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Os Fãs do Marvel Studios Devem TUDO a Brian Michael Bendis

E aí, tudo Bendis?! Esse ano, Dinastia M faz 10 anos. Se você não sabe o que foi Dinastia M, eu explico: foi um evento que reuniu X-Men e Vingadores nos quadrinhos, em uma história em que a Feiticeira Escarlate recriava toda a realidade. O evento envolvia diversos tie-ins, ou seja, revistas onde se passava parte da história, espalhando seus conceitos, geralmente sob o ponto de vista dos personagens no título do gibi. O mundo criado pela Feiticeira Escarlate era um local onde os mutantes eram maioria e sobrepujavam os humanos. Magneto era uma espécie de rei e a Feiticeira, vivendo um sonho de Elza, era a princesa. Lá, o errado era ser humano, que eram perseguidos. Já os mutantes eram uma elite que governava. Foi com o fim de Dinastia M que a população mutante foi reduzida a 198 indivíduos. Mas a maior revolução não se deu dentro do gibi, mas sim, fora. Lá nos bastidores da Marvel.

Não fica triste, Matt, a Elektra volta. É Marvel!

Não fica triste, Matt, a Elektra volta. É Marvel!

NÃO É BRINQUEDO, NÃO!

No final dos anos 90, a Marvel quase foi à falência, se não tivesse sido comprada pelo magnata da indústria de brinquedos de ação, o israelense Avi Arad, dono da Toy Biz, que, por acaso licenciava os bonecos da Marvel. Com Bill Jemas na presidência e Joe Quesada como editor-chefe, a eempresa começou a se revitalizar investindo, agora, na qualidade de seus roteiros. J. Michael Straczynski, criador de Babylon 5, escrevia Homem-Aranha; o superstar Grant Morrison escrevia X-Men; o escritor de horror, Bruce Jones, escrevia O Incrível Hulk; Kevin Smith, diretor de cinema, era responsável pelo Demolidor; e o premiado Garth Ennis fazia uma fase espetacular no Justiceiro.

Eis que Quesada e Jemas, além de quererem histórias independentes e se livrarem dos crossovers e ventos de verão, também queriam criar uma linha nova, para leitores do novo milênio, com novas origens para os super-heróis, para os leitores novos não terem de enfrentar 40 anos de cronologia. Surgia então o Universo Ultimate, capitaneado também pelos escritores novatos, porém muito promissores, Brian Michael Bendis e Mark Millar. A roupagem era mais indie, as histórias eram mais lentas, o Peter Parker era mais a ver com os nerds dos anos 2000, os X-Men vestiam roupa de couro como no filme que estreara um ano antes.

A Queda... do salto, do prédio, da bolsa, do pau, mas não dos Vingadores. ô nominho idiota!

A Queda… do salto, do prédio, da bolsa, do pau, mas não dos Vingadores. ô nominho idiota!

REI MORTO, REI POSTO.

Quando foi a vez do Cabeça de Teia ganhar seu filme próprio, em 2002, os produtores, diretores e roteiristas resolveram se espelhar em quem? Naquele Aranha da linha Ultimate, que era um fenômeno de vendas. Logo, por essa razão, Bendis se tornou escritor do Demolidor, e foi um sucesso também. Logo, ele estava criando uma série adulta para outro novo selo da Marvel, o MAX, e criava Jessica Jones na série Alias – nenhuma relação com o seriado de Jennifer Garner. Então, dali para a revista dos Vingadores que amargava de baixas vendas nas mãos de Geoff Johns, foi um pulo.

Quando assumiu a equipe, em 2004, Bendis tratou de desfazê-la. A Feiticeira Escarlate enlouquecia ao saber que seus filhos gêmeos com Visão eram pura criação da sua magia. Tudo acaba na morte de quatro membros da equipe: o Homem-Formiga Scott Lang, o Valete de Copas, o Gavião Arqueiro e o próprio Visão. Essa saga ficou conhecida como Avengers: Disassembled, uma gag com o grito de guerra da equipe, “Avengers, Assemble!”, ou “Avante, Vingadores!”. No Brasil ficou com o preguiçoso nome de Vingadores: A Queda. Com o final da velha revista dos Vingadores na edição 500, surgia uma nova revista dos Heróis Mais Poderosos da Terra, chamada Novos Vingadores. Com heróis novos e outros nem tão novos assim.

Liga pra mim, não não liga pra ele..

Liga pra mim, não não liga pra ele..

POR UMA LIGA DA JUSTIÇA DA MARVEL

A intenção era trazer para a Marvel uma equipe tão forte em popularidade como a Liga da Justiça de Grant Morrison era nos anos 90. Por isso, os personagens mais queridos dos fãs à época, Wolverine e Homem-Aranha, foram adicionados à equipe. Junto a eles havia os tradicionais Homem de Ferro e Capitão América; os antigos, porém não-vingadores Luke Cage e Mulher-Aranha; o novo-mas-nem-tão-novo-se-olharmos-a-cronologia-mas-não-a-data-de-criação-é-uma-história-complicada Sentinela; e o misterioso Ronin. Com isso a Marvel tinha pesos pesados que facilmente venderiam que nem água.

Foi o que aconteceu. Assim, em 2005, Bendis teve carta branca para fazer o primeiro evento de verão interligado da Marvel desde 1999, com Segurança Máxima (que foi um fiasco). O novo evento era Dinastia M.  É bom lembrar que Dinastia M também foi calcado em um grande evento do Universo dos X-Men dos Anos 90, a Era do Apocalipse. Esse eveto, também muito popular, era cheio de tie-ins e também mostrava eventos ocorridos em uma realidade alternativa. A proporção de Dinastia M, entretanto, abrangia TODO o Universo Marvel. A primeira edição de Dinastia M vendeu mais de 233 mil cópias.

Break on though to the other side..

Break on though to the other side..

BEE THE BUZZ

Bendis prometeu em Dinastia M uma cena que iria “quebrar a internet ao meio!”. E foi o que aconteceu: na época pré-facebook os fóruns de quadrinhos se encheram de comentários falando do retorno do Gavião Arqueiro da morte. Alguns desses comentários estavam elogiando o escritor, mas A MAIORIA xingando muito no twitter a atitude de Bendis, inclusive no site e fórum do próprio autor, um dos primeiros a saber usar o buzz da internet a seu favor.

Por causa de Dinastia M, Mark Millar foi, posteriormente, escrever outro evento ainda maior, chamado Guerra Civil, que foi um sucesso também ainda maior e envolvia um número também maior de revistas relatadas à história. Muitos fãs antigos, desiludidos com o tratamento dado às revistas no final dos anos 90 e início dos 2000, voltaram a ler Marvel por causa dessa saga.

TAPA tudo por dinheiro!

TAPA tudo por dinheiro!

TAPANDO O SOL COM UM TAPA-OLHO

A Marvel, vendo o sucesso de filmes de super-heróis e dos Vingadores nos comics, resolveu reter os direitos de filmagens dos Vingadores consigo – menos do Hulk, que já pertencia à Universal Studios. Em 2008 surgia o Marvel Studios. Seu primeiro filme foi Homem de Ferro, que foi um sucesso imediato, na esteira do filmes do Homem-Aranha. Uma da maiores bilheterias da história até então, segundo o IMDB. Mas aquele filme revelava ainda mais: ao seu final, uma cena extra mostrava Samuel L. Jackson de tapa-olho convidando Tony Stark para uma tal Iniciativa Vingadores. Na minha sessão do filme no cinema, o público até vibrou quando ouviu e viu a combinação de Jackson com Vingadores.

Se eu preciso explicar, o personagem que Jackson interpretava era Nick Fury, o chefe da SHIELD, uma espécie de OTAN do Universo Marvel, mas que também mistura CIA e FBI e, se você quiser, também a INTERPOL, a Scotland Yard, a KGB, o Mossad e até a ABIN. Enfim, o fato é que os Vingadores, da linha Ultimate, os Supremos, eram liderado por ele. Escritos por Millar e desenhados por Bryan Hitch, o artista usou atores hollywoodianos como referências. Assim como Nick Fury virou Samuel L. Jackson, o Gavião Arqueiro era Kevin Costner.

"É meu!" "Não, mona, é meu!"

“É meu!” “Não, mona, é meu!”

QUERO INICIATIVA! (E UM POUCO DE HUMOR)

Um convite à Iniciativa Vingadores a Tony Stark era sinônimo de um universo compartilhado e coeso no cinema. Uma coisa inédita até então, pelo menos nas proporções que a Marvel planejava. Assim como nas revistas da Marvel, o que acontecia num filme afetaria o outro, como um grande gigantesco e colossal mega seriado que a gente assiste no cinema de ano em ano. Ou seja: lucro certo! Ou seja: fãs satisfeitos. Ou seja: Warner Bros. e DC Comics correndo para imitar a estratégia.

Então, amig@, se você está tod@ felizinh@ com o filme do Capitão América que vem aí, mostrando uma luta sem precedentes entre fações de super-heróis, você precisa agradecer ao careca de Cleveland, o Senhor Brian Michael Bendis! Morda a língua pra falar mal dele na próxima vez. Beijinho no seu ombro carregado com uma submetralhadora sobre sua armadura prateada. :*

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