10 Motivos, destaque, quadrinhos
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10 Motivos Para ir Além de Marvel e DC

Gibi Marvel e DC é legal, mas se você gosta de quadrinhos e quer explorar todo o potencial dessa mídia tem que desapegar de certas certezas, como por exemplo que Marvel e DC Comics são o melhor que as HQs têm a apresentar. Por isso, trouxemos dez motivos para você se convencer de uma vez por todas!

DCMroscha

  1. SAIR DO PRETO NO BRANCO

Os mundos dos super-heróis são muito preto e branco, muito maniqueístas, ou seja, ou se é mau malvado ou se é bom bonzinho, dificilmente existem os 50 tons de cinza ou a penumbra que a luz faz na sombra. Nos quadrinhos além dos super-heróis, existe a desconfiança, a incerteza, o desespero daquele personagem que você torcia tanto revelar lados que você talvez não goste tanto, mas que, tá, até que você entende porque ele é assim. Leituras como Juiz Dredd Megazine te deixam assim.

DCMbundy

  1. FAZER PENSAR MAIS

Não é incrível quando um escritor de super-herói coloca elementos diferentes na sua história, como por exemplo fez o Scott Snyder em Monstro do Pântano revelando muitas capacidades do reino vegetal. Ou quando Alan Moore e Neil Gaiman enchem suas histórias de referências, que, um dia você passando na rua descobre: “Ah, então foi isso que ele quis dizer!”. Ler é viajar, é descobrir o mundo. Não é só discutir spoiler ou quem é mais porradeiro. As graphic novels de Guy Delisle ao redor do mundo são um ótimo exemplo disso. A Arte, de Juanjo Saéz, nos apresenta a arte e nos leva a questionar e entender o que pode ser classificado como “ARTE”.

DCMporcoaranha

  1. OUTROS ESTILOS ARTÍSTICOS

Se você viveu na década de 90 deve saber do que eu falo. Naquela época todos os desenhos eram pasteurizados, todos queriam ser Jim Lee. A partir dos anos 2000 isso foi flexibilizado em DC e Marvel, principalmente com a chegada dos independentes e com as HQs se tornado mais noir. Mas mesmo desde os anos 60, os super-heróis tem aquela cara clássica que não dá pra reverter. Mas fugindo de Marvel e DC, a gente encontra traços muito diferentes, como a hiper-realista quadrinista erótica Giovanna Casotto, o estilo naïve de Marjan Satrapi, a sujeita e as pernas grossas das mulheres de Robert Crumb e assim em diante. Ver novas possibildades de desenhos não é achar bonito o que é feio, mas é como viajar para uma outra dimensão, que não é plana nem tridimensional, mas que tem uma camada a mais na estilização dos desenhos, que também ajudam, com seu estilo a contar uma história.

DCMlife

  1. O VERDADEIRO MUNDO REAL

É, todo mundo sabe que super-herói não existe, então vamos dizer que as suas histórias são escapismo e fantasia. Não que isso seja ruim, mas às vezes é bom se ligar no que aconteceu e acontece no mundo, até pra gente entender porque foi acabar nessa merda. Por que não fazer isso com quadrinhos? Tem muita coisa boa por aí, por exemplo as biografias. Tem sobre epilepsia, por David B., sobre pais, filhos e homossexualidade, por Alison Bechdel, tem sobre o holocausto e a segunda guerra por Art Spiegelman, tem sobre dividir a cama pela primeira vezs com uma garota, por Craig Thompson. Vai que numa dessa ajuda a você resolver sua vida? Ou pelo menos a vê-la de um ângulo menos complicado, né?

DCMsbang

  1. NARRATIVA OUSADA

Você acha gibizinho de super-herói o máximo quando o Scott Snyder vai lá e vira a página do Batman ao contrário, mas sinto dizer, isso não seria possível se a vanguarda independente não tivesse chegado antes. Gibis de super-heróis estão atrelados aos mercados, às decisões editoriais, não à inovação. A maioria das pessoas na Marvel e na DC não querem arriscar, elas querem mais do mesmo, elas querem o garantido e o que dá certo. Por isso se você busca coisas novas diferentes, intrépidas, ousadas, porque não dar chance a quem está começando, sem o cabresto dos anos e da frustração, gente como o novo quadrinho brasileiro. Eu, por exemplo indico o pessoal da Velociraptor Pirata e seu HUG, uma HQ linda que rompe narrativas.

DCMbarty

  1. TEMAS POLÊMICOS

Por estarem distantes do mercado pasteurizado e heteronormativo das grandes livrarias, os independentes e graphic novels chamam atenção por sua ousadia. Por exemplo quando a Marvel iria publicar uma revista falando sobre prostituição, como o Pagando Por Sexo, de Chester Brown? Ou a DC publicar a história de um psicopata necrófilo com desenho beem longe do padrão, como nos apresenta Derf Backderf em My Friend Dahmer? Ou então a relação sexual entre duas meninas menores de idade, como em O Azul É A Cor Mais Quente, de Julie Maroh?

DCMsuperpopo

  1. FOGE DA CULTURA AMERICANA

Não sei vocês, mas me irrita muito quando as revistas de super-heróis querem passar que a cultura norte-americana é a melhor, que os Estados Unidos são o melhor país para se viver e o Superman defende a verdade, a justiça e o MODO DE VIDA AMERICANO. Há muito tempo que DC e Marvel deveriam notar que suas publicações não servem apenas a um mercado local como o estadunidense, mas vão para muitos outros países ao redor do mundo. Lendo graphic novels, que são feitas no mundo todo, podemos sair do quadradinho americano da perfeição e das estrelas e faixas tremulantes para todo lado. Ou você nunca notou como aquela maldita bandeira está em tudo quanto é capa de super-herói? É, infelizmente supers são frutos da cultura americana…

DCMcartoon

  1. EXTENSA PESQUISA

Gente como Ellen Forney, que escreveu uma graphic novel sobre o seu transtorno bipolar, ou a própria Alison Bechdel, levam anos para compor suas obras porque pesquisam incansavelmente sobre o assunto para trazer aos leitores não apenas uma história interessante, mas bem embasada. Extensas pesquisas numa obra nos fazem pensar mais, refleti, ir além, nos tornam mais completos, mais satisfeitos do que aquele único “glimpse” que o autor deixa na revista de super-heróis.

DCMemoticon

  1. TRABALHO AUTORAL

Como eu disse, muitas vezes – e provavelmente a maioria delas – os autores trazem suas marcas pessoais para suas HQs, graphic novels, porque tiveram que bancar elas, então o esmero para realiza-las é ainda maior. O fato de ser um trabalho autoral também confere ao escriba o poder de colocar o que quiser ou não no quadrinho, com a possibilidade de agradar ou desagradar o leitor.

DCMposer

  1. PAGAR DE CULT

Sim! Na compra de uma graphic novel do Moebius, você ganha um vale para pagar de cult. Eu, pessoalmente, não curto Moebius, mas tem quem goste. Mas convenhamos, se cult quer dizer quem curte cultura, curtir gibis já é ser cult, sejam eles quais forem. Então, o que você tem a perder?

DCmsimpsons

Obrigado ao Sergio Vinícius por ajudar a elencar os motivos!

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5 comentários

  1. Eu comecei a ler HQs de supers à pouco tempo e já me sinto um pouco estagnado com tanta mesmice,como eu parti dos mangás para os comics sempre bem vindo a voltar à eles já que eles possuem mais carga autoral do que as comics isso para me livrar um pouco das repetições.
    Achei o post ótimo principalmente porque não gosto de clichês,vivo experimentando obras novas comos os recentes Webtoons coreanos;que fique de recomendaçao os proprios webtoons e algumas obras dos mangakas Inio Asano,Junko Mizuno e Junji Ito,pois sempre fico triste quando rola essas listas de recomendações e os mangás são expurgados delas,vocês deveriam dar mais chance à eles!
    Ps: jogue o nome da Junko Mizuno no Google Images e surte com a arte estupenda dela.

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    • guilhermesmee diz

      Muito bons os trabalhos delas, Rael, lembram a
      Tara McPherson. Mas realmente mangá não é meu forte, claro, que existem muitas coisas boas neles, com certeza, só não é meu metiê, heheh. Abraços!

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  2. Dá pra contar também o trabalho do Scott McCloud, pra quem quer entender o potencial dos quadrinhos como mídia, que é um trabalho teórico, mas que é hipnotizante pra quem já tentou fazer quadrinhos. Se posso acrescentar algo, é que o Watchmen, por exemplo, foi feito pra explorar o que essa mídia tem a oferecer de exclusivo, ou seja, não dá pra fazer narrativas daquele jeito no cinema e ter o mesmo efeito.

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