Frank Miller, os Quadrinhos e o Cinema

Em 1987, é lançado o filme Robocop, com forte influência dos quadrinhos de Juiz Dredd, Homem de Ferro e de Batman: O Cavaleiro das Trevas. No ano seguinte, o produtor do filme convidou Frank Miller para escrever o roteiro de uma continuação. A versão final, entretanto, sofreu várias alterações passando por cima da vontade de Miller como autor.

FQCrobocop
Robocó!

Mesmo insatisfeito, Miller tentou mais uma vez, escrevendo o roteiro de Robocop 3, que sofreu ainda mais alterações dos produtores. Seu desgosto com o modo como de como Hollywood funciona, fez Miller afastar-se do cinema, tornar-se relutante às adaptações de suas obras, e preocupar-se mais com os direitos sobre suas criações.

O período em que passou morando em Los Angeles, alterando e adulterando os seus roteiros para os filmes de Robocop, serviu-lhe de inspiração para Sin City. Já o seu “roteiro perdido” de Robocop 2 ganhou status de lenda urbana ao longo dos anos, até ser adaptado para os quadrinhos por Steve Grant com desenhos de Juan José Rip, e foi publicado de 2003 a 2006.

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A Lama Fatal

Sin City, o filme, marca a reaproximação de Frank Miller com o cinema, após sua experiência negativa com as continuações de Robocop. Foi tudo graças à Robert Rodriguez, que acabou co-dirigindo o primeiro filme de Sin City. Robert apresentou um teste de filmagem a Frank Miller e sua ideia de pós-produção do filme. O teste foi divulgado pela internet na época e agradou tanto o autor como os fãs. A fidelidade entre as cenas do quadrinho e as cenas do longa metragem fez os envolvidos declararem que a HQ serviu quase como um storyboard de tão bem trabalhada cinematicamente.

FQCcapa
Frank Mix

O primeiro filme de Sin City saiu em 2005 e o segundo, Sin City – A Dama Fatal, demorou quase dez anos em produção tendo saído nas salas de cinema apenas em 2014, quando o interesse sobre a história já havia diminuído bastante. Da mesma forma foram grandes as diferenças entre as bilheterias de estreia dos dois filmes.

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THIS! IS! ESPARTILHO!

Entre um filme e outro de Sin City, Miller viu sua obra 300 de Esparta ser adaptada para o cinema pelo diretor Zack Snyder em 2006 e ganhar uma continuação em 2014 chamada 300: A Ascensão de Um Império, dirigido por Nam Murro, cuja história não existe nos quadrinhos.

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Ex-Pirit

Com o que aprendeu sobre esse estilo de cinema com Robert Rodriguez e Zack Snyder, Miller resolveu se lançar como diretor de películas ele mesmo, sozinho, em 2008. Sua primeira tentativa foi a adaptação para os cinemas do personagem Spirit, de Will Eisner. Segundo Douglas Wolk, o filme do Spirit deu ao trabalho de Eisner a maior recepção de suas criações desde os anos 40, o que se torna uma espécie de retribuição cármica por The Spirit ter sido uma das maiores influências de Miller em se início de carreira na Marvel. Com Gabriel Match no papel principal, como o policial sobrenatural de Central City, o filme de Miller desagradou ao público por utilizar o mesmo estilo de Sin City em um herói que devia ser mais bonachão e menos violento e casca-grossa. O filme foi um fracasso de bilheteria.

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2 Comments

  1. A matéria ficou muito boa. Gosto muito do trabalho de Miler nos cinemas, mas admito que The Spirit foi um chute nas partes íntimas, ainda mais pra mim que sempre gostei do herói e tive nos quadrinhos originais de Will Eisner muita influência para começar a desenhar.

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