Stephen Spielberg: “Os filmes de super-heróis estão destinados a acabar como o faroeste”.

Spielberg dando uma de Vingador já que não dirigiu nenhum filme de heróis...

O premiado diretor favorito dos fãs Stephen Spielberg, de E.T. – O Extraterrestre, Jurassic Park, A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, comparou a onda de filmes de super-heróis com os cultuados filmes de faroeste. Ele disse que se trata de mais uma “marolinha que não vai virar onda”, para ficarmos em termos atuais, e que os super-heróis acabarão no ostracismo como o faroeste. Pelo menos a nível de cinema.

“Agora os filmes de super-heróis estão vivos e empolgantes”, ele declarou à Associated Press essa semana, “Nós estávamos por aqui quando o faroeste morreu e haverá um momento em que os filmes de super-heróis seguirão o caminho dos westerns. Isso não quer dizer que não haverá uma outra ocasião que o western voltará e que os filmes de super-heróis retornarão algum dia. Só estou dizendo que esses ciclos tem um tempo finito na cultura popular. Haverá um dia em que as histórias mitológicas serão suplantadas por algum gênero que um jovem cineasta estará apenas prestes a revelar para nós todos”.

O primeiro - mas não único - X-Men: O Filme.
O primeiro – mas não único – X-Men: O Filme.

Spielberg não é o primeiro que vem falar de ciclos. Desde as teorias dos ciclos econômicos de Mensch sabemos que a indústria cultural e a economia cultural vivem de ciclos. O próprio Mark Millar, lá pelos anos de 2005 previa um colapso na indústria de quadrinhos, para depois se reerguer. Sabemos que tudo que data 13 anos se torna vintage. Então, a onda de filmes de super-heróis são vintage se contarmos X-Men – O Filme como início dela, em 2001. Porém, o gênero faroeste durou mais do que isso – quase cinquenta anos – desde os anos 20 até quase os anos 70.

Esse homem... Esse monstro! Esse herói do faroeste... Esse super-herói!
Esse homem… Esse monstro! Esse herói do faroeste… Esse super-herói!

O premiado cineasta judeu também não é o primeiro a comparar os super-heróis com faroeste. Logo quando foram criados, os heróis da Marvel foram comparados com os anti-heróis do faroeste: cheios de defeitos, porém carismáticos e críveis. Também existe o maniqueísmo de mocinhos versus índios e de heróis versus vilões, que acabam simplificando a visão de mundo do público em geral e dos conflitos ao redor do globo.

Porém, precisamos ver que faroeste e super-heróis fizeram caminhos inversos. O faroeste surgiu nos pulps e nos cinesseriados e depois se espalhou para os quadrinhos – como uma forma de tampar o ralo aberto deixado pelos super-heróis após a caça às bruxas nos anos 50. Os super-heróis sempre foram associados aos quadrinhos, que publicou matérias à rodo com eles. Mais de cinquenta anos depois de terem sido criados, que, aí sim, os super-heróis foram se popularizar nos cinemas e nas séries de TV graças aos avanços dos efeitos especiais.

Far, very far, farwest...
Far, very far, farwest…

A qualidade dos filmes de super-heróis aumentou 100% se compararmos com os filmes dos anos 80 e 90 – o embrião do gênero. Já as películas de faroeste demoraram um pouco mais para produzir suas pérolas do gênero, como os filmes de John Ford, Sergio Leone e Sam Peckinpah. Estes últimos apareceram a partir dos anos 50, enquanto o primeiro western, O Grande Roubo do Trem, data de 1903. Cinquenta anos, o mesmo tempo de evolução que a mídia quadrinhos demorou para se tornar algo sólido nos cinemas.

Apesar de os filmes de super-heróis serem uma fórmula pronta para Hollywood ganhar dinheiro, muitos foram contra ela e testaram novas formas de agradar ao público. Exemplos são o abandono de Edgar Wright da produção de Homem-Formiga, o filme “catástrofe” do Quarteto Fantástico proposto por Josh Trank e o filme que ninguém ouviu qualquer arranhão na superfície, o novo Dredd, de Alex Garland. Não esqueçamos que outra grande falha de bilheteria foi uma tentativa de revival do faroeste: O Caveleiro Solitário com Johnny Depp e Armie Hammer, pelos estúdios Disney.

KROW! Um soco nos detratores!
KROW! Um soco nos detratores!

Na minha opinião, há muito a ser explorado no gênero super-heróis no cinema. Mas não só isso, também há muito a ser explorado no caso de adaptações de quadrinhos. Pegue Scott Pilgrim Contra o Mundo ou V de Vingança, que viraram sucessos cult depois de saírem dos cinemas. Por outro lado, filmes de colagens de gênero como os que Quentin Tarantino faz sempre estarão de portas abertas para resgatar um gênero ou outro. Um exemplo é Django que foi um sucesso de crítica e bilheteria fazendo justamente uma bricolagem de gêneros mortos como o western e a blaxpoitation.

Parafraseando Mark Twain, um dia os filmes de super-heróis dirão “Os boatos sobre minha morte foram exagerados”. O mesmo poderiam dizer os quadrinhos desse gênero – principalmente os da Marvel, que esteve à beira da falência em 1997. Porém, hoje em dia estão mais populares do que nunca. Em tempo: há boatos de que a Marvel vá fazer um filme de um de seus heróis do faroeste, o Kid Colt. Então seriam os super-heróis os salvadores do gênero morto a que são comparados? Só o tempo dirá. Afinal, nenhum de nós é a Mãe Dinah, que não previu nem a própria morte, não é mesmo?

Spielberg dando uma de Vingador já que não dirigiu nenhum filme de heróis...
Spielberg dando uma de Vingador já que não dirigiu nenhum filme de heróis…

Obrigado ao Samir Machado por chamar a minha atenção para este artigo.

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5 Comments

  1. É… sei lá! Até hoje, sempre adaptam livros e peças de teatro, também. Mas até aí, alguém reclamou? Só se for fã chato/radicalista e se eu fosse um, diria que os filmes dos X-Men são tudo lixo.

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  2. Como amante das duas duas artes, eu concordo com Spielberg, pois até mesmo a minha reação com os primeiros filmes dos X-Men e da Marvel Studios era bem mais “calorosa” em relação aos últimos lançamentos, claro que tudo que se inicia e é novo tem uma apelação diferente, mas se continuar sendo bem trabalhada principalmente pela Marvel Studios e pela Warner, tem tudo para durar muitos anos ainda…

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    1. Tem seu lado bom e seu lado ruim. Se voltasse a ser cultura de nicho, a essas alturas, não sei se os quadrinhos de supers sobreviveriam muito tempo… Abs!

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