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“Não Confie na Tia May”. Trouble, de Mark Millar, Terry e Rachel Dodson

E se tudo que você conhecesse sobre a origem de Peter Parker, o Homem-Aranha não fosse nada do que você sabia? E se por trás daquela fachada de velhinha fracota e indefesa da Tia May se escondesse um vulcão sexual? Essa é a proposta de Trouble, uma minissérie estrelando os pais de Peter Parker, Richard e Mary, e seus, tios, Ben e May.

A MELHOR HQ DO MILLAR

Essa minissérie em cinco edições saiu pelo selo Epic da Marvel. Um selo que, antes do Icon, era dedicado a quadrinhos adultos de autor. A intenção de Joe Quesada e Mark Millar era conferir uma nova origem à concepção de Peter Parker, no melhor estilo tragédia shakespeariana, com troca de casais e todo o resto.

Uma freirinha: OOOH! Noventa e nove freirinhas: Hihihihi!

Uma freirinha: OOOH! Noventa e nove freirinhas: Hihihihi!

Pra começar tenho que dizer que essa é a melhor HQ do Mark Millar que eu li. Talvez porque ela não lide com superpoderes e aí não temos aquelas cenas apelativas com grandes mortes e corpos destroçados aos montes. Mas tem apelação, sim. Só que é daquele tipo que o público brasileiro está mais acostumado: a apelação sexual. Aquela apelação que as novelas globais costumam trazer com muitos hormônios à flor da pele que acabam trazendo consequências devastadoras a para a vida dos adultos – ou não tão adultos assim.

Os desenhos de Terry e Rachel Dodson acentuam o teor sensual. As mulheres – e também os homens – são curvilíneos, com brilho nos olhos, corpos cheios de volume, vestindo roupas atemporais em cenas e situações que poderiam ter saído sim, por que não, de um softporn do canal Playboy.

Cada um com seus POBREMA!

Cada um com seus POBREMA!

UMA FOTONOVELA BARRA-PESADA PARA GAROTINHAS

As capas dessa minissérie trazem uma novidade: elas não são desenhos, não são pinturas. Elas são fotografias. Tudo isso para dar o clima de fotonovela, soap opera, para a trama toda. Uma ruiva e uma loira na capa, de óculos escuros e de biquíni. A ruiva, May e a loira, Mary – amigas de infância inseparáveis. O visual das duas também pode ser comparado com o de dois grandes amores do Homem-Aranha: a voluptuosa e multitalentosa Mary Jane e a recatada e boa-moça Gwen Stacy. Imaginou as duas? Lembrou das duas? Assim também eram as personalidades de May e Mary, inclusive na maneira como se vestiam.

Enquanto isso, os irmãos Richard e Ben estão – assim como as moças – se preparando para usar o tempo do seu college break, aos seus dezoito anos, para ganhar algum dinheiro trabalhando em um resort no bairro chique dos Hamptons. Lá eles acabam conhecendo May e Mary. May, sempre apimentada, no primeiro momento se despe e vai ao lago convidar os rapazes e Mary para compartilharem daquela água gelada, nus em pelo. Ben, que é o bom-moço recatado, já compara aquele acontecimento com uma cena dos filmes de Emmanuelle.

Bianca, Sabrina, Julia e... Tia May!

Bianca, Sabrina, Julia e… Tia May!

Daquele dia em diante, se formam dois casais. O nerd Ben com a fogosa May. E o boa-pinta, boa-praça, super descolado Richard com Mary, a virgem que não quer ter relações sexuais antes do casamento. Os dias no resort vão se passando enquanto Mary e Richard estão no amor não-carnal, Ben e May não param de transar pelos cantos. Richard está insatisfeito por não poder transar e May reclama que Ben não é bom o suficiente pra ela.

SO I GUESS THE FORTUNE TELLER’S RIGHT

Mary conta a Richard que certa vez ela e May foram a uma vidente que lhes contou que May nunca seria mãe e que se Mary transasse antes dos vintes anos, logo teria um bebê. Um dia, porém, May é humilhada por um hóspede do resort, e encontra consolo nos braços de Richard – se é que vocês entendem o que eu digo. Os encontros sexuais passam a ser constantes. Mary percebe que May está traindo Ben, mas a amiga pede para que não conte nada.

Com Manah, adubando dá!

Com Manah, adubando dá!

Para ganhar mais dinheiro e comprar um furgão estilo Máquina do Mistério, do Scooby-Doo, May decide fazer strip-tease para os funcionários do hotel. Quando Mary volta para casa, May está aos prantos: ela está grávida de duas semanas e meia. Logo, se May está grávida, Mary pensa que a predição da vidente estava ao contrário. Então ela corre para casa de Richard para tirar o atraso – se é que vocês me entendem #2. Dias mais tarde, May e Richard decidem não se ver para que Ben seja o pai da criança. Mas quando May fala para Ben que está grávida, ele a encara e conta que na verdade ele era estéril e não podia ter filhos.

May pensa em abortar, mas depois de uma conversa com seu anjinho e diabinho, decide fugir. Acaba pegando carona com um caminhoneiro abusivo e seus três companheiros, com quem precisa dividir a cama. Mary decide ir ao encontro de May e as duas vão passar mais um tempo nos Hamptons, enquanto May esconde sua gravidez. Um belo dia, Mary surge com um bebê no colo na oficina dos Parker, dizendo a Richard que o filho era deles.

ESTO NO ECZISTE

Capa de um encadernado que nunca foi lançado.

Capa de um encadernado que nunca foi lançado.

No casamento de Richard e Mary, Ben e May se encontram mais uma vez. May já está usando o penteado e as roupas que continuará a usas quando mais velha. Bem acaba sendo bonzinho e os dois trocam telefones. Ao fim da história, a vidente estava certa: Mary acabou sendo mãe e May nunca pode acalantar uma criança nos seus braços e dizer que ela é sua.

Essa HQ justifica muito o comportamento moralista da Tia May nas histórias do Homem-Aranha, sempre buscando o controle, ofendendo o Homem-Aranha. Comportamento esse, característico daquelas atrizes pornôs que, tempos depois, se convertem evangélicas. Ok, talvez eu tenha exagerado um pouco na comparação, mas o mecanismo psicológico é o mesmo.

Apesar das boas críticas, os fãs do Homem-Aranha ODIARAM essa minissérie, por desfazer a imagem da “bondosa e infalível” Tia May. Feita a princípio para mostrar que sim, TIA MAY SEMPRE FOI A VERDADEIRA MÃE DE PETER PARKER – o que justificaria muita coisa – , a minissérie caiu no esquecimento, não entrou para nem o cânone e nem a cronologia da Marvel. Os editores tentaram dizer que se tratava da origem do Homem-Aranha do Universo Ultimate, mas Brian Michael Bendis tratou de criar uma outra origem para ele e a desculpa não serviu. Digam o que digam os fãs ferrenhos do Cabeça de Teia, eu estava louco para ler essa série polêmica e finalmente consegui. O resultado é que é uma boa história, isso sim, e todo bom noveleiro vai gostar.

Fiquem com a P!nk:

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5 comentários

  1. Eu achei péssima (como tudo do Millar), mas enfim…

    Dan Slott a retconeou sutilmente quando um vilão do Aranha fez um gás programado para matar todo mundo com o DNA similar ao do herói (ou seja, da família direta dele) e não afetou a Tia May, que é parente por casamento.

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    • guilhermesmee diz

      Eu li essa história, muito boa mesmo. E como aqui no Brasil nem fizeram questão de publicar isso (apesar de eu achar que venderia bem pra kct) – da mesma forma como ignoraram Truth (idem) -essa históra do Slott passou completamente despercebida. Abs!

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