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Os Quadrinhos Ajudam a Levar a Vida

Hoje acabei de ler Kick-Ass 3, de Mark Millar e John Romita Jr. A HQ não traz nada de profundo. Muita pancadaria, muito sangue e cenas de ações embasbacantes e, ao mesmo tempo despropositadas. Mas tem horas que sim, Mark Millar acaba sendo profundo sem querer com seu texto. É quando ele fala com o coração. Para não parecer piegas, ele fala com o coração de um fã. De um cara que cresceu lendo e rodeado de quadrinhos.

kickass3

Como quando em Chosen ele compara Jesus com Luke Skywalker ou beeem lá no inicinho da primeira história do Kick-Ass, Dave se pergunta; “Por que hoje todo mundo quer seu a paris Hilton e ninguém que ser o Homem-Aranha”?. Se for pensar bem, todo esse imaginário fandom permeia a imaginação do escritor Mark Millar e do seu Millarverso. É assim com Superior, é assim com O Procurado e também com Nêmesis. O Millarverso acaba sendo uma grande homenagem aos quadrinhos que ajudaram Millar a levar sua vida até então.

Uma prova disso é o diálogo que Dave tem no final de Kick-Ass 3 (não é spoiler) com seus pais imaginários. É mais ou menos assim:

– Ler quadrinhos foi o que te ajudou nos momentos difíceis, Dave.

– Hein?

– Sua mãe tem razão, filho. E eles não te deram só escapismo. Foi o otimismo que eles te passaram a cada edição.

– Os super-heróis lembravam você todo mês que qualquer apuro tem uma solução e que desistir não é nunca uma opção. Quer lição melhor que essa pra crescer?

– Nenhum problema é incontornável, Dave, incluindo este aqui. Pense: o que o Batman faria numa situação dessas?

E o Kick-Ass foi lá e chutou a bunda dos mafiosos. Eu também chutei muitas bundas por causa dos quadrinhos. Até quando eu tinha vontade de me matar eu pensava: “bem, mas aí eu não vou saber o que vai acontecer com os X-Men” e relevava. Às vezes nossas motivações e incentivos na vida são tão tênues, tão fracos e confusos, que um mero “continua na próxima edição” pode servir.

kickhit3

Garanto que existem muitas histórias parecidas com essas. Os quadrinhos me salvaram do abandono, da rejeição, do desamparo, da depressão, das fobias, por vezes até da miséria de espírito. Então não posso fazer mais nada do que reverenciar aqueles que sempre foram uma constante na minha vida, mais que pessoas, com eles tudo sempre continua na próxima edição, não importa o que haja.

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Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É mestrando em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Em 2016 lançou a HQ coletiva Lady Horror Show e a HQ "muda" Esperando o Mundo Mudar. Mantém o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

4 comentários

    • guilhermesmee diz

      Bem, é ficção né, Anderson… E ainda assim não deixam de existir vigilantes mascarados no mundo real. Então… Abs!

      Curtir

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