Família Monstro: The Bojeffries Saga, de Alan Moore e Steve Parkhouse

Poucos sabem, mas além de V de Vingança e Miracleman havia uma terceira série de Alan Moore na revista Warrior, de Dez Skinn. Essa série era The Bojeffries Saga, uma HQ que retratava uma família de monstros vivendo num subúrbio de classe trabalhadora. The Bojeffries Saga contava com a arte de Steve Parkhouse e levou 30 anos para se acabada por compromissos dos dois autores.

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Mr. Bojangles…

Tive acesso à essas histórias graças ao encadernado americano da série publicado pela Top Shelf e pela Knockabout. Nela, podemos ver uma face de Alan Moore pouco valorizada, a da comédia. Ainda que ele tenha começado trabalhando com isso com sua versão do Garfield, Maxwell, the Magic Cat e depois no final dos anos 90 tenha voltado à comédia de situação e de paródias em Tomorrow Stories, pouca gente conhece esse lado galhofeiro de Moore.

Ele se usa do humor inglês, mais ácido, sem papas na língua e, principalmente de situação, como em suas pequenas histórias para a 2000 a.d. em Choques Futuristas de Tharg. Ele brinca com os sotaques das pessoas e também trabalha a linguagem para que tenha um teor engraçado. Mas o mais interessante são as gags visuais que ele trabalha ao mesmo tempo que o texto.

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Audições do BBB

A família Bojeffries é uma família de monstros, há lobisomens como o Tio Raoul, vampiros como o Tio Festus, a monstra deformada Ginda e o avô que é uma criatura lovecraftiana que vive no porão da casa. Essa casa, por sinal é como uma Escola de Hogwarts com passagens ilógicas que acabam no jardim ou no telhado. Os Bojeffreis são em muito inspirados na família Adams e na Família Monstro dos anos 50 e 60.

O encadernado é uma reunião de histórias curtas, algumas um pouco sem graça como o musical da vizinhança e as férias em família, mas algumas geniais. Por exemplo, o dia que o Tio Festus resolve sair do seu caixão em busca de sangue enlatado. Para todo lugar que ele vai acabam ocorrendo trapalhadas suas que o reduzem a uma pilha de pó, para renascer outra noite coo vampiro e cometer mais trapalhadas.

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Pelo bigode de Lovecraft!

A história que abre o encadernado, porém, e nos apresenta à família Bojeffries acompanha um cobrador de aluguel que se acha lendário, por isso, a cada situação que ele vive, está pensando um nome para o título da sua futura biografia. As piadas são sempre misturando a sua profissão com um título de livro ou filme, o que me lembrou o apático boizinho azul Babe, das histórias de João e de Fábulas.

Outra história genial é de Ginda, a menina monstro, que quer ter uma noite de sexo. Mas tudo que sabe sobre isso, ela aprendeu em revistas do estilo Cosmopolitan e entendeu tudo errado. Logo, a sua saída para a noite só poderia ser um fracasso para ele e um deleite de gargalhadas para nós, leitores.

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Ginda, The Ugly Warrior!

Para finalizar, uma história como um documentário de TV – que para mim inspirou Jason Aaron e Sean G. Murphy em sua história do Constantine – que mostra o que aconteceu com a família Bojeffries de pois que o filho mais novo publicou um livro revelando-a para o mundo. Com isso, Tio Raoul ficou desempregado, Tio Festus virou crossdresser e líder de uma banda, Ginda foi presa e o filho mais novo se tornou um playboy solitário. Mas o mais engraçado é a versão filme água com açúcar que Hollywood produziu da família Bojeffries. Estrelada por Michael Caine, Matt Damon e a indicada ao Oscar, Meryl Streep como o lobisomem Tio Raoul, porque Meryl pode ser convincente em qualquer papel.

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Pick-a-Boo!

The Bojjefries Saga me lembrou uma paródia da MAD para a Família Addams, mas escrita com o mais puro humor inglês. Me agradou muito ler essa HQ que estava há um bom tempo na minha pilha de leitura e eu havia adquirido durante a promoção anual da Top Shelf. Recomendo a leitura para todo bom fã de Alan Moore que quer conhecer uma faceta menos conhecida do renomado autor inglês.

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6 Comments

  1. Ótimo artigo, Guilherme. Já tinha lido alguma coisa sobre The Bojeffries Saga, mas o seu texto me deixou mais atiçado a procurar a série. A propósito, consegui adquirir o encadernado gringo dos “Choques Futuristas” do Moore. Apesar de já ter lido parte das histórias na finada Juiz Dredd Megazine, as demais HQs desse volume não são menos que fantásticas. As sacadas que ele tem são muito boas e é incrível como faz a gente rir de umas coisas bem bobinhas. Abraço!

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    1. Ah, que legal, Valdemar! Eu queria que saísse esse encadernado do Choques Futuristas aqui, inclusive já pedi pro Pedro que é editor do material no Brasil. Vamos ver o que o futuro reserva! Abs!

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