10 Comics dos Anos 2000 Que Você Não Pode Deixar de Ler

Quando te falam 10 anos atrás, você pensa nos anos 2000 ou nos anos 90? O negócio é que muita gente parou de ler HQs no final dos anos 90 por causa de uma crise econômica real, que cada vez mais que eu converso com colecionadores de quadrinhos eles dizem o mesmo. Parei de ler nos anos 2000 e só voltei ali por 2005, o que dá mais ou menos uns 10 anos. Então, para você ir atrás do que perdeu listamos aqui 10 HQs destra época para que você vá atrás!


 

200novaDC: A Nova Fronteira | Darwyn Cooke

Minissérie lançada de 2003 a 2004 em 6 partes, depois encadernada como graphic novel. Parcialmente inspirada em Os Eleitos, de Tom Wolfe, a história é situada entre o final dos anos 40 e o início dos anos 60, contempla em tom saudosista e clima de crescente suspense o início da Era de Prata dos quadrinhos, o crescimento da Guerra Fria, os movimentos de direitos civis, culminando com o surgimento da Liga da Justiça. Na história, o governo proibiu os super-heróis de atuarem após o fim da II Guerra, fazendo do Macarthismo um reflexo na história do clima anti-quadrinhos dos anos 50. O traço estilizado de Darwyn Cooke, herança de seu trabalho como animador dos desenhos animados da DC, é marcado por um profundo saudosismo do estilo gráfico retro dos anos 50, com influências de Jack Kirby, Bruce Timm e dos desenhos do Superman dos Irmãos Fleischer. A série não leva o selo Elseworld, deixando para o leitor a tarefa de imaginar uma posição para a história dentro da cronologia da DC Comics.


 

200bullets100 Balas | Brian Azarello e Eduardo Risso

Iniciada em 1999, a série é inspirada em filmes policiais noir e histórias pulp, estiliscamente inspirado por Pulp Fiction, Os Suspeitos, Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes, bem como autores como Elmore Leonard e Raymond Chandler. Em cada história, o misterioso Agente Graves entrega uma maleta com 100 balas impossíveis de serem rastreadas, e do qual cada policial que tiver contato com elas será imediatamente afastado da investigação. A proposta é testar a capacidade da pessoa de levar até o fim um plano de vingança. Cada arco de história aborda uma pessoa diferente com motivações diferentes, para o qual é feita a proposta, sendo que nem sempre a proposta é aceita. Ganhou o Eisner em 2004 como melhor série limitada.


200fables

Fábulas | Bill Willingham e Mark Buckingham

Iniciada em 2003, a série retrata o que aconteceu com os habitantes do Reino das Fadas após serem forçados a se exilarem no mundo real, em Nova York. Com abordagem adulta, os principais personagens são o detetive Bigby Lobo “Lobo Mau”, a prefeita Branca de Neve, o cafajeste príncipe Encantado, o trapaceiro João, e os bizarros habitantes da Fazenda, composta por animais e criaturas não humanas dos contos de fadas.  Preencheu o vácuo de histórias de fantasia deixado por Neil Gaiman após o encerramento de Sandman. Até 2006, a série já recebeu 7 vezes o prêmio Eisner.

“Ele (Willingham) soube trabalhar o tema com seriedade e dar uma nova personalidade a cada um dos personagens dos contos de fadas. Nem todos são o que eram nos livros. Fica no ar o que Pinóquio faz numa das histórias. É algo que deixaria qualquer vovozinho morrendo de vergonha” (Paulo Ramos)

Leia uma pequena análise sobre Fábulas e o Faz-De-Conta.


 

200newNovos X-Men | Grant Morrison, Frank Quitely, Phil Jimenez e Outros

New X-Men (2000-2003): chamado por Joe Quesada para dar maior reconhecimento da crítica e relevância aos personagens, tendo em vista a formação de um novo público através das adaptações cinematográficas.  Introduziu uniformes padronizados, focou nos X-Men como professores e desenvolveu o conceito da “mutação secundária”. Limitou o foco em personagens mais expressivos, como Ciclope, Jean Grey, Wolverine, Xorn e Emma Frost. Criou a vilã Cassandra Nova.  Introduziu elementos surreais, bizarros e grotescos, trabalhando as mutações menos como superpoderes e mais como mutações científicas;

Leia 10 Fatos Sobre Grant Morrison que Talvez Você Não Conheça

“Temos que parar de falar ao público cada vez menor de fãs, e voltar à cativar a atenção do público em geral. Os fãs antigos leiam não importa o que seja. Não são eles que precisamos atingir; temos que deixar o título interessante ao público do mundo real. Temos que fazer X-Men e Marvel voltarem a ser assuntos em jornais, TV e revistas que estão em voga”, descreveu o autor em seu manifesto Morrison, uma espécie de guia editorial para sua run nos X-Men “Temos de recapturar o público universitário e moderno, porque este público está maior do que nunca. Graças à filmes e videogames, graças à sucessos como Buffy e Matrix, todo mainstream está pronto e motivado para consumir histórias de super-heróis (…)


200red

Superman: Entre a Foice e o Martelo | Mark Millar e Dave Johnson

Uma das HQs mais pedidas em republicação dos fãs para a Panini, ela traz uma nova perspectiva para o Superman; “O que aconteceria se o foguete que salvou o Superman da destruição de Krypton caísse na Sibéria e não no Kansas?”. Isso acabou tornando o Superman numa espécie de Stálin para o povo russo. Um homem que defende “Stalin, socialismo, e a expansão do pacto de Varsóvia” e não “A liberdade, a justiça e o mode de vida americano”, como faz o Superman atual. Também devemos destacar as versões socialistas de Batman e da Mulher-Maravilha. Por outro lado, o final da HQ dá uma outra perspectiva para a história. Esse final, entretanto não é obra de Millar, mas de Grant Morrison, que sugeriu tal encerramento.


 

200runFugitivos | Brian K. Vaughan e Adrian Alphona

Uma HQ de 2003 que vinha com a proposta de aproximar as HQs da Marvel com os mangás. Hoje, o desenhista Adrian Alphona é responsável por outro título de sucesso: Miss Marvel. A história da HQ fala de seis adolescentes descobrem que seus pais são, na verdade, supervilões. Rebelando-se contra a situação, tornam-se os Fugitivos, que são: Alex, o estrategista do grupo, Nico, possui o “cajado do absoluto”, Karolina, alienígena, Chase, filho de cientistas malucos, Gert, que controla mentalmente um velociraptor, e Molly, mutante superforte. A série cresceu em popularidade, em grande parte devido à caracterização dos personagens adolescentes, do grande senso de humor da história em geral, porém, quando Vaughan deixou os roteiros da série, ela se encontrou sem um destino e acabou sendo cancelada. Os heróis fazem aparições frequentes em séries que enfocam os adolescentes da Marvel.

Leia 10 Motivos Para respeitar Brian K. Vaughan


 

200autoAuthority e Planetary | Warren Ellis e Bryan Hitch e John Cassaday

Duas séries importantíssimas para o mercado americano pois deram outra cara para o selo Wildstorm de Jim Lee na Image e que fez crescer os olhos da DC Comics sobre ele. Logo, o selo Wildstorm já fazia parte da DC Comics. Enquanto em Authority, que era uma continuação da série StormWatch, Ellis deu uma visão militarista e extremista da autoridade de uma maneira maquiavélica, com os meios necessários para atingir o fim estabelecido. Planetary era uma espécie de laboratório de histórias explorando fenômenos surreais e fantásticos do século XX, muitas delas, histórias independentes, que vistas sob uma optica geral formavam um todo.

Em Authority, por exemplo, super-heróis tentando mudar o mundo com seus atos até as últimas conseqüências como, por exemplo, um genocídio. Notório por ter um casal gay de heróis, Apolo e Meia-Noite (metáforas para Superman e Batman), pelo alto grau de violência e escatologia, e pelo tratamento grandioso do visual, chamado de “quadrinho widescreen”. Já em Planetary, uma organização secreta que se apresenta como “arqueólogos do impossível”, rastreando a história secreta do mundo, através da investigação de fenômenos estranhos, monstros, antigas relíquias e heróis super-humanos.

Para saber mais sobre Planetary, clique aqui.


 

200aliasALIAS | Brian Michael Bendis e Michael Gaydos

Sob as mãos de Bill Jemas e Joe Quesada, a Marvel queria um selo que pudesse fazer concorrência com a Vertigo. Um dos primeiros a vir com uma proposta foi Bendis e essa proposta era a personagem que conhecemos hoje em dia como Jessica Jones. Há boatos de que Bendis queria usar outra Jessica detetive do Universo Marvel, a Jessica Drew, a Mulher-Aranha. Mas a Marvel não permitiu e ele foi usá-la mais para a frente em Novos Vingadores. Alias foi a primeira série do selo adulto Marvel MAX, que enfoca as desventuras da detetive boca-suja Jéssica Jones investigando casos do mundo dos super-heróis. A série se tornou polêmica por mostrar no primeiro número uma sequência de sexo anal entre Jéssica e Luke Cage e abrir a história com a palavra “fuck”.

Para saber mais sobre Jessica Jones, clique aqui.


 

200powerPoder Supremo | J. Michael Straczinsky e Gary Frank

Outra série de grande sucesso do selo MAX, a proposta de Poder Supremo era trazer ao mundo uma versão realista da equipe Esquadrão Supremo, a versão Marvel da Liga da Justiça. A história começa com a criação de Hypérion – o Superman do Esquadrão – pelo governo norte-americano, de forma que ele é tornado uma experiência dos militares e é transformado em uma arma de guerra. Até que ele se rebela contra esse uso e tudo começa a mudar no mundo. Começam a aparecerem outros personagens com poderes e como a sociedade começa a lidar com eles. Inspirado em outro sucesso de Straczisnky, um pouco anterior a Poder Supremo, chamado Rising Stars – Estrelas Ascendentes, da mesma forma que a série anterior, Poder Supremo demorou muito tempo para ser concluída, passando por diversos autores. Aqui no Brasil só foi publicada fase de Strazinsky. O roteirista também é responsável pela série de sucesso do Netflix chamada Sense8.

Para saber mais sobre o Esquadrão Supremo, clique aqui.


200ultima

Os Supremos | Mark Millar e Bryan Hitch

Iniciado em The Ultimates #1, é o equivalente aos Vingadores no universo Ultimate.  Concebido como uma equipe mantida pelo governo para pesquisar a fórmula do soro do super-soldado, que deu origem ao Capitão América durante a 2º Guerra.  Diferente dos demais títulos da linha Ultimate, cada arco é concebido como uma história fechada, trabalhada sob a ideia de ser um “filme em quadrinhos”. Assim, a primeira série é chamado The Ultimates, a segunda, The Ultimates 2, e assim por diante.  Voltado para um público mais adulto, possui grande influência e crítica ao momento político pós-11 de setembro, colocando a criação do super-grupo como uma reação do governo Bush à escalada do terrorismo.

Os personagens são baseados em atores reais. Nick Fury, além de negro, é desenhado à semelhança do ator Samuel L. Jackson. Hank Pym bate em sua mulher, a Vespa; Bruce Banner é obsessivo na criação do soro do supersoldado, que dá origem ao Hulk, por sua vez o Hulk tem tendências canibais; A postura “anos 40” do Capitão América em constraste com os hábitos novo milênio; Thor como um líder new-age cuja divindade é mostrada sempre de forma ambígua; Ambigüidade sexual na relação entre Feiticeira Escarlate e Mercúrio.


 

Talvez você não concorde com a minha lista e ache que devam ser incluídos outros quadrinhos americanos nessa lista. Claro, sempre vai haver quem não concorda, mas vale lembrar que os quadrinhos aqui colocados vão de 1999 a 2004, beleza! Um abraço!

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12 Comments

  1. Que lista mais perfeita, realmente muitos títulos que deram uma repaginada e até hoje ainda servem de base para os quadrinhos. Foi uma época excelente ao meu ver onde saíram da mesmice, como colecionador era muito empolgante na época ver o novo tom que se percebia nos quadrinhos.

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  2. Os anos 2000 foram ótimos para os quadrinhos, teve Y: O Último Homem, Gotham Central, Justiça, Superman – Identidade Secreta, Crise de Identidade, Homem Aranha – Azul, Demolidor do Brian Bendis, The Walking Dead…
    Fico indignado quando vem um purista me dizer que só quadrinho antigo é bom!
    Atualmente mesmo, tem muito material de qualidade contemporâneo por aí!

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    1. Também odeio quando dizem que nos bons tempos eram melhores. Significa que a pessoa envelheceu e não acompanhou o andar da carruagem! Abraços!

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  3. Lista excelente! Poder Supremo foi uma das melhoras leituras que já tive o prazer e não sabia da sua conclusçao, Entre a Foice e o Martelo ótima, Planetary é um marco e New X-Men do Morrison foi um divisor de águas da franquia. Ainda sonho com a volta dele aos X-Men.

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