A Fuga do Louco – Louco: Fuga, de Rogério Coelho

” E onde está neste delírio o lugar do eu humano?”
Antonin Artaud sobre Van Gogh.

As semelhanças entre a loucura de Van Gogh e a do Louco  de Fuga (2015), do Rogério Coelho, são evidentes: ambos sofrem com sua forma sensível de olhar a própria vida e o mundo ao redor.

O protagonista foge dos guardiões do silêncio – seres criados por um escritor para antagonizar os heróis das histórias; silenciar aqueles que fazem parte das narrativas.A Fuga do Louco o leva a viajar pelo tempo e pelas histórias do multiverso da Turma da Mônica e enxergar a possibilidade de vários mundos, várias formas dele mesmo.

LOUfuga

E isto é, para mim, o elemento que difere o FUGA não apenas das outras graphics MSP, mas de todo uma gama de belas histórias produzidas atualmente no Brasil. Desta vez não é uma graphic novel sobre um personagem em algum dilema , é uma teoria sobre O que são as narrativas, Como nos relacionamos com elas; e qual a importância delas na nossa vida.

Não pude deixar de me identificar com o Louco. Cada vez que eu me via transitando entre as histórias do Maurício e percebia que elas faziam parte dos escapes do Louco, eu lembrava que dia a dia a minha fuga se dá na Netflix, quadrinhos, romances, contos, poemas. Percebi que no fundo o Louco estava me contando sobre a minha loucura – e esta fuga interminável de encontrar um lugar para não ser silenciado.

LOUamostra

Embora soe como superficial, a questão trazida é muito profunda. Não serão vitimizados aqueles que conseguem enxergar o pássaro (como o Louco)? Serão os muito sensíveis, como era Van Gogh,diagnosticados como anormais, marginalizados ou até mesmo condenados?

Todo este dilema ainda vem acompanhado de uma arte maravilhosa. A palheta de cor parece muito variada e a composição de algumas cenas saltam aos olhos como se houvesse uma galeria inteira dentro de um único livro.

LOUrogerio

O discurso do louco é outro ponte forte da história. Ora parece claramente em primeira pessoa, ora soa como um foco narrativo de terceira. Parece um louco tentando contar uma história sobre muita coisa. Isto faz com que o roteiro, bem fragmentado e pontual, viaje em cenas oníricas e surreais, ou cotidianas (como na cena com a turminha, ao fim) e sem muita profundidade. É um misto que constrói uma grande referência para todos nós:

Podemos aceitar nossa loucura, fugir dos nossos próprios guardiões do silêncio e sermos heróis da nossa caminhada entre as histórias. Ou podemos desligar o livro, voltar para o computador e discutir sobre qualquer coisa na multifuncional e pragmática vida “real”.

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