Grant Morrison Não Gosta dos Filmes do Batman de Nolan

E-V-I-L!

Agora é a vez do escocês careca Grant Morrisson de entrar na nossa lista de declarações polêmicas. Vamos ver quanta gente vem aqui me xingar dessa vez, como no post do Moore. Morrison declarou semana passada que não gosta dos filmes de super-heróis da Marvel nem dos filmes do Batman de Christopher Nolan, pois eles são militarizados demais. Vamos traduzir da Folha/UOL o que ele declarou para o site comicbook.com, durante a San Diego ComicCon International.

E o salário, ó...
E o salário, ó…

“Acho que os super-heróis (…) tem se tornado, de pessoas comuns que saem à noite para combater o crime, em agentes do complexo de entretenimento-militarista”, diz Morrison, “Os Vingadores trabalham para o governo e tem sido assim desde que Mark [Millar] apresentou Os Supremos. O Batman como visto nos filmes de Christopher Nolan e subsequentemente, é um soldado. Ele veste equipamento militar com seus aparatos e suas máquinas. Para mim, isso se tornou bastante reducionista. Seria uma maneira interessante de encarar por um momento, mas persistiu por tanto tempo que estou um pouco enfadado com a ideia de que o que os melhores super-heróis podem representar é alguma versão agressiva do setor militar”.

Tem alguém tomando sopa de cogumelo... DESSE cogumelo!
Tem alguém tomando sopa de cogumelo… DESSE cogumelo!

Vamos contextualizar. Como visto no filme Talking With Gods, sobre o próprio Morrison, ele viveu na Era Atômica e sua família, principalmente seu pai, tinha um medo terrível da catástrofe nuclear. Medo esse, que passou para seu filho imerso em toda aquela atmosfera de terror psicológico que foi a própria cultura de entretenimento da Guerra Fria. Depois, ele viveu os anos 80 sob a mão pesada de Margaret Thatcher que queria banir as liberdades individuais. Faz sentido que Grant Morrison seja contra o militarismo.

Mas não podemos negar que os super-heróis estão sim, em primeiro lugar ligados ao Estado. Vide Capitão América, o Superman que luta pela “verdade, justiça e o modo de vida americano”, os Vingadores ligados à SHIELD ou à ONU e tantos e tantos super-heróis que prestam continência à presidentes por anos e anos na História das histórias em quadrinhos.

"All by myself, don't wanna be..."
“All by myself, don’t wanna be…”

Em segundo lugar, super-heróis são armas. Armas humanas, assim como retrata tão bem Alan Moore com o seu Doutor Manhattan. Nada mais natural que eles sejam militarizados principalmente em um país como os Estados Unidos onde o comércio de armas é livre, a guerra sempre foi vangloriada, nunca viveu uma ditadura militar e que sempre lucrou com a guerra em outros países. Super-heróis são um produto americano, não escoceses ou brasileiros. Nada mais correto que fizessem jus à cultura belicosa dos yankees.

A cena que é A cena de All-Star Superman
A cena que é A cena de All-Star Superman

Para Morrison, os quadrinhos não devem ser conflituosos, mas inspiracionais, coisa que seu novo quadrinho, Avatarex, sobre lendas indianas vai proporcionar. “Eu retorno a uma cena de Grandes Astros Superman em que o Superman salva uma garota na beira de um telhado. Ao saber de garotos de verdade que deixaram de cometerem suicídio ao verem aquela cena, se tornou algo realmente significante para mim, você sabe? Aquilo me fez perceber que o Superman não precisa ser de verdade ou verossímil no intuito de proporcional uma mudança real”, disse Morrison, “Então esse trabalho é uma expansão daquele. A noção de que nós podemos fazer algo e os leitores podem comprar essa proposta, mas eu também sei que parte do dinheiro está indo para a caridade, está ajudando pessoas, está mudando vidas, está educando pessoas, está tirando garotas da pobreza. Me parece que a maneira mais valorosa de usar os super-heróis, é realmente torna-los úteis, do que apenas mostra-los lutando no próximo filme arrasa-quarteirão”.

Why so serious, Warner?
Why so serious, Warner?

Concordo em número, gênero e grau com Morrison nessa última citação. É melhor sairmos do cinema com vontade de mudar o mundo ou com a catarse de que o vilão morreu?  É melhor aprender uma lição para a vida ou torcer pra que o Thor ganhe no quebra-pau com o Hulk? Acho que as primeiras opções. Assim como falei que os quadrinhos nos ensinam a nos posicionar, também tenho noção de que os quadrinhos de super-heróis perderam aquela aura altruísta que tinham na Era de Ouro e na Era de Prata, tão venerada por Morrison. Isso é reflexo de um mundo cada vez mais conflitivo que vibra com armas gigantes, carrões estilo tanque do Batman, porradaria comendo solta entre os super-heróis, ao invés de se focar no lado humano das histórias. Esse lado sim, que promove a identificação no público ou naquelas pessoas que tanto criticam o humor nos filmes da Marvel Studios, coisa que a Warner Bros. proibiu nas suas películas.

“A noção que podemos fazer algo”, diz Morrison, que não quer deixar o trabalho pesado todo para super-heróis na imaginação das pessoas. Ele quer construir um mundo melhor, fazendo a sua contribuição da melhor forma que pode fazer: escrevendo quadrinhos.

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40 Comments

  1. e ele disse que acha os vingadores fascistinhas e que a MM está totalmente descaracterizada como a gado é um hater mesmo, sabe o que é pior? ele e o diddio proibem e punem artistas por comentarem qualquer coisa sobre a dc e warner, mas é um hipocrita vejam só

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  2. Acho muito bonito, acho muito válido etc, mas na boa eu não quero ver uma história inspiradora e comovente no cinema. Quero torcer pra quem ganha num quebra pau entre Thor e Hulk. rsrs
    claro que uma coisa não exclui a outra. Cinema é entretenimento. panfletagem demais estraga.

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    1. Eu quero! Pra ver porradaria entre dois machos seminus ou com roupa coladinha já tem MMA, luta greco-romana e sites gays de BDSM! Entretenimento também pode ser educativo. Até filme pornô, já pensou?

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      1. eu acho que dá pra ter ambos, uma luta legal enquanto se torce pelo herói e por um mundo melhor. depende de quem estiver escrevendo o bagulho. acho que pancadaria apenas é gratuito demais, mas ficar só no lance educativo tbm pode ser nocivo se vc não souber como tratar a coisa e descambar pra auto-ajuda.

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      2. É apenas usar a velha Jornada do Herói, em que o protagonista sempre volta com o elixir. Esse elixir, muitas vezes é uma lição de vida. Nada contra lutas, as adoro, mas…

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  3. Mesmo assim ainda está ‘incuntida’ nessas histórias (como a do Batman), o lado inspirador e altruista dos heróis. Como o fato de que por tráz da mascara do Batman existe uma cadeia de emoções, aspectos e atitudes humanas que por sua vez são simplesmente pensando em ajudar pessoas. Leve-se em conta que isso é o melhor em um ser humano, e temos a base de praticamente todo o pano de fundo ‘heroístico’, óbvio que há interesses que divergem disso nessas histórias e que trazer ação, porrada e etc são em parte pelo machismo impregnado nas HQs e em outra porque é inerente ao conceito. Quanto ao Morrison gostar ou não, ele faça o que bem entender é um direito dele.

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    1. Erick, é apenas um comentário de um cara que escreveu o Batman por muito tempo e foi aclamado pela maioria dos leitores por isso. Então é uma pessoa que conhece bem do riscado, que tem cancha e sabe do que está falando. Sim, existe esse lado nos filmes, apesar de parecer mais filme de vingança de gângster. Pra mim, esse Batman do Nolan é muito… ah sei lá, não gosto do Batman mesmo. Hahaha.

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  4. Como é que eu vou discordar do Morrison gente? Este cara falou tudo que eu penso e mais um pouco, porém isso não vai fazer com que eu pare de ver filme de super-herói, já é entretenimento rápido que nem faz pensar e ser cabeça o tempo todo cansa!

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    1. Morrison é bom. Assim como Moore é bom e até o Frank Miller é bom em certos casos. Mas eu não boto a minha mão no fogo por nenhum deles. Não ganho nada com isso.

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  5. Exagerou na conclusão.
    Ele disse que não gosta – de certa forma, com razão – do aspecto militar dos filmes, não que não gosta dos filmes em si. Em entrevistas anteriores o Morrison já citou os filmes do Nolan como a melhor representação cinematográfica do Batman, elogiando principalmente o segundo filme da trilogia.

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  6. “criticam o humor nos filmes da Marvel Studios,”
    Um filme de humor o que tem a ver com altruísmo e bondade?
    Capitão América é um soldado, ele mata
    Hulk é uma besta fera, ele mata
    Thor é um deus sem que não dá lá muita importância para a vida humana, ele mata
    Homem de Ferro é um construtor de armas, ele mata.
    Batman é um milionário esquizofrênico, ele mata ou deixa morrer
    A Mulher Maravilha é uma guerreira, ela mata
    O único super herói que se salvava era o Superman, mas ele é considerado ultrapassado por 9 entre 10. A Warner é uma empresa. Ela usa o nome Superman para ganhar dinheiro. Foda-se o que ele vai fazer ou não. Se ele é considerado ultrapassado, então ela o muda.
    O gênero super heróis morreu na década de 80
    O que temos aqui são super poderosos ou high techs que lutam contra ameaças e não santos e boas pessoas.
    Se você sente saudades da era de prata, é só assistir aos desenhos daquela época e ler as revistas

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  7. Liberdades individuais é um termo bem vago e pode significar qualquer coisa dependendo do ponto de vista teórico. Pode significar liberdade para fazer negócios e tratar de sua propriedade como bem entender. Liberdade de expressão. Liberdade para participar politicamente com igualdade de oportunidades para se expressar no fórum público. Liberdade de associação (que foi com o que a Thatcher ferrou ao sentar a porrada nos sindicatos). Etc.

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      1. Eu não estou defendendo a Tchather.
        Você leu o que eu escrevi? Ou entendeu ao menos
        Eu quis dizer que se você vai falar de liberdade individuais, você tem de definir o que quer dizer com isso, pois é um conceito vago

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  8. O Morrison é Megalomaniaco, ele escreve seus super herois de forma grandiosa como se fossem verdadeiro Deuses e não humanos, muito por isso ele não gosta do Batman do Nolan e o mesmo vale para os heróis marvel no cinema que são bem mais pé no chão do que Man of Steel por exemplo, mesmo o Batman do Morrison não era humano era algo sobrenatural, em uma Hq lembro dele usar um ponto de pressão que fez o Robin esquecer uma informação especifica, PQP, o Superman dele lia as informações de um pen drive com a visão, eu não gosto de como o Morrison escreve seus roteiros.

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    1. Quem disse que ele não gosta?
      Ele mesmo disse que gosta
      É o título da matéria que é mentiroso
      Ele critica o aspecto militarizado e fala de Avengers também
      Por que o cara só colocou o Batman lá em cima na chamada?

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  9. Legendary writer Grant Morrison (“Batman R.I.P.”, “Batman and Robin”) was quick to offer support for Nolan’s work on Batman Begins, The Dark Knight and The Dark Knight Rises, although warned that his love of the character may make him less… discerning than others:

    “I loved the recent Christopher Nolan stuff. For me that was the best distillation of Batman: it incorporated a lot of stuff that Denny and Neal had done as well, which was nice to see. And also Frank’s stuff. So I think he got it really, really, right. But as a Batman fan I like all of them, even those dumb [director Joel] Schumacher ones. No matter how many bullets you put into the guy, you can’t kill Batman.”

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  10. Existe algo de muito errado em uma matéria que chama “Grant Morrison Não Gosta dos Filmes do Batman de Nolan” quando o mesmo já disse publicamente que é muito fã do Batman do Nolan, a ponto de escrever em seu run do Batman a história da flor azul na montanha que foi criada anos antes pelo Nolan no Batman Begins. Se Morrison não gosta dos filmes do Nolan então porque até fez homenagens ao mesmo nos quadrinhos em que escreveu?

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    1. Valeu, Pedro! Sempre é bom receber feedbacks assim. Continue acessando o blog! Recomendo ir navegando pelos assuntos das tags na página inicial para saber mais sobre os itens q te interessam! Abraços!

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  11. Otimo texto! Nunca gostei do Batman mas adorei os filmes do Nolan, pq tornaram o personagem verossimel. Q os filmes tem uma tendencia fascista, isso é obvio, com Batman dando um pau na bandidagem, seguindo as proprias regras, quebrando leis, torturando etc. Mas no fim das contas, a critica ao “modo estadunidense” de resolver as coisas (ou seja, na porrada) tb está presente no segundo filme e reforcado no terceiro, com uma espec ie de sacrificio redentor, em q simbolicamente acabar com a propria vida é tb acabar com a vida de um agente de violencia. So nao tinha observado esse aspecto militarista nesses filmes. Qto aos Vingadores, ha uma critica tb à ideia do grupo como empregados do Estado em varios filmes da franquia. Tony stark se recusa a entregar a armadura ao Estado, o capitao america decide nzo receber mais ordens da shield etc. Porem, ha q se reconhecer q a nocao de sueerheroi em si eh meio fascista, é ilegal, é imoral, alguem decidir sair dando porrada em quem acha q merece levar porrada, em suma, os superherois sao criminosos. Portanto, avaliar cim tanto realismo a ideia de superheroi acaba tirando um pouco da graca da fantasia de alguem q tem superpoderes e salva o dia, ideia qestava la no inicio, no primeiro superheroi,o superhomem.

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