Uma Solução Para Usar o Superman nos Quadrinhos

Somos superamigos, superamigos do peito, superamigos pra valer!

É fato que a DC Comics de hoje em dia, a famigerada editora que concebeu os Novos 52, não está sabendo lidar com seu maior personagem: o Superman. Quer exemplos disso? Em primeiro lugar a problemática condução editorial dos títulos do Superman no início dos Novos 52. Grant Morrison foi incumbido de criar uma nova origem para o herói na revista Action Comics. Enquanto isso, na revista Superman, os criadores, entre eles George Pérez, tinham de lidar com o presente do herói. Mas o problema é que Grant Morrison e o corpo editorial das super-revistas não sabiam que rumo essa história de origem iria tomar.

Sem cueca = Sem respeito. Ass: Dona Carola
Sem cueca = Sem respeito. Ass: Dona Carola

A nova origem do Supeman foi aos trancos e barrancos, apresentando o personagem Aço muito antes do que devia e colocando Luthor na cadeia, engessando o maior dos vilões do Homem de Aço. Além disso, Lois Lane foi relegada a uma “amiga”, nem interesse romântico, nem amor platônico. O Planeta Diário estava fora da jogada e assim foi.

Quando foi o momento, nesse entrevero de revistas, do Superman ganhar os cinemas, Clark Kent, mais uma vez foi desvinculado do super-herói. A identidade secreta inexistia, tampouco seus feitos na infância. O que permanecia, e palmas para isso, era o relacionamento próximo entre Superman e os Kents (nos Novos 52 eles estão mortos. 😛 ). Em Superman: O Homem de Aço, os roteiristas cometem algo que não deveria cometer: fazem o Superman matar o General Zod quebrando seu pescoço!

Cavill! Mostra tua cara! Quero ver quem paga, pra gente ficar assim!
Cavill! Mostra tua cara! Quero ver quem paga, pra gente ficar assim!

Como sabemos, o Superman é um herói solar, ele é antítese do Batman, ele não recorre a métodos fatais. Mas a DC de hoje em dia insiste em seus personagens cruéis e nefastos, sombrios e com segredos inexpugnáveis. Não que isso seja ruim, mas, tenha dó, para o Superman isso não funciona. Até mesmo arco Condenado, em que somos apresentados para a versão 52 do Apocalypse é um desastre só. O Superman se transforma em Apocalypse e com isso condena o mundo todo. Que bela porcaria!

Agora, querem exemplos de boas histórias do Superman? Pegue o Supermen Através das Eras, em que vários aspectos do Super durante as eras dos quadrinhos se encontram e lidam com ameaças diferentes. A história do Azulão no gueto de Varsóvia, escrita por Louise Simonson e Jon Bogdanove, que faz parte dessa série, por exemplo, é tocante. Pegue a clássica história de Elliot S! Maggin, Precisa Haver um Superman?, outro bom uso do Super, ainda que duvidando de sua eficácia. Ou até as nem tão recentes histórias de Geoff Johns pré-52, como O Último Filho, Brainiac e a Legião dos Super Heróis.

Que Era que Era?
Que Era que Era?

O próprio Morrison sobre tratar bem o Azulão em Grandes Astros: Superman, mostrando seu lado mais eradepratesco. A fase pós-Crise de John Byrne, outro ótimo exemplo e nem tão datado assim como se pensa. Até mesmo a história do Superman contra a Elite de Manchester Black, escrita por Joe Kelly e desenhada por Doug Mahnke, é de ser destacada. Na história o Super enfrenta uma equipe com métodos como o do Super do filme de Zack Snyder, que dizem que o Azulão está ultrapassado. Mas não é que o bom Super acaba provando o contrário?

O problema da DC dos dias de hoje é subestimar seu público e achar que ele só vai comprar histórias violentas e sombrias. O quadrinho brasileiro, por exemplo, provou que histórias fofinhas estão aí para ficar. Ou a própria Batgirl, de Cameron Stewart e Babs Tarr. Não precisa apelar para coisas como no último arco TRUTH, em que Lois Lane revela ao mundo a identidade secreta do Superman.

Eu, Eu Mesmo e Irene, a bicha velha.
Eu, Eu Mesmo e Irene, a bicha velha.

As histórias do Superman tinham – infelizmente não têm mais – um rico cast de coadjuvantes. O que se faria necessário era cooptar um novo time de personagens satélites. Já pensou que legal se Clark Kent não fosse um jornalista, mas um cara que cuida das mídias sociais do Superman, como uma espécie de Assessor de Imprensa do herói e ao mesmo tempo seu Administrador de Conta, como dono da MARCA Superman. Bem, já temos aí um bom começo, nada retrógrado, antenado com as atualidades e que poderia gerar muitos conflitos. Já imaginou se, por uma artimanha, Lex Luthor compra a marca Superman?

Mas aí uma presença misteriosa acaba hackeando a página do Superman no Facebook e começa a apresentar uma nova heroína, muito mais atual, muito mais sustentável, ecofriendly, vegana, bicicleteira e hispster. Ela começa a competir com o Super e o chama pra um evento beneficente para compararem suas forças. Eles começam a batalhar não fisicamente, mas em feitos para o mundo, claro, distribuindo a porrada conjuntamente na cara de alguns vilões no caminho.

Somos superamigos, superamigos do peito, superamigos pra valer!
Somos superamigos, superamigos do peito, superamigos pra valer!

Ao mesmo tempo, Clark vai trabalhar num orfanato e começa a ver o Superman pela visão das crianças e como eles veem o que Luthor faz por Metrópolis e o que a heroína hipster tem a oferecer conforme que lhes é mostrado na televisão. Clark começa a conhecer a realidade das crianças marginalizadas e percebe que as ações dos Superman não precisam se macro, como acabar com a fome na África ou impedir guerras, mas fazer atos que possam mudar e salvar uma vida por vez.

O povão percebe que a heroína hipster e Luthor tem mecanismos de popularidade muito maiores que os do Superman. Clark começa a pensar em desistir de ser Superman e trabalhar mais em prol da comunidade. Mas a crianças do orfanato ainda conseguem enxergar um valor no Azulão que outras pessoas nem sempre conseguem. E é isso que dá forças para o nosso herói voltar a vestir a capa outra vez.

Superman All-Star: Não descola, não tem cheiro e não solta as abas!
Superman All-Star: Não descola, não tem cheiro e não solta as abas!

Clark acaba ganhando um interesse amoroso com a diretora do orfanato que, ao contrário de Lois, ama muito Clark e odeia o Superman. Aos poucos, com a ajuda das crianças, essa visão da diretora acaba mudando. Quem sabe o Super não acaba até promovendo alguma dessas crianças como Superboy?

Essa é minha proposta, quando menos é mais e quando você se propõe a fazer uma história solar, verdadeira e que viralize as boas ações, ela acaba não parecendo tão piegas ou boboca como a editora das lendas possa achar que se tratam as histórias do Super. Ela não conquista as pessoas pela adrenalina, mas pela endorfina. Não pela aventura, mas pela moral. Um papel que o primeiro super-herói de todos, essas figuras altruístas e de coração bom, devia operar melhor.

E você? O que acha dessa ideia? Compraria essa história? Tem uma sugestão melhor para o Grande Escoteiro? Ou você acha que a época de valorizar o bem já passou e temos mesmo é que ser fodões, sombrios e cheios de segredos nefastos?

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15 Comments

  1. Cara, estou produzindo uma fan fic do Superman, e a base é quase a mesma, com algumas diferenças. É um ideia interessante. Acho que existe muita coisa boa que se pode fazer com o personagem, mas os roteiristas não estão sabendo conduzi lo. Uma pena. O maior heroi do mundo merece mais.

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  2. Concordo com uma abordagem mais tranquila e que realmente se preocupe em passar uma mensagem para os leitores.
    Essa sua história me lembrou bastante a do batman na DCyou agora eu percebo como ela se encaixaria muito melhor numa hq do super.

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  3. Cara, achei muito bacana o seu comentário a respeito do nosso maior herói de todos os tempos, porque se nãio fosse o Super, eu não sei se teríamos tantos heróis legais e diferentes uns dos outros ao gosto de cada um, como nos dias atuais e também concordo que não estão sabendo trabalha-lo naquilo que o faz grande, não usar métodos baixos para vencer, decendo ao nível de seus inimigos!

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  4. Poucas vezes eu concordei com tudo de uma matéria, essa eh uma delas!
    A azulão não pode matar, o Super já é invencível, o desafio dele é encontrar uma maneira de derrotar sem matar!
    Cara muito boa essa sua sinopse para um arco do azulão! Traria um monte de coisa nova sem mudar no cânone do herói! quem sabe na depois da próxima “Crise infinita nas infinita terras de infinitos tempos” eles não bolem algo parecido

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  5. Texto bom, cara

    E, de fato, o Super não pode ir contra aquilo que ele SEMPRE foi. Superman contra a Elite prova isso.
    Não sei se vocês ligam para as mídias menos relevantes, como a animação da Liga da Justiça, mas gostaria de citá-la: é um ótimo exemplo de como o Super sempre optou pela força não-letal, contra Darkseid, Luthor e até o Apocalipse (que deixou muito claro que queria matar TODA A LIGA, ainda assim Superman opta por poupá-lo).

    Dizer que ele não pode fazer é “mimimi”?
    Não. O Superman é, sobretudo, um símbolo de humanidade. (Mesmo ele não sendo um humano, o que é irônico, ele é aquele que poderia abusar do planeta, quiçá do universo, mas opta pela humanidade.)

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