Joe Quesada: Dos Novos X-Men à Guerra Civil

Joe Quesada era, até alguns anos atrás, o grande chefe editorial da Marvel. Esse caminho veio de longe: desde que ele e Jimmy Palmiotti começaram na série independente Ash. O primeiro trabalho de Quesada para a Marvel foi o X-Factor de Peter David, tendo criado em conjunto com ele o personagem Random. Daí ele reinventou o Demolidor ao lado de Kevin Smith, na linha que ele e Pamiotti dirigiam dentro da Marvel, a Marvel Knights. A linha teve tanto sucesso em trazer de volta os heróis urbanos da Marvel, que logo ele era alçado a um dos grandes nomes da editora, se transformado no novo editor-chefe, ao lado do presidente Bill Jemas.

Joe Quesada, um dos responsáveis pela "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" da Marvel.
Joe Quesada, um dos responsáveis pela “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” da Marvel.

A época de Jemas e Quesada viu florescer coisas como a linha Ultimate, que trazia os até então desconhecidos do meio independente, Brian Michael Bendis e Mark Millar, hoje dois grandecíssimos nomes dos quadrinhos. Naquela época Grant Morrison escrevia os X-men. J. Michael Straczynsky, o escritor da série Babylon 5, era chamado para um longa run no Homem-Aranha. E muitas alterações foram feitas na Casa das Idéias.

Segurança Máxima: a mulher que cuida do shopping mais alta que tem... pera, não, a última megassaga da Marvel antes de Quesada.
Segurança Máxima: a mulher que cuida do shopping mais alta que tem… pera, não, a última megassaga da Marvel antes de Quesada.

Quesada não era um centralizador, era um agregador. Por isso, a última grande saga da Marvel antes da sua nomeação como editor-chefe foi Segurança Máxima, uma saga esquisita e que saiu toda recortada no Brasil, em que a Terra virava um campo de prisioneiros intergalácticos. No início da Era Quesada, os editores dos escritórios da Marvel eram livres para inventar o que quisessem para seus heróis. Por isso, enquanto Morrison estava comandando os X-men, Nova York foi destruída por Magneto e isso não reverberou em nenhuma outra revista da Marvel, muito menos a dos X-Men. Ao mesmo tempo, na revista dos Vingadores, comandada por Kurt Busiek em seu arco de despedida, Kang, o Conquistador dominava o mundo. Mas ninguém estava nem aí para isso nas outras revistas da Marvel.

U-Decide: Captain Marvel, de Peter David? Marville, de Bill Jemas? Ou Ultimate Adventures, de Joe Quesada?
U-Decide: Captain Marvel, de Peter David? Marville, de Bill Jemas? Ou Ultimate Adventures, de Joe Quesada?

A Marvel sempre teve a tradição de apresentar para seus leitores um universo compartilhado, ou seja, o que acontece na revista dos Vingadores tem resquícios na do Homem-Aranha. Ou ainda, uma história que começava na revista do Hulk ia acabar na dos X-Men. Esse modelo, mais tarde foi copiado pela DC Comics, mas que teve de usar muitos artifícios, como por exemplo, muitas Crises e Zeros Horas e Flashpoints, para consertar sua cronologia e universo compartilhado.

Com a saída de Morrison dos X-Men e a vinda de Joss Whedon, e após alguns experimentos estranhos como a competição U-Decide feita entre Jemas, Quesada e Peter David, a Marvel voltou a ser um universo coeso após a (esquecível) saga Dinastia M. Mas foi preciso a Guerra Civil de Mark Millar e Steve McNiven, entre 2006 e 2007 para consolidar essa coesão no Universo Marvel. Esse foi um dos maiores eventos da Marvel de todos os tempos, envolvendo praticamente todas as revistas da editora. Foi uma das megassagas mais bem-vendidas da Marvel e responsável por trazer muitos leitores de volta junto com o advento dos Novos Vingadores de Brian Michael Bendis.

GUERRA (Onde Já) CIVIL!
GUERRA (Onde Já) CIVIL!

Quesada, então reunia todos os heróis sob um mesmo guarda-chuva novamente, muito por causa da ajuda de Axel Alonso e Tom Brevoort. O primeiro vinha da Vertigo e o segundo era um experiente editor dos Vingadores. Hoje, porém, vemos algo inesperado acontece. A Marvel está voltando a se separar, mas desta vez, isolando Quarteto Fantástico e X-Men, conforme chegam as notícias que nos dizem que a Marvel proibiu qualquer merchandising feito sob as marcas fantásticas e mutantes. Não é o caso de opção editorial como no início da era Quesada e sim boicote aos filmes da Fox, que detém os direitos de filmagem sobre as marcas X-Men e Quarteto Fantástico. Dessa forma, a Marvel força a Fox a ceder seus direitos de filmagem ao Marvel Studios. Mas será que essa é uma boa estratégia? E será que a guerrilha é uma boa tática? Não para a opinião pública e muito menos para os fãs, que aprenderam a amar a Marvel como um universo coeso e com a cronologia intacta.

Agradeço ao amigo Wesley Rogério por suscitar essa discussão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s