A Sexualidade do Deadpool e a Falta de Novos Personagens Gays

Roupa suja se lava em casa...

Sim! Existem muitos artistas que shippam Deadpool ou com Cable ou com o Homem-Aranha em suas fanarts. O “verbo” shippar significa aprovar o relacionamento, ou ainda, incentivar o relacionamento. O tumblr fuckyesdeadpool fez um artigo enorme e uma baita pesquisa de imagens e momentos nas histórias do Deadpool buscando provar que ele seria pansexual – pessoas que se sentem atraídas, por homens ou mulheres, sejam eles cis ou trans, casais ou grupos. Porém, no caso do Deadpool, o que os escritores queriam era dizer que  o termo significa uma pessoa que “come de tudo”, ou seja, homens, mulheres, animais, plantas, minerais. Pode ser atraída por tudo como o caso do famoso Serguei que ia no Programa do Jô e dizia que traçava árvores.

"Alguém andou pegando no meu Cable!"
“Alguém andou pegando no meu Cable!”

Gail Simone e o último escritor de Deadpool, Gerry Duggan, afirmavam que sim, ele poderia se sentir atraído por qualquer coisa mesmo. Mas seu criador, Fabian Nicieza disse que aquilo era um impropério e fez a seguinte declaração: “Desculpa, mas qualquer uma que escreva uma coluna tão longa para ‘provar’ a sexualidade do Deadpool não entende a sexualidade do Deadpool”. O escritor explicou então que o Deadpool é como é por causa de problemas mentais, muito devido à natureza de seu poder, que regenera células imediatamente. Isso aconteceria também com suas células cerebrais, uma vez que, ao ter células novas, sua orientação sexual poderia mudar. Nicieza então definiu Deadpool como generfluid, ou seja com gêneros fluidos.

"Quero ser a mulherzinha do Aranhaaaa!"
“Quero ser a mulherzinha do Aranhaaaa!”

Tudo bem, o Deadpool pode ser o quiser. Mas o que me irrita nessa história que sim, ok, é legal termos super-heróis saindo do armário como o Homem de Gelo, a Mulher-Gato, a Arlequina, a Hera Venenosa, o Deadpool e sabe-se lá quem mais vai sair do armário semana que vem. Só que as editoras estão fazendo um erro muito grande ao apenas pegar heróis e fazer a revelação bombástica de que eles tem outra orientação sexual. Assim é fácil: vende HQs, mas não constrói nenhuma história e pouquíssima conscientização popular.

Kit Kathy
Kit Kathy

A DC Comics começou isso muito bem com a personagem Batwoman, Kathy Kane, uma heroína que foi recriada do nada, já se envolvendo com outra notória lésbica do Universo DC, a Renée Montoya, que por um tempo foi a Questão. Só que depois o negócio foi degringolando, a heroína perdeu importância, perdeu seus artistas originais, e perdeu de se casar com a tenente Maggie Sawyer, seu novo interesse romântico, porque um fato desses iria contra a editora das Lendas.

Nada como deixar seu Ring Free. Free as a bird!
Nada como deixar seu Ring Free. Free as a bird!

O mesmo aconteceu na Marvel, mas com um herói bem meia-boca, que nem no Brasil saiu. Era o Freedom Ring – numa tradução literal, o Anel da Liberdade, que nominho, hein?! –, criado por ninguém menos que Robert Kirkman, de The Walking Dead. Ele era publicado na revista Marvel Team-Up, sua identidade secreta era o adolescente Curtis Doyle que, através da posse de um fragmento do cubo cósmico em forma de anel, decidiu lutar contra o crime com seus novos poderes capazes de alterar a realidade. Entretanto, na edição seguinte o herói foi morto, o que levou Kirkman a ser acusado de homofóbico por alguns reviews. Depois de um temo refletindo sobre suas escolhas como escritor, Kirkman declarou o seguinte:

Robert Kirkman: homofóbico ou mau-informado?
Robert Kirkman: homofóbico ou mal-informado?

“Francamente, com tão POUCOS personagens gays nos quadrinhos em geral, e o quão infelizes as retratações desses personagens têm sido até então, seja intencionalmente ou não – eu entendo completamente o revertério sobre a morte do Freedom Ring, apesar das minhas intenções. Se eu tivesse que fazer aquilo de novo… Eu não o mataria. Me arrependo disso cada vez mais conforme o tempo passa. Eu acabei com o quê? [sic] 20% dos personagens gays na Marvel ao matar esse ÚNICO personagem. Nunca tinha levado tudo isso em consideração enquanto estava escrevendo”.

Roupa suja se lava em casa...
Roupa suja se lava em casa…

Essa reflexão de Kirkman é importante, porque se pegarmos personagens gays surgidos nos anos 2000, poderemos perceber que a maioria deles acabou morta ou ferida/incapacitada de alguma maneira. É o “mito da bicha trágica”, que alguns estudiosos da literatura queer/gay estabeleceram como um cânone quando se trata desses personagens como protagonistas. Por isso, a grande exceção ainda são os gloriosos Hulkling e Wiccano, dos Jovens Vingadores, que apesar dos pesares não são gays trágicos, são gays que encontraram a felicidade e seu lugar no Universo Marvel e no coração dos fãs.

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