Como os Filmes Ajudaram a ReConstruir a Personalidade dos Vingadores

Se formos pegar os Vingadores dos anos 90, eles eram tudo, menos personagens verossimilhantes. Eles estavam na moda com suas jaquetas de couro. Eles tinham desenhistas fodões como o Mike Deodato Jr. Eles tinham todo o buzz sobre eles com o relançamento de suas revistas pelo selo Heróis Renascem e as mão de Rob Liefeld. Mas não, caras, infelizmente isso não deu certo. Porque não adianta termos uma bela forma se nosso conteúdo é escasso.

Não usavam só Jaqueta Amarela naqueles tempos...
Não usavam só Jaqueta Amarela naqueles tempos…

Na volta, os Vingadores ficaram nas mãos de gente de calibre como Kurt Busiek e Mark Waid e estavam indo bem, mas todos eles foram relançados depois de Vingadores – A Queda. Com a volta dos Novos Vingadores, o Homem de Ferro ficou na geladeira por um bom tempo para que Warren Ellis e Adi Granov terminassem o arco Extremis. O Capitão América tinha histórias eletrizantes de espionagem por Ed Brubaker, mas quem brilha mais ou era o Capitão do passado ou o Soldado Invernal. Já os Vingadores de Brian Michael Bendis estavam mais querendo mostrar cenas impressionantes do que desenvolver quem eles eram. E o Thor estava meio perdido nas mãos de J. Michael Straczynski que, sim, é um bom escritor, mas não sabe terminar o que começa.

Essa memorável grande grande reunião de Vingadores! (Suspiro!)
Essa memorável grande grande reunião de Vingadores! (Suspiro!)

Ali, um pouco depois de tudo que se havia planejado para os Vingadores, depois de O Cerco, veio o filme dos Vingadores. O filme era dirigido por Joss Whedon, uma cara que já era conhecido por Buffy, mas que ficou mais conhecido do fandom depois de escrever Os Espetaculares X-Men. Sua fase nos X-Men, ao lado de John Cassaday, foi comparada com a de Chris Claremont e de John Byrne. Por quê? Ele plantava sementes de histórias, planejava subtramas, mas o mais importante: respeitava os personagens, suas características, suas relações e seus passados.

O Cerco: o fim de uma era!
O Cerco: o fim de uma era!

Mesmo que alguns possam dizer que o filme dos Vingadores é muito inocente, muito bonachão e muito família, ele tem de ser destacado quanto à sua caracterização de personagens. É através dela, e não das que vinhas sendo trabalhadas desde os anos 90 nos quadrinhos, que todo mundo conhece esses personagens. Whedon resgatou o âmago das personalidades dos heróis. Mas claro, isso já vinha sendo trabalhado há mais tempo. Vou dar alguns exemplos:

Cansei de lutar com minhas armaduras! De que vale a minha boa vida de playboy?
Cansei de lutar com minhas armaduras! De que vale a minha boa vida de playboy?

HOMEM DE FERRO/TONY STARK: Antes do filme Tony era só mais um playboy perdido que não sabia o que fazer com a sua grana. Ele lutava com sua armadura porque, bem não tinha nenhum inimigo condizente à realidade em que vivemos. A grande maioria deles eram inimigos russos, chineses, vietnamitas, todos datados e ligados à ameaça vermelha e comunista. Foi graças ao filme do Homem de Ferro, seu diretor Jon Favreau e ao ator Robert Downey Jr., que o Homem de Ferro deixou de ser um chatonildo (eu sempre achei) e se tornou um cara de bem com a vida praticante do deboismo. Claro sem perder o lado playboy, mulherengo e de exímio cientista.

Captei! Captei vossa mensagem, magnânimo guru!
Captei! Captei vossa mensagem, magnânimo guru!

CAPITÃO AMÉRICA/ STEVE ROGERS: Quando Stan Lee trouxe Steve de volta a premissa era: ele vai ser um home perdido no tempo que terá de lidar com as “modernidades”. Mas o Capitão dos anos 2000 era um homem ufanista, que defendia seu país e estava todo cagado com o terrorismo. Os americanos aprenderam que esse retrato da Capitão América não faz mal só pra eles, como faz mal pra imagem do seu país: imperialista, dominador, praticante da “política da boa-vizinhança”. Precisou um escritor escocês para nortear o que o Capitão representava: Mark Millar em Guerra Civil. Não era mais justiça, liberdade e o modo de vida americano. Era apenas liberdade, pois com ela conquistamos a justiça e vivemos do modo que quisermos, sem se importar se o modo americano é melhor do que o de um país subdesenvolvido. Isso é muito bem resolvido no segundo filme do Capitão que além de mostrar Steve como um libertário também mostra ele como um cara perdido no tempo, mas explicitamente norteado por valores que não estão datados, mas sim, mais necessários que nunca.

Ana Paula agora é Natasha, usa salto 15 e saia de borracha!
Ana Paula agora é Natasha, usa salto 15 e saia de borracha!

VIÚVA NEGRA/ NATASHA ROMANOFF: Quando eu lia a Natasha nas revistas dos Vingadores dos anos 90, me perdoem a expressão, mas ela era a bitch do Capitão América. Era a líder dos Vingadores, mas só fazia o que o Steve mandava. Que lástima para o feminismo. Mas quando me deparei com a personagem nas histórias do Demolidor, eu simplesmente amei ela. Por mais que os atores machistas do filme digam que ela é uma vadia, tudo bem, eu concordo, mas eles terão que concordar em dizer que James Bond é um putão também. E ele é. Natasha é o James Bond dos Vingadores. É aquela pessoa com sangue de barata, que foi treinada incessantemente para executar suas ordem corretamente, não importa quais sejam. Se ela tem que sensualizar na padaria para conseguir o necessário, ela fará, não importa com quem. Se precisar matar, ela matará, não importa se agora o Hitler é uma criança de colo. Natasha não tem valores, Natasha não tem humor. Ela tem ordens. E isso basta.

Mostra tua cara, amore!
Mostra tua cara, amore!

Essas três personalidades foram reafirmadas nos filmes. Enquanto que, por outro lado, outras foram destruídas. Thor é um fútil capaz de rivalizar com Emma Frost. O Hulk é um brinquedinho. O Gavião Arqueiro é um imprestável. E o Nick Fury é o fodão. Não é assim que vocês têm os outros Vingadores em mente? Pois é. Personagens que, ao meu ver, deveriam ser melhor trabalhados. Quanto aos outros três, meus parabéns para os envolvidos. Por favor, Marvel, um filme da Viúva Negra elucidando seu passado no universo cinemático do Marvel Studios.

Anúncios

4 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s