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[Entrevista] Memórias de Um Esclerosado, de Rafael Corrêa

Entrevistamos o multipremiado cartunista gaúcho Rafael Corrêa que também faz tirinhas, quadrinhos longos e agora embarca numa aventura mais ousada: contar seu dia a dia no convívio com a Esclerose Múltipla na HQ online e biográfica, Memórias de Um Esclerosado, desde que foi diagnosticado com a doença em 2010. Acompanhem nosso papo!

009Splash Pages: Oi Rafael! Seja bem-vindo! Satisfação entrevista-lo aqui no blog. Bom, vamos começar dizendo que você é um cartunista multipremiado, mas que já fez tirinhas e quadrinhos mais extensos, como o sensacional Criatura. Como é para você lidar com esses três tipos de quadrinhos? O que te agrada mais fazer e quais as facilidades e desafios de cada “modalidade”?

Rafael Corrêa: São duas modalidades que gosto muito. Eu comecei fazendo quadrinhos, lá pelos anos 80, e quando vim morar em Porto Alegre, fui muito influenciado pelo pessoal da Grafar a fazer cartuns. Gosto de transitar por esses dois mundos, mas o cartum é mais rápido e prazeroso. O quadrinho exige mais, principalmente as histórias mais longas, como o Memórias.

001-pSP: Sei que você já trabalhou com outros artistas, como o Rogê Antonio em pontomorto. Como é essa experiência? Ela limita mais que agrega, ou a colaboração sempre traz um toque diferente para as suas HQs?

RC: Eu sempre quis fazer quadrinhos com temáticas mais sérias, ou de aventura e realismo fantástico. Mas o meu traço é de humor e não casaria com esses roteiros, acabaria virando piada. Então, fazer parceria com um artista como o Rogê, ampliam as possibilidades narrativas. E o fato dele ter o traço completamente diferente do meu só agrega.

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SP: Criatura é uma HQ bonitinha, de parceria entre um menino e uma criatura. O Vitor Caffagi já falou que se você vai escrever uma HQ tem que pegar o leitor pelo amor e pelo carisma e evitar temas como mulheres gostosonas e monstros, como zumbis. O que você acha dessa declaração?

RC: Discordo totalmente. Os quadrinhos são legais porque neles tu pode falar sobre qualquer tema, qualquer gênero, o céu é o limite. Se todas as histórias fossem fofinhas seria um porre. Eu também gosto de histórias de terror e sou fã do Conan. Nessas HQ’s o leitor está buscando outra coisa.

norma-pSP: Você tem uma tirinha chamada Artur, o Arteiro, sobre traquinagens infantis. Você acha que as tirinhas devem ser num estilo que uma tirinha dê conta de uma situação toda, ou acha que o melhor caminho são tiras seriadas; ou ainda tiras que se resolvem de uma vez só, mas que na continuação ainda tratem do mesmo tema?

RC: Todas são bem vindas, depende mais de como o autor consegue fazer a abordagem. Particularmente acho genial quando a tira se resolve e deixa o gancho para a seguinte. O Bill Watterson fazia isso muito bem.

coracao-pSP: Agora vamos falar do seu mais novo trabalho, Memórias de um Esclerosado. Em primeiro lugar gostaria de saber como você enxerga os quadrinhos autobiográficos. Esse estilo de graphic novel tem feito muito sucesso por desmitificar muitos temas que os próprios autores dos quadrinhos passam em suas vidas. Então queria que você comentasse um pouco sobre esse “fenômeno”.

RC: Como leitor gosto muito de narrativas em primeira pessoa e autobiográficas. Jack London, John Fante, Keruac, Marjane Satrapi, David B., Guy Delisle são autores que curto muito. Esse último, inclusive, é uma forte influência no Memórias. Existe uma certa curiosidade sobre a vida das pessoas, um tipo de voyeurismo – Ah, esse cara existe mesmo. Ele passou por isso etc.

nu artistico-pSP: No caso de Memórias de um Esclerosado, qual foi o gatilho, o insight que te deu para escrever/desenhar a HQ? Muitos quadrinistas dizem frequentar terapia para desvendar as nuances de sua situação. Sua HQ começa com sonhos, uma parte bastante importante da psicanálise. Você recorre a esse artifício de análise, ou autoanálise ou conversa de bar mesmo?

RC: Um escritor está sempre buscando histórias para contar. Olhei para mim e vi que era essa a história, meio que natural. Mas na real acho que o próprio ato de contar a minha história é uma autoanálise, uma jornada de autoconhecimento.

luiz-cor2-pSP: Como você vê os webcomics? Acha uma ferramenta útil? A intenção do Memórias é se transformar em algo físico como foi o caso do premiado SinTitulo, de Cameron Stewart? Acha que os webcomics são um bom primeiro encontro autor/público para depois desembocar em algo maior?

RC: A minha ideia inicial era fazer um livro e não uma webcomic. Aí, numa conversa com o Lobo, ele sugeriu ir publicando aos poucos em forma de webcomic. Foi uma ótima ideia, o contato com o público é fantástico e me incentiva muito.

odeio ciclistas - pSP: Por fim, queria fazer a inevitável pergunta de quem são suas maiores influências e quais são os quadrinhos que modificaram tua vida e te deram vontade de produzir HQs também.

RC: Primeiro fui influenciado pelas tirinhas: Calvin, Mafalda, Hagar, Charlie Brown, Piratas do Tietê.

Depois pelos quadrinhos: Groo, Asterix, Maus, Epilético, Persépolis, Asterios Polyp e tudo do Guy Delisle.

SP: Agradeço pela oportunidade e desejo muitos mais prêmios no teu caminho! Abraços!

RC: Eu que agradeço. Abrazo.

Acompanhe o trabalho do Rafa em seu blog Cartuns do Rafael e sua autobigrafia em Memórias de Um Esclerosado.

 

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