Crise nas Múltiplas Terras: Ano Um

Gostou da aparição do Flash da Era de Ouro, Jay Garrick, no seriado do Flash? Aquele que tem o capacetinho de Mercúrio. Que já foi chamado de Joel Ciclone no Brasil. Sim, essa aparição abriu o mundo das séries da DC como nenhuma outra. Então aproveite para acompanhar esse texto de Mark Waid explicando como começou a confusão das várias terras que compõem o Universo DC.

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Essa coluna quer quebrar minha coluna!

“Lá pelo inverno de 1940, apenas dois anos e meio depois do sucesso de um incrível personagem chamado Superman ter transformado o difícil meio das “revistas em quadrinhos” numa nova corrida do ouro, as bancas de todo o país estavam transbordando gibis – e o s gibis, por sua vez, estavam cheio de heróis de fantasia de todos os tipos. Porém, por nenhum o personagem – nem mesmo o Superman – ter um título próprio, os fantasiados dividiam revistas de antologia como Feature, Marvel Mystery e Flash Comics.

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Os quadrinhos dos seus tênis de lona!

Os heróis de All Star Comics, da DC, eram a exceção. Em vez de coloca-los disputando a atenção do leitor, o editor Sheldon Mayer e Gardner Fox pensaram: por que não fazê-los trabalhar juntos? Em All Star 3, Mayer e Fox reuniram os melhores novos personagens da DC – Flash, Gavião Negro, Lanterna Verde e outros, nove no total – numa equipe chamada Sociedade da Justiça. De longe, essa ideia foi uma das melhores (e mais copiadas) que qualquer pessoa na indústria dos quadrinhos já teve. Pelo resto da década, enquanto a onda dos super-heróis ditava os rumos do meio, a SJA estava em sua crista, estrelando algumas das mais empolgantes, queridas e lembradas histórias da Era de Ouro.

No início dos anos 60, no entanto, o gosto dos leitores tinha mudado. Quadrinhos de terror, histórias de crimes “verídicos”, velho-oeste e contos de guerra ditavam a onda da indústria. Super-heróis não eram mais tão legais quanto costumavam ser. Por baixo dos panos, a DC parou a publicação da Sociedade da Justiça em 1951, deixando seus personagens no limbo… Tal coisa, ironicamente, foi outra das melhores ideias que qualquer pessoa na indústria já teve… pois deixou o campo livre para o renascimento que acabou nos trazendo o melhor de todos os mundos.

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I’m coming! Ooooh! I’m Coming! Ooooh!

Em 1956, Julius Schwartz (que tinha assumido a All Star depois da aposentadoria de Mayer), decidiu relançar o Flash, mas apenas o nome e os poderes. Ele continuaria sendo o Homem Mais Rápido da terra, mas todo o resto, do uniforme à identidade, seria totalmente diferente. E de tão bem feita, a reintrodução do Flash iniciou uma avalanche de outros relançamentos que hoje são conhecidos como a Era de Prata dos quadrinhos. Mesmo o conceito característico da SJA foi revisto com a Liga da Justiça, em 1960.

Ainda assim, apesar do triunfo da Liga da Justiça, Schwartz e Gardner Fox ainda tinham uma vaga em seus corações moles reservada para os heróis de ontem, mas trazê-los de volta requeria inovação. Não era simplesmente uma questão de colocar o lanterna Verde para ver como andavam os velhos heróis. Schwartz já tinha estabelecido, pelo menos para o Flash “moderno”, que os heróis da Era de Ouro eram ficção.

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Olha,a Mãe Dinah Lance saiu da nossa bola de cristal!

Para alguém tão criativo quanto Gardner Fox, entretanto, era um probleminha de nada.

Em 196, nas páginas de Flash 123, o Flash da Era de Prata acabou tropeçando na sua contraparte da Era de Ouro quando, por acidente, acabou quebrando a barreira entre seu mundo e uma Terra paralela praticamente idêntica onde a Sociedade da Justiça original havia se aposentado anos antes. Tal história, O Flash de Dois Mundos, cativou os leitores da época, dos quais a maioria nem sequer imaginava que tinha existido outro Velocista Escarlate. Os fãs exigiram uma continuação, e depois outra. Em milhares de cartas, imploraram a Schwartz por mais dos heróis da Era de Ouro, que continuassem atravessando a “barreira vibratória” que separava a Liga da Justiça da Terra-1 dos membros da Sociedade da Justiçada Terra- 2 – e, depois de meses atiçando, Schwartz e Fox realizaram os desejos de todos fazendo o velho e o novo dividirem o palco na primeira de uma história de duas partes.

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Quem guardou Sindikato do Crime da Amerika podre na geladeira?

A empreitada foi tão bem sucedida que, pelo próximo quarto de século as reuniões entre LJA e SJA eram um evento anual nos números de verão de Liga da Justiça. E, com cada feito heroico – ou “Crise”, como invariavelmente refletia o título das histórias – a SJA aproveitava mais e mais a nova fama, gradualmente passando de “convidados” para “co-protagonistas” e até tirando a Liga completamente da revista em uma mês de 1968, em Liga da Justiça 64. As “crises” de verão eram um evento que garantia as vendas e nunca perdiam a graça pela formação da Sociedade ser muito maior e fluida que a da Liga, todo ano permitia a Schwartz e Fox reintroduzirem mais um punhado de heróis da Era de Ouro – e em 1973, assim que todos os defensores da Terra-2 tinham voltado ao serviço e seus roteiristas começavam a estender as fronteira dimensionais para incorporar heróis “esquecidos” de outras terras. Os times visitaram a Terra-S, lar do Capitão Marvel e sua família, a Terra-X, onde os Combatentes da Liberdade enfrentavam os nazista; e até a Terra Primordial, nosso mundo. Enquanto isso acontecia, o vácuo dimensional aparentemente continha um número infinito de mundos…

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Crise nos Infinitos Governos da Dilmaaaaaaarrrggghhh!

…até que a “crise” de 1985 tornou-se a maior reunião de super-heróis de todos os tempos. Crise nas Infinitas terras foi uma maxissérie de uma ano inteiro que colocou os heróis de todos os mundos contra uma ameaça em comum. No fim, a virtude triunfou – mas não sem que todas as infinitas realidades paralelas da DC fossem condensadas em uma única Terra. Então, de repente, após vinte anos, Liga e Sociedade da Justiça existiam lado a lado. De repente, as reuniões não eram mais os eventos de verão. Agora eles poderiam visitar uns aos outros quando quisessem… e, por mais estranho que fosse, isso não acontecia.

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Jota È, Se Há!

Talvez a novidade tivesse finalmente acabado. Talvez os heróis da Era de Ouro fossem relíquias de um tempo passado. Seja qual fosse o motivo, as reuniões anuais entra a SJA e a LJA pararam de acontecer. Elas se tornaram algo para ser lembrado pelos nostálgicos.

Mas assim como aconteceu em 1950, os gostos e vontades mudaram outra vez. Em 199 a SJA – renovada e revitalizada – voltou com uma nova série superando todas as expectativas e se tornando um sucesso. Recolocada no topo do UDC, a Sociedade da Justiça mais uma vez pode juntar forças com a Liga. E quaisquer que sejam as grandes e gloriosas sagas que virão desses encontros novos, foi assim que tudo começou”.


 

Mark Waid, na introdução do encadernado Crise nas Múltiplas Terras – Volume Um, da DC Comics/Panini Books, que saiu no Brasil em agosto de 2008. A tradução é de Mario Luiz C. Barroso.

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