Alan Moore diz: “Se quer fazer quadrinhos, esqueça as grandes editoras!”

O mago barbudo de Northampton deu mais uma declaração polêmica durante um ato contra o fechamento de bibliotecas. Sabemos que ele teve uma espécie de trauma com as grandes editoras, principalmente a DC Comics depois que filmes baseados em suas obras foram lançados e os direitos autorais que recebeu por essas produções foram minguados. Moore, então, se voltou para a produção independente se concentrando principalmente nos álbuns da sua criação A Liga Extraordinária.

ALAalan
Pega na cobra do Moore!

Perguntado sobre quais são os passos necessários para tornar alguém um escritor de quadrinhos de sucesso, Alan Moore deu as seguintes dicas:

  1. Escreva todos os dias;

  2. Tenha autocrítica;

  3. Não se preocupe com dinheiro enquanto escreve;

  4. Autopublique-se.

“Quem escreve todos os dias já é um escritor”, afirmou o mago quando questionado o que faz de alguém um escritor. Moore disse que “autores famosos e conhecidos não tem nada a ver com a profissão de escritor”, citando Dan Brown como exemplo. “Então, o que um autor faminto faz? Autopublica-se!”, concluiu o mago, autor de Watchmen, Promethea, Do Inferno e muitos outros títulos.

ALAseculo2
Mina “Charada” Harker

Alan Moore declarou ainda que o atual mundo editorial é uma “bagunça”. “Publicar hoje em dia é uma completa bagunça! Conheço autores brilhantes que não conseguem ter seus livros publicados!”, disse Moore afirmando que muitas casas publicadoras têm medo de se arriscar na ficção. “Publique você mesmo, não dependa de outras pessoas!”

Moore pode estar certo por um viés, porém, as grandes editoras, ao menos no caso dos quadrinhos ainda são importantes para garantir a popularidade e as vendas para um autor tornar-se independente. Porque ser independente não significa apenas consegui autopublicar-se, mas também consegui pagar seu investimento e gerar algum lucro sobre ele. Para isso é preciso fazer seu nome de alguma forma.

ALAseculo
Liga Século: Demora um século pra sair cada volume!

O que eu, Guilherme, vejo no mercado de quadrinhos são dois movimentos. Os autores ditos independentes acabam com seu trabalho rústico chamando a atenção das grandes editoras e passam a trabalhar em grandes e renomados títulos, chamando a atenção do público leigo sobre a qualidade de seu trabalho e o seu estilo. Então, cansados da burocracia e buscando construir um pé de meia, os autores procuram editoras com políticas autorais menos restritivas, como a Image Comics ou a Dark Horse Comics e passam a editar seus próprios trabalhos, que também se chamam independentes ainda que atrelados a um selo editorias.

Então, talvez Alan Moore esteja um pouco certo e também não esteja totalmente errado. Mas a intervenção de grandes editoras na carreira de um escritor de quadrinhos ainda é essencial. Ele se esquece o quanto essa transição foi fundamental na sua carreira para torna-lo o escritor cultuado que é hoje. Mas que as dicas são boas e importantes, principalmente a parte da autocrítica – coisa que falta muito nos embriões de escritores de hoje em dia.

Alan Moore
Tô di oio nu sinhô!

Vale lembrar que em breve sairá pela Companhia das Letras o livraço Jerusalém de Alan Moore com mais de um milhão de palavras e com um acabamento gráfico lindo e difícil de encontrar hoje em dia.

Fiquem com o vídeo das declarações de Alan Moore:

Anúncios
Categorias: Tags: , , ,

8 Comments

  1. Gostei do que tu postou, mas acho uma pena que pouca gente vai ler inteiro a matéria.
    Queria que o Moore visse a coisa aqui no Brasil, um monte de independentes, todo mundo desconhecido!

    Curtir

  2. Eu li inteiro! XD Concordo com o Guilherme. Nem tanto ao céu nem tanto ao mar. É sempre bom ver o Moore dando dicas pra aspirantes a escritores (like me). Mas a cada dica surgem mais perguntas, e perguntas, e perguntas…

    Curtir

    1. Uhul! \o/
      Que tipo, o Moore tá inserido num contexto que ele pode falar isso e pra ele vai ser verdade.
      No exterior é bem melhor tu como autor partir pro independente. Isso não vai fazer o quadrinho comercial da Marvel, DC, Image, Dark Horse, Valiant, Archie, etc, sumir.
      Já aqui no Brasil é o contrário. Abundam lançamentos independentes e quadrinho comercial mesmo são poucos.
      Enfim…perguntas existem para serem respondidas né?

      Curtir

      1. Então, os artistas correm tudo pro independente / fanzine porque não tem mercado comercial de HQs.
        E os poucos que tentam algo, trombam na distribuição problemática, falta de leitores, custos de impressão… normalmente desistem pelo caminho.
        Brasil tem 200 milhões de habitantes, mas quando tu vê gente comentando que uma tiragem de 10 mil exemplares vendeu bem, é porque tem alguma coisa MUITO ERRADA com o todo.
        E pra consertar isso? Vixe… =(

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s