanto, as personalidade de Capitão e Billy são diferentes e um conversa com o outro. Quem serve mesmo de sidekick é a pequenina Mary Marvel, essa sim mantém personalidade e poderes ao mesmo tempo.

Billy é órfão e sempre foi retratado assim, desde sua criação nos anos 1940, passando por suas revitalizações em 1975 e 1993, nesta nova roupagem não seria diferente. Porém, o mundo se tornou perigoso e cruel demais e as crianças se mostraram mais frágeis do que se pensava que eram nos anos 1940, quando não existia nem pediatras, nem produtos especializados para as crianças. Isso só foi mudar com os baby-boomers e o pós-guerra. Então retratar hoje em dia uma criança órfã, abandonada e morando sozinha, por mais que seja rela é bastante chocante aparecendo em uma revista aparentemente voltada ao público infantil.

O anúncio da revista em questão!

O anúncio da revista em questão!

Por outro lado, Billy tem seus guardiões: o Mago que lhe dá poderes, o próprio Capitão Marvel e o Senhor Malhado, um mendigo de feições felinas que serve como mentor de Billy. A relação entre Mary e Billy também é bonita de se ver. O Capitão é o irmãozão mais velho que cuida da pequena e espevitada Mary.

A aventura da história não é tão criativa e os dispositivos usados na história não são tão incríveis, mas é muito fofinha e um bom entretenimento seja para adultos ou crianças. No enredo o Sr. Cérebro escapa de seu mundo por causa de Billy e começa a liderar a Sociedade dos Monstros, fazendo criaturas horríveis atacarem por toda a cidade. Até que uma criatura monstruosa e mecânica se estabelece no meio do parque da cidade, apavorando toda a população do município, levando ao Doutor Silvana agir. O Doutor, entretanto tem seus objetivos próprios, que envolvem capturar e subjugar Billy e Mary Batson.

Lil'Abner (Ferdinando) e Daisy Mae (Violeta), da Família Buscapé, com os Schmoos

Lil’Abner (Ferdinando) e Daisy Mae (Violeta), da Família Buscapé, com os Schmoos

A maior inspiração de Smith estão nos quadrinhos criados no pós-guerra, pois ele mesmo é um baby-boomer, nascido em 1960, quando as empresas começaram a ver na proliferação das crianças nos EUA como um sinal de lucro certo. Assim, os comics infantis se proliferaram. Algumas das inspirações de Smith são Peanuts – o Snoopy – de Charles Schulz; Pogo, de Walt Kelly e o Tio Patinhas, de Carl Barrks, todos daquela época.

Shazam! & A Sociedade dos Monstros, de Jeff Smith (Panini Books, 2015, 212 páginas, Tradução: Rodrigo Oliveira)

Shazam! & A Sociedade dos Monstros, de Jeff Smith (Panini Books, 2015, 212 páginas, Tradução: Rodrigo Oliveira)

Entretanto eu vejo outra inspiração em Jeff Smith, que talvez nem ele mesmo veja: Al Capp, o criador de Lil’Abner, aqui no Brasil conhecido como Ferdinando. Ele e os demais moradores de Brejo Seco, da série conhecida primeiramente como A Família Buscapé, foram um fenômeno nos anos 50 e 60 nos Estados Unidos, misturando a jequice inocente com a matutice esperta, um série que eu acho genial e imperdível. Os traços de Smith, principalmente nessa minissérie do Capitão Marvel lembram muito Al Capp, o Capitão Marvel é um Ferdinando cuspido e escarrado. Vale lembrar que os primos Bone também lembram bastante as criaturas Schmoos. Na série de Capp, os Schmoos eram seres de que se aproveitava todo o corpo, davam leite, ovos, lã, mel, e usavam até os olhos. Eram dóceis e domesticáveis, mas a ganância humana levou os Schmoos à extinção. Uma história que ainda vai servir de lição e ser atual por muitos e muitos anos.

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1 comentário

  1. Marcello diz

    Tenho essa HQ, comprei mês passado e gostei muito, A arte está em adequação com o personagem e tudo que ele representa. O Shazam, antes de qualquer coisa, é uma criança que recebe os poderes de um DEUS, mantém sua pureza e valores denotativos de um coração infantil.

    Curtir

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