Frank Miller, a Mídia e o Cartaz da CCXP 2015

CARwwBom, como eu descobri que Frank Miller dá acessos e estão caindo de pau em cima dele por causa do cartaz da CCXP 2015, vamos falar um pouco disso. O cartaz mostra uma Mulher-Maravilha descadeirada (não se esqueçam que no último DK2 ela fez sexo com o Superman em pleno ar), de costas, portando armas gigantes. A primeira coisa que me veio à cabeça não foi o desenho ruim do Frank Miller, nem a exploitation da mulher, nem nada assim. Mas voltou uma das primeiras cenas do volume 2 de DK2, aquela em que o mundo, agora voltado para a internet, acessava feito louco o site http://www.superchicksrule!.com em que as notícias eram apresentadas por cosplayers de super-heroínas da DC, as “supergatas”.

CARgatasLogo, o cartaz de Miller para a CCXP 2015 vai ao encontro do que ele produziu nas duas HQs do Batman do futuro: as duas HQs representam um pesadelo da mídia. Pegue o primeiro volume de Batman: O Cavaleiro das Trevas, com suas TVs saturando as páginas do quadrinho em que toda e qualquer ação do Batman, da Polícia, dos Vilões, é mediada e controlada pelas redes de televisão. É através delas que vemos as nuances da história e vemos também como a mídia pode ser tendenciosa. Mais uma vez, as cores de Lynn Varley deixam claro que o leitor está apreciando de uma nova experiência, que agora é radicalmente mediada pelo computador.

CARbabesJá no segundo volume, Batman: O Retorno do Cavaleiro das Trevas, temos dois novos elementos: as comic babes e a internet. Dessa vez, as comic babes estão colocando em xeque a mídia tradicional através de seu site na internet, em paralelo, o Batman está lutando contra o tradicional presidente Rickard, uma mistura de Luthor com Brainiac. Por outro lado, os heróis estão tão saturados e fetichizados na cultura popular que se tornam objetos de culto.

O fetiche, longe de sua conotação sexual, tem um significado primário como objeto de adoração e culto. Frank Miller já lá naquela época do início dos anos 2000 já previa como seria nosso mundo com o domínio da internet e dos super-heróis para tudo quanto é canto. Através da internet, os super-heróis hoje são mais divinos do que nunca, com pessoas dispostas a matar umas às outras por falarem mal de seus personagens favoritos. Hoje, a internet é a igreja e os ícones pop são deuses.

CARdk2Já naquela época, Miller usou de uma sensibilidade psicológica e estética na narrativa das HQs do Batman. Mostrando de forma subliminar o domínio das mídias na opinião pública e como o fetiche imagético pode manipular as pessoas inserindo as comic babes dando suas opiniões em seu site e, depois, sendo perseguidas pela grande mídia e pela tradição social. Eu, no caso, seria um comic babe bem gostosona. (piscadela!)

Em sua “trilogia”, Miller explora nossa relação com a mídia e a fome do homem por tecnologia e informação. O cartaz da CCXP é um belo exemplo dessa relação. Um evento de fetiches, rodeado por tecnologia e informação. Não que o fetiche seja ruim. Acho ótimo. Mas é preciso saber peneirar a informação e fazer bom uso da tecnologia. Saber que nem tudo que Frank Miller produz é bom e nem tudo é um lixo nazista. Fazer bom uso da tecnologia é usar as redes sociais à nossa disposição para tentar mudar o mundo e contestar o que está errado e não fazer com que regrida ou mantenha valores que denigram a sociedade.

CARtvs“Todas as mídias são trabalhadas completamente dentro de nós. Elas são tão penetrantes em suas consequências estéticas, morais, pessoais, políticas, psicológicas, éticas e sociais que não deixam nenhuma parte de nós intocada, inalterada, sem ser afetada. O meio é a mensagem”, nos diz o grande teórico da comunicação Marshall McLuhan. Em primeiro lugar, nenhuma mensagem deixa o ser humano indiferente, todo mundo tem algo a dizer num mundo dominado pelas redes sociais, porém ainda muito envolto nos meios de comunicação de massa. Um desses meios é o jornal Metro, que a organização da CCXP 2015 escolheu para divulgar o cartaz do evento. Uma bela jogada de marketing, pois vai chamar atenção de um público “civil”, que não curte quadrinhos, mas que já deve ter ouvido falar de Frank Miller em algum lugar. Como o Metro é distribuído gratuitamente nas principais cidades do Brasil, é ainda mais eficaz atingir esse público que não lê quadrinhos.

A escolha da Mulher-Maravilha, talvez seja uma forma da organização do evento mostrar que está antenada com a grande revolução que a própria mídia internet tem aprontado com a sociedade: a valorização das minorias e de dar a voz para aqueles que antes eram obrigados a calar-se. Uma Mulher-Maravilha com armas nas mãos e pronta para a luta, talvez fosse um sinal disso? Só o evento dirá!

CARcapa“Essas fantasias não existem na sua própria dimensãozinha, tudo é uma metáfora para algo que é real…. É assim que a cultura pop funciona… Processamos as coisas e então transformamos ela em um produto que mais uma vez é consumível, mas que agora é incrivelmente ressonante”, diz o velho e alquebrado Miller sobre DK2. Como eu pude comprovar com os acessos a esse blog quando cito ele, Frank Miller, hoje, se tornou um produto da indústria cultural: altamente consumível e incrivelmente ressonante.

Anúncios

14 Comments

  1. Excelente análise, mas mesmo assim isso so fez eu ter a vontade de NÃO COMPRAR, desenho muito zoado, se eu entendi bem então esse desenho é para vermos os herois como eles “são” tipo ideais deformados,bizarros, tipo a Mulher Maravilha e Superman icones do Homem e Mulher lindos, heroicos e saudaveis sao na verdade um monte de lixo que nos fãs os tornamos e esse desenho é um filtro que faz ve-los assim?

    Curtir

    1. Hum, acho que simplesmente é arte do Miller, que não tem mais a mesma capacidade motora de fazer um desenho legalzitcho… Mas e se fosse do Manara, qual seria a reação? Pois é! Abs!

      Curtir

      1. E eu acho que você não entende nada de desenho e fica com esse mi mi mi porque para você, bicha louca, quem não endeusa gays deve morrer. Sua tentativa patética de matar a reputação do maior gênio dos quadrinhos irá fracassar, enquanto você morrerá e será esquecido, Frank Miller será lembrado…kkkkkk

        Curtir

  2. Não acho que ele esta em condições físicas e mentais de pensar tudo isso…esse é o estilo que ele escolheu nos ultimos e eu não gosto e estou dentro do meu direito de não gostar das coisas…..é muito mimimi pra pouca coisa e o Borgo conseguiu colocar a CCXP no centro das atenções;;;

    Curtir

    1. Claro que está no direito. Claro que conseguiram colocar o CCXP no centro. Claro que é muito mimimi, mas nada como um argumento sólido para acabar com os mimimis. Um mimimi para a todos dominar! \o/

      Curtir

  3. Sua bicha louca não escreva tantas tolices. Miller é o único autor de quadrinhos realmente completo, você não chegou nem perto de descrever o que é DK, ou mesmo Holly Terror. Sua leitura e superficial e enviesada pela sua educação gramscista dessas burriversidades brasileiras. Será que nenhuma bicha pode escrever um texto sem que a palavra minoria esteja presente?

    Curtir

    1. “Será que nenhuma bicha pode escrever um texto sem que a palavra minoria esteja presente?”

      Você notou que ela também está presente no seu texto, espero. Ele comprova sua tese?

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s