Ao Sabor do Mistério. Tony Chu: Detective Canibal – Volume Um: Ao Gosto do Freguês, de John Layman e Rob Guillory

Capa aberta de Tony Chu: Detective Canibal, da GFloy Studios, de Portugal.

Fazia muito tempo que eu queria ler Chew. Mas não saía, não saía e não saía no Brasil. Tive de apelar. Bem, nem tanto tive de apelar, porque quando fui a Portugal, na FNAC do Chiado, em Lisboa, encontrei uma edição de Chew da editora portuguesa estreante GFloy Studio. A HQ não saia por mais de 9 Euros, o que na época dava 24 reais(e a gente reclamando do euro a 3 reais = uma sdd). O negócio é que não se encontra nem um encadernado da Salvat por esse preço no Brasil. Sim, amigos, a edição é encadernada.

Capa aberta de Tony Chu: Detective Canibal, da GFloy Studios, de Portugal.
Capa aberta de Tony Chu: Detective Canibal, da GFloy Studios, de Portugal.

Bom, pra quem não sabe do que se trata Chew, começo dizendo que é uma das HQs mais vendidas segundo o New York Times – e as editoras brasileiras bobeando, pra variar… hum… a expressão que melhor cabe aqui seria comendo mosca, mesmo. Os reviews de suas edições sempre recebem de 4 estrelas pra cima. Devido ao sucesso do quadrinho, que lá nos EUA sai pela Image Comics, John Layman foi chamado para escrever Detective Comics, um dos principais títulos do Batman.

Depois que fizemos os bastidores é hora de falar da história. O contexto é que – dentro da história – os EUA vivem em meio a uma gripe aviária bem mais terrível do que aquela de alguns anos atrás. Mais de 20 milhões de americanos morreram devido à infecção e o comércio de aves para consumo é proibido. A F.D.A. (a ANVISA deles) se tonou uma espécie de FBI, lutando contra contrabando e outros crimes alimentícios passionais. Quem quer comer algo estilo frango, tem de recorrer à Galynha (Chyken, no original), que é tão ruim quanto carne de soja.

I love you CHUCHU, Je te amme mon amour, foi tanta coisa que essa nave descobriu...
I love you CHUCHU, Je te amme mon amour, foi tanta coisa que essa nave descobriu…

Nosso herói é o sino-americano Anthony Chu, irmão de um renomado gourmet da televisão. Em tempos de Masterchef nada melhor que programas de culinária na televisão. A diferença é que Chu – como não deveria deixar de ser para um protagonista – é uma pessoa especial. Ele é um cibopata. Explico: ele pode sentir todo o processo que um alimento passou até chegar à sua boca. Por isso, ele só come beterrabas, a única coisa que é imune ao seu dom.

Mas a prova de fogo de Chu é quando ele precisa resolver um crime através dos restos da própria vítima do crime. Sim, ele precisa se alimentar dos cadáveres. Ao resolver seu primeiro crime, ele acaba sendo contratado pelo F. D. A. (Food and Drug Administration). Entre muitas pitadas – sim, pitadas – de humor negro, de humor brando, de mistério e conspiração, vão passando as histórias de Chew (Mordida).

Olha que legal o que vemos quando Tony  come pela primeira vez na frente de nossos olhos de leitores!
Olha que legal o que vemos quando Tony come pela primeira vez na frente de nossos olhos de leitores!

Até que Tony encontra o amor de sua vida: Amelia Mintz, uma crítica gastronômica. Ah, mas claro que ela não é uma crítica comum: através de suas palavras nos jornais, os leitores são capazes de saborear os mais diversos e saborosos quitutes. Só que no momento, Amélia está revoltada com os leitores e o jornal, e tudo que faz é publicar críticas dos mais pavorosos e intragáveis restaurantes da cidade. O resultado é um desarranjo alimentar todo o dia na hora da leitura do jornal para milhares de pessoas.

Entre sacadas geniais, piadas – literalmente – mortais, e conspirações fatais, Tony Chu: Detetive Canibal vai mostrando porque é tão premiado.  Ganhou dois Prêmios Eisner – em 2010 como melhor série e em 2011 como melhor série em continuação – e dois Prêmios Harvey – para melhor novo talento e melhor nova série, em 2010. Também foi escolhida pela MTV como melhor série de 2009.

Eu como, eu como, eu como... VOCÊ!
Eu como, eu como, eu como… VOCÊ!

Numa indústria cultural lotada de referências a zumbis e a cada dia mais cheia deles, uma série que inova na maneira de comer cadáveres e ainda alia isso tudo à moda da gourmetização, se torna uma certeira crítica social e uma linda fonte de divertimento. Só espero que as editoras brasileira se atinem e lancem isso por aqui o mais breve possível. Porque, ó gajo, brasileiro ler em português de Portugal é pra cabrão.

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