Marjorie Liu: “Marvel e DC Têm Muito o Que Aprender Sobre Diversidade”.

Em entrevista para o site Geek MTV, a escritora de livros e quadrinhos Marjorie Liu declarou: ”Vocês sabem que na ficção, na cultura popular, filmes, televisão, muitas vezes em filmes de ação – não apenas em filmes de ação, apenas em geral, apenas no seu programa preferido de detetives – é uma proporção de cinco homens para uma mulher? Ou existe uma desigualdade ainda maior. Tipicamente é aquela coisa de um monte de homens e apenas, sei lá, uma ou duas mulheres para dar um toque de, sei lá, poder feminino, presença da mulher”. Em sua nova HQ, que dessa vez sai pela Image Comics, vai ser uma mistura de steampunk, robôs gigantes e muitas mulheres, principalmente asiáticas. A HQ se chamará Monstress (Monstra).

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Oi, nós somos umas fofinhas…

Marjorie Liu é conhecida por ser uma famosa escritora de ficção científica e fantasia em prosa. Mas ela também se aventurou pelo mundo dos quadrinhos, principalmente na Marvel. Ela começou fazendo a continuação de NYX, a minissérie que trazia a personagem X-23 para o Universo Marvel – ela estreou no desenho X-Men Evolution – e se chamava NYX: Sem Volta. A partir daí ela trabalhou nas revistas Dark Wolverine, de Daken, o filho do Wolverine e a revista solo de X-23. Mas talvez ela seja mais lembrada por sua fase em Astonishing X-Men durante a qual realizou o casamento de Estrela Polar com Kyle Jinadu.

“As grandes editoras estão dirigindo o cenário, o tom, e dirigindo a forma para muitas mudanças que nós estamos começando a ver dentro da indústria dos quadrinhos”, diz Liu, reparando o quanto as mídias sociais têm mudado a paisagem dos quadrinhos desde que ela começou a trabalhar nesse campo. “Quero dizer, as pessoas já estiveram falando sobre isso, mas eles nunca estiveram falando sobre isso com um F maiúsculo da maneira como está sendo agora. E isso faz a diferença. Isso realmente faz a diferença”.

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Trish, Patsy, é tudo patricinha.

Porém, não é de hoje que revistas com protagonistas de diferentes raças e gêneros são “modinha”. Outras vezes em que a diversidade esteve em voga foi, por exemplo no preconceituosos anos 40, quando a Marvel – na época se chamava Timely – tentou emplacar séries de personagens como Vênus e Namora (hoje em dia as duas pertencem à equipe Agentes da ATLAS). Nos anos 50, a revista da Patsy Walker, a Felina – e também a Trish do seriado Jessica Jones –, mudava seu tom e conteúdo de romance, para ficção científica, para super-heroínas, tentando atingir o público feminino. Já nos anos 70, tentativas com revsiats como Enfermeira Noturna, As garras da Gata e Shanna, A Mulher-Demônio, não deram muito certo e duraram apenas 4 números. O que levou Stan Lee a se perguntar: “São os gibis que não são feitas para as garotas ou as garotas que não são feitas para os gibis?”, velho matreiro lançando o slogan da Tostines e se eximindo da culpa.

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Vamo pulá, vamo pulá, vamo pulá, vamo pulá!

Também nos anos 70, com o feminismo e o black power, o movimento pelos direitos negros, esses heróis entraram na ordem do dia. A Marvel registrou e criou revistas da Mulher-Aranha e da Mulher-Hulk para que esses nomes não fossem tomados por ninguém. Antenada, ela, né? #sqn Do lado do Black Power a DC trouxe o Raio Negro, que não durou 6 edições e a Marvel trabalhou com Luke Cage, o Poderoso e Herói de Aluguel, como também com a revista do Golias Negro (sim, Bill Foster, aquele que morreu na Guerra Civi). Por outro lado, com os filmes de Bruce Lee e a série Kung Fu, as editoras começaram a ver esse filão também e aí surgiram heróis com pegadas orientais como o caucasiano Punho de Ferro, o grupo Os Filhos do Tigre e o Mestre do Kung-Fu, clone de Bruce Lee, pela Marvel.

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Não leu essa HQ? A Jubi Leu.

O que nos leva a perguntar: Será que essa onda das editoras se preocuparem mais em retratar diversos tipos de pessoas revelando mais nuances do que nunca foi revelado é uma modinha passageira como foram as outras? Será que tudo é motivado pelo dinheiro e apenas pelo dinheiro? Será que veremos aumentar o número de criadores negro, mulheres e homossexuais que saibam representar esse tipo de minoria? Marjorie acha que tudo ficará melhor do que está e se não ficar, ela já dá uma dica:

“Se você é um artista, se você é um narrado, tudo que você deve fazer é apenas criar”, Liu conclui “E se você tem a internet, uma página no Tumblr, um website, você pode começar estabelecendo seu trabalho e logo depois a compartilhá-lo com os outros. Isso permite que você seja visto de várias maneiras, e ser admirado e dividido com os outros de maneiras que em outro meio você não consegue. Então esse é o porquê eu tenho grandes esperanças para esta indústria, de que nós veremos uma verdadeira mudança e um reflexo real dessa mudança muito mais rápido do que talvez nós queiramos, por exemplo, em Hollywood”.

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Obrigado Dudu Bandeira por me falar da entrevista da Marjorie Liu!

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3 Comments

  1. Marjorie Liu falou aquilo que sempre pensei. Sou contra a mudança de paradigmas ou de representatividades apenas de aparência, bem como do pensamento comum (e na minha opinião medíocre) sobre a diversidade, e velho “é melhor que nada”.

    Não, não é melhor que nada e nunca será, pelo menos na minha opinião) ! É exclusão e preconceito travestido da pior categoria, que finge estar dizendo “eu aceito” mas na verdade mantém nas mentes machistas, homofóbicas, preconceituosas e afins os mesmos pensamentos de sempre.

    Máscaras sempre caem. Idéias e pensamentos provocam mudanças muito mais profundas que um simples comportamento pseudo-inclusivo, motivado muito mais por interesses econômicos que qualquer outra coisa.

    Metanóia neles !

    Curtir

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