Os Quadrinhos Atuais Devem Tudo ao Demolidor de Frank Miller

Não HuMiller Ninguém, pfv!
Não HuMiller Ninguém, pfv!

Gente, foi só postar um texto falando mal do Miller que choveu haters no blog. Bem, como teste vou escrever esse texto falando sobre o Miller e as coisas boas que ele tem a oferecer. Vamos ver se terá mais acesso do que um falando mal dele e vamos testar o poder do ódio e do amor nas redes em mísero textozinho. Que comece o desafio!

Frank Miller, nasceu em 21 de janeiro de 1957 em Olmey, Maryland, nos Estados Unidos. Ele estreou nos quadrinhos em uma editora pequena chamada Gold Key, em que fazia adaptações da série Twilight Zone. Seus primeiros trabalhos com a Marvel e a DC também não foram de grande destaque, com John Carter e Weird War Tales. As grandes influências de Miller são a cultura japonesa em geral, em especial os filmes de Akira Kurosawa e mangás como Lobo Solitário. Também é muito influenciado por revistas de crime, pulps e livros noir como os escritos por Dashiell Hammet, Raymond Chandler e Elmore Leonard.

Se enrolando com o Aranha!
Se enrolando com o Aranha!

Tudo começou a dar certo para Frank quando ele desenhou uma história do Homem-Aranha em que o Demolidor fazia uma ponta. Interessado pelo personagem, Miller perguntou se não poderia trabalhar com o personagem. A resposta foi positiva e, em breve ele estava desenhando a revista ao lado dos roteiros de Roger McKenzie. Sua arte e narrativa chamaram tanta a atenção que logo ele se tornou roteirista e desenhista da revista do defensor da Cozinha do Inferno.

Esse é o trabalho de Miller que eu mais gosto. Eu adoro como ele coloca movimento nas páginas usando e abusando dos cortes e dos ângulos como se a revista do Demolidor fosse um grande filme de cinema. Um grande filme de cinema noir, pois o clima pesado também é garantido com o seu roteiro, pois ele inovou dando uma outra camada para as histórias transformando balões de pensamento em captions – os tais recordatórios. Se o quadrinho moderno é como é hoje em muito se deve ao trabalho que Miller fez no Demolidor. Miller começa como desenhista do Demolidor a partir do número 158 para depois assumir os roteiros no número 168. A revista serviu como laboratório onde desenvolveria e definiria as principais características de sua obra.

ELÉTRIKA!
ELÉTRIKA!

Logo, a revista do Demo que estava para ser cancelada passou de bimestral para mensal. Em sua primeira fase ele introduziu uma temática de histórias de crime, trocando supervilões uniformizados por gênios criminosos das ruas e líderes do crime organizado (como o Rei do Crime). Seu interesse em quadrinhos japoneses e na tradição dos ninjas e samurais, introduziu elementos como a organização ninja O Tentáculo (The Hand), o cego sensei Stick e a assassina Elektra, personagens que, apesar de frios, eram cativantes e principalmente intrigantes, assim como muitos personagens vindos de Kurosawa. Inspirado em Neal Adams, detalhava telhados e esquinas dando uma sensação realista pouco comum no gênero. Trazia à baila personagens falíveis e derrotados bem no estilo dos protagonistas detetivescos de certos contos noir – , como o repórter Ben Urich.

A história Roleta Russa, em que o Demolidor decide se matará ou não um alquebrado e assassino de Elektras, Mercenário, é uma das mais incríveis que eu já li na vida e, com certeza, um aula de como se escreve, desenha, narra, se faz layout, enfim, tudo de uma história em quadrinhos. Essa leitura é indispensável para qualquer bom fã.

Quem aposta na Roleta?
Quem aposta na Roleta?

Na segunda fase de Miller no Demolidor que ficou conhecida como a saga A Queda de Murdock, no Brasil e começou no ano de 1986, o Rei do Crime acaba conhecendo a identidade secreta de Matt Murdock porque Karen Page, sua ex-secretária e namorada vendeu seu segredo para comprar drogas. A partir daí começa um turbilhão na vida de Matt em que o Rei do Crime começa a destruir sua vida de dentro pra fora. O Demolidor tem sua vida profissional, legal e pessoal arruinadas. Só consegue sobreviver à morte certa por sua determinação ferrenha, pela ajuda de Karen, e de Irmã Maggie, que descobre ser sua mãe. O Demolidor chega a declara em certo ponto da história: “Um homem sem esperanças… é um homem sem medo”, o que é um mantra muito legal para se seguir. Evita muitas frustrações. Ao final do arco, Matt descobre a participação do Rei do Crime no complô e desmascara o vilão publicamente.

Não pula muto alto, senão será a Queda de Murdock!
Não pula muto alto, senão será a Queda de Murdock!

Na terceira fase no título do Demolidor, Miller trabalhou só nos roteiros deixando a arte a cargo de John Romita Jr. Essa fase ficou conhecida como O Homem Sem Medo. Ela contava a origem do Demolidor e de seu relacionamento com Elektra e a amizade com Foggy Nelson na época da faculdade. Funcionou como uma espécie de Ano Um do Demolidor.

Sem medo e sem pudores!
Sem medo e sem pudores!

Em sua participação no Demolidor, Frank Miller definiu bem seu estilo e temática que iria utilizar em todas suas obras. Ele desenvolve elementos básicos como medo, violência e afeto, o processo de degradação de uma pessoa inserida em um meio que não compreende. Seus personagens fazem parte de uma realidade vivida no cotidiano: crua, violenta e sem disfarce, com desenhos sombrios focalizando becos e esquinas esquecidas.

Frank Miller diminuiu a diferença entre o comportamento de heróis e vilões. Sob sua ótica, os políticos não tem iniciativa, os meios de comunicação são maquiados, e a família pode abrigar mentes psicopatas quando não cuidadas com a devida atenção. Já dentro da linguagem quadrinística, Miller quebrou a sequência lógica dos quadrinhos, recortando em tiras finas, horizontais ou verticais, cortes cinematográficos que lembram filmes de gângsteres dos anos 1940.

Cadê a pipoca? O pipoco já chegou!
Cadê a pipoca? O pipoco já chegou!

Essa última frase resume a maior contribuição de Miller para os quadrinhos modernos (ao menos os americanos). Se eles hoje brincam com layout e a forma como narram a história dentro do grid da página, eles devem tudo a essa iniciativa de Miller dentro da revista-laboratório do Demolidor. E viva Frank Miller e suas contribuições, mesmo que hoje ele seja um fascista. Beijundas, haters!

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