10 Motivos para Você Conhecer Outros Selos da DC (e que não são Vertigo)

Sempre que querem lançar materiais diferentes ou para públicos específicos, as editoras recorrem aos selos. Assim se mantém independentes casa algum material falhe ou se revele um novo e rentável nicho. Foi o caso da Vertigo, o mais famoso selo de quadrinhos do mundo. Reinventou os quadrinhos e os apresentou para um público diferente dos então quadrinhos mainstream. Mas nem só de Vertigo vive (ou viveu) a DC Comics. Descubra aqui mais 10 selos da DC Comics que deram o que falar:

abccomicsABC COMICS: A America’s Best Comics ou ABC Comics foi originalmente um selo criado em 1998 por Alan Moore. A proposta era criar heróis baseados nos pulps – livros de aventuras, crime e horror do final do século XIX e início do século XX. No ABC surgiu a famosa Liga Extraordinária. Mas também surgiram Tom Strong, Promethea, TOP 10, Tomorrow Stories, entre outras novas criações do mago de Northampton. O selo foi criado para a Wildstorm, na época parte da Image Comics. Com a compra da Wildstorm pela DC, Alan Moore ficou mordido (como não poderia deixar de ser o final dessa história), e terminou os últimos arcos deixando os personagens em direito da DC (menos A Liga Extraordinária). Com a saída do barbudo, foram feitas algumas tentativas de revitalizar o selo, mas sem muito sucesso.


focusFOCUS: Lançada em 2004, o selo Focus queria apresentar seres superpoderosos em cenários mais realistas. Iniciou com quatro títulos: Hard Time, Kinectic, Fraction e Touch. Nenhuma das publicações conseguiria vendas expressiva. Somente Hard Time, de Steve Gerber, que retratava um psíquico enclausurado em uma prisão de segurança máxima, duraria mais de um ano. Segundo o editor Matt Idelson, “O conceito são poderes reais com pessoas reais”.


helixHELIX: Você acha que Transmetropolitan foi sempre sempríssimo da Vertigo? Bem, está redondamente enganado. Transmet começou em 1997 pelo selo Helix Comics. A intenção era usar a ficção científica como pano de fundo para diversas tramas. O selo não durou muito, praticamente um ano. Mas trouxe coisas como Michael Moorcock’s Multiversity, adaptado por Walt Simonson e John Ridgeway, e as minisséries Cyberella, de Howard Chaykin e Bloody Mary, de Garth Ennis e Carlos Ezquerra. As duas últimas foram publicadas no Brasil. Uma curiosidade sobre o selo é que no princípio, ele se chamaria Matrix, mas a estreia do filme The Matrix gorou tudo.


johnnydcJOHNNY DC: Johnny DC é/foi a linha infantil da DC, voltada principalmente para os licenciamentos de quadrinhos do Cartoon Network, dos desenhos animados da Hanna Barbera, como Scooby-Doo; desenhos da nova geração, como As Meninas Superpoderosas e Laboratório de Dexter; mas também para as versões em quadrinhos dos desenhos dos tradicionais super-heróis da DC. Essa linha, hoje, por exemplo, é publicada pela Editora Abril. Há uma história interessante por trás de selo. Durante um tempo Johnny DC foi um gimmick usado pela editora. Era um garotinho desenhado sobre o logo da “National – DC Comics – Superman”. Ele inclusive foi usado na história Sergio Aragonés Destrói a DC e se revelou como o vilão da história.


madMAD: Acho que a MAD é conhecida de todos aqui, mas se você não a conhece, aqui vai um pouco de história. Tales to drive you… MAD, foi criada por William Gaines, da EC Comics, uma editora de histórias de crime e horror muito popular nos anos 50. A MAD contava com grandes nomes da indústria e acabou revelando muitos outros, como Wally Wood, Al Jafee, Sergio Aragonés, Michael Kupperman, Peter Kuper, Harvey Kurtzman, entre muitos nomões. Mas a caça às bruxas dos quadrinhos do final dos anos 50 levou a EC Comics quase à falência, a MAD foi passando de mão em mão até que a DC (muito espertinha) comprou os direitos de publicação da revista. O resultado é que hoje nós podemos ver coisas da revista no programa MAD TV do Cartoon Network, como o célebre Spy vs. Spy.


milestoneMILESTONE: O saudoso Dwayne McDuffie, um dos responsáveis pelo sucesso dos desenhos Justice League e Justice League: Unlimited, era um dos cabeças da Milestone Media, ao lado do veterano Denis Cowan, Derek Dingle e Michael Davis. A intenção do selo era apresentar indivíduos que não tinham muita vez nos quadrinhos americanos, como heróis negros, asiáticos e/ou mulheres. Seus principais títulos eram Icon e Hardware (que chegaram a ser publicados no Brasil pela Magnum, na revista Black Force). Mas também tiveram destaque Xombi e Static Shock, que no Brasil ficou conhecido como Super Choque, que estrelava um desenho animado homônimo. O sucesso do adolescente elétrico fez McDuffie voltar para as HQs, tendo escrito uma fase em que a Liga da Justiça têm um breve e estranho encontro com os heróis deste selo. Durante Os Novos 52, Super Choque passou a fazer parte do Universo DC Regular, ganhando uma revista própria, que durou 8 edições e foi publicada no Brasil em um único encadernado.


minxMINX: Assim como a Milestone, a Minx também focava numa minoria, mas, por sua vez, queria atrair um público bem diferente para os quadrinhos: as garotas adolescentes. Mirando no sucesso de graphic novels como Persépolis, de Marjane Satrapi e nos mangás shojo que eram traduzidos para o inglês, a editora das lendas chamou muitos artistas importantes para desenvolverem graphic novels que apelassem para esse tipo de público. Muito belas visualmente, contaram com os talentos de Mike Carey, Alisa Kwitney e Joelle Jones, entre outros. Mas a única graphic novel que deu certo mesmo foi New York Four, de Brian Wood e Ryan Kelly (a mesma dupla de Local). A graphic de Wood e Kelly conta a história de uma garota que se muda para Nova York e lá se envolve com muitas tribos, até se estabelecer no apartamento que divide com as outras garotas. Uma sequência, New York Five saiu em 2011 e foi bem recebida pelo público e pela crítica, mas, dessa vez, o selo era Vertigo.


paradoxPARADOX: Quadrinhos para pessoas que não leem quadrinhos. Esse era o mote da Paradox Press, que foi uma revitalização do selo Piranha Press (ver abaixo). A publicação mais famosa da Paradox foi The Big Book of Urban Legends, uma coleção de quadrinhos de uma página que transformavam histórias do folclorista Jan Harol Brunvand, da Universidade de Utah em comics. Alguns dos desenhos eram produzidos pelo veterano Joe Orlando. Mas o maior trunfo da Paradox foi que rendeu duas grandes adaptações cinematográficas. A primeira, Estrada para a Perdição, de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner, virou filme com Tom Hanks. A HQ saiu por aqui pela Via Lettera. Já outro quadrinho do selo, Marcas da Violência (A History of Violence), de John Wagner e Vince Locke, virou filme do cultuado diretor David Cronenberg, estrelando Viggo Mortensen, o eterno Aragorn da Trilogia Senhor do Anéis. Marcas da Violência nunca foi publicado aqui. Se eu fosse editor, já teria feito.


piranhaPIRANHA: O selo que deu origem ao Paradox, publicou, entre outras coisas, Beautiful Stories For Ugly Children, que não era exatamente quadrinhos, mas prosa com belas ilustrações. Porém, o selo Piranha Press tinha um público muito estreito. Como definiu o editor da Paradox na época do lançamento do “novo” selo: “O que Era Piranha estava fazendo era apelar para uma parte muito limitada de uma audiência de quadrinhos já existente: pessoas que se vestem de preto e possuem tatuagens”. O selo Piranha também ajudou a alavancar a carreira independente de Kyle Baker, com o título Why I Hate Saturn (1990).


zudaZUDA: O Zuda era um selo de quadrinhos online, criado em 2007, pela DC Comics. Ao invés de páginas da web, ele usava Flash Player para rodar as histórias. Qualquer um poderia se inscrever no Zuda e publicar seus quadrinhos pela DC Comics, mas só continuariam no site aqueles que tivesse um número x de votos e acessos do público em geral. Os campeões de cada etapa virariam séries regulares da DC Comics. Bayou, de Jeremy Love, um dos vencedores, foi indicada uma das maiores graphic novels para adolescentes de 2010, pela American Library Association. Street Code ajudou a alavancar a carreira de Dean Haspiel. Hoje podemos ver seu trabalho ao lado de Inverna Lockpez em Cuba: Minha Revolução.


Claro, estes não foram os únicos selos que a DC tentou desenvolver. Hoje temos o selo Earth One, por exemplo, que reimagina os heróis da DC. Tivemos o selo All-Star, ou Grandes Astros, que não rendeu o que a editora esperava. Existiu o selo CMX para mangás americanos originais da DC Comics. O selo Impact! Para heróis adolescentes estilo Archie e sua Turma. Mas se formos analisar todos, passaremos muito mais dos 10. Os mais relevantes estão aí para você ler e conhecer e entender e ver e reler e espremer…

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