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Mulher-Maravilha: O Espírito da Verdade, de Paul Dini e Alex Ross

Viu essa cena? Chocante, não? Essa cena aconteceu durante o Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, em que estudantes fizeram diversos protestos contra o governo comunista e ditatorial da China. Uma cena muito parecida aparece em Mulher-Maravilha: O Espírito da Verdade, de Paul Dini e Alex Ross, publicada nos anos 2000. Essa cena é o ponto de virada do álbum.

O Espírito da Verdade, de Paul Dini e Alex Ross

O Espírito da Verdade, de Paul Dini e Alex Ross

Na primeira parte da história, a Mulher-Maravilha enfrenta dezenas de ameaças ao redor do mundo, sempre tomando o lado ofensivo da questão, até que ela se depara com uma cena como a de cima. Então, a amazona começa a questionar seus métodos e, para isso, se aconselha com o Superman. A Mulher-Maravilha pergunta a Clark por que ele se “veste” como um humano comum. Clark lhe explica que foi criado para ser uma pessoa que não diferencia uma ou outra e era como Clark sentia que deveria ser seu papel natural na existência. Diana resolve se imiscuir entre o povo, mas não desiste da luta. Como uma cidadã “comum”, vai desbaratando quadrilhas, enfrentando facínoras, libertando prisioneiros, protegendo o meio ambiente.

Então ela se dá conta de seu papel como embaixadora. Ela não era apenas a diplomata das amazonas no mundo dos Homens. Ela também era aquela que fazia o meio de campo entre seres superpoderosos e os humanos comuns. E nisso, ela também era a membrana que separava o bélico do pacífico. A guerra e a paz coexistiam em Diana.

Isso lembra duas historinhas que li na Mundo Bizarro, uma coletânea de artistas undergrounds que fizeram quadrinhos com diversos super-heróis da DC Comics. A primeira era sobre a Moça-Maravilha, que com seu laço da verdade fazia sua mãe, sua melhor amiga, seu namorado e até seu cachorrinho dizerem as verdades mais escabrosas sobre ela. Isso a deixava paralisada, mas também louca de raiva e com vontade de destruir todos. Eis que então ela achou que era bom seus amigos provarem do mesmo remédio. Colocou o laço em si mesma e foi dizer uma boas verdades para eles. Reparou que na verdade queria era estar junto com eles comendo um bom hambúrguer e umas batatas-fritas gordurosas. E foi o que ela fez.

Mundo Bizarro, de Vários Artistas

Mundo Bizarro, de Vários Artistas

Em seguida, numa outra história da Mundo Bizarro, a Mulher-Maravilha está com a Supergirl e a Batgirl em um restaurante árabe com dança do ventre. As três começam a fazer uma enquete entre elas para saber qual deveria ser o poder ideal. Começam, então, uma discussão. Para resolver tudo, resolvem perguntar a uma dançarina do ventre que está ali por perto. Ao que a saracoteadora responde: “A pessoa mais poderosa do mundo simplesmente não liga para o que pensam dela! Você acha que sou insensível? Gorda? Muito velha? Mesquinha? Esnobe? Tudo bem!!! Esse é o superpoder que eu quero! Viver sem medo! Esse é o superpoder absoluto!”. Esse é o espírito da verdade. É aquele que reúne as pessoas em um interesse em comum. Desvendar o mistério, ir um passo além, juntar as mãos em prol do bem comum. Unir nações, desfazer guetos, trazer a boa-nova, saúde, educação e desenvolvimento para os povos necessitados.

A Mulher-Maravilha, além de diplomata, é uma boa política, precisamos frisar isso nestes tempos eleitorais. Ela busca o bem comum e não os interesses da elite branca, masculina e heterossexual. Nesta eleição, temos pela primeira vez três candidatas mulheres à presidência do país. Isso é algo que não foi muito frisado pela mídia, e como essa coluna fala do feminino em primeiro lugar, isso deve ser destacado aqui. Vamos ver qual delas terá a força de super-heroína para fazer alguma diferença nesses tempos difíceis em que o mundo parece estar se enredando cada vez mais. Por fim, deixo vocês com a reflexão final de Diana em O Espírito da Verdade:

“Sempre que surgir a necessidade, eu serei a Mulher-Maravilha. E estou certa de que, muito em breve, o destino há de conspirar para criar outra terrível situação que apenas a Princesa das Amazonas pode enfrentar. Até lá, um novo papel me aguarda. O de mulher comum sem títulos ou trajes de gala, que se esforça para fazer o possível, armada apenas com um coração compassivo e a crença profunda na bondade das pessoas ao seu redor. Bondade por vezes oculta, mas sempre inerente. É o melhor para conquistar um lugar para mim no mundo dos Ho… no mundo humano.”

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Este artigo foi publicado em 2014 no site Terra Zero, na coluna Laço da Verdade.

5 comentários

  1. Diana S. diz

    Um ótimo texto! Sempre gostei da Mulher-Maravilha e embora só tenha conhecido um pouco mais sobre ela a partir da (ótima) animação da Liga da Justiça, desde muito cedo eu queria ser como ela. Agora gostaria de ir mais fundo e “O Espírito da Verdade” é a primeira leitura na minha lista!
    Aliás Guilherme, você teria mais algum bom título da Mulher-Maravilha pra me indicar?

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    • guilhermesmee diz

      Oi Diana! São poucos os títulos separados da Mulher-Maravilha, mas uma boa leitura seria o Mulher-Maravilha: Hiketeia, em que ela enfrenta o Batman. Também tem o início da fase de George Pérez com a Amazona (Deuses e Mortais), que você pode encontrar nos Maiores Clássicos DC #02 ou na Biblioteca Histórica DC. São ótimas pedidas e não precisa de conhecimento sobre a personagem para começar! Além, claro, de O Espírito da Verdade. Boa Leitura! Abraços! 😉

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