Melhores Leituras de Janeiro de 2016

Então começou 2016. Com muitas mortes de astros, com catástrofes, guerras, homicídios. As pessoas esperam muito do ano, mas o que será que o ano espera das pessoas? – parafraseando a tirinha abaixo da Mafalda. Vamos às melhores (e a pior) leitura do mês que se passou.

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AS MELHORES LEITURAS:

MELstormSTORMWATCH: VOLUME 4

Warren Ellis, dessa vez fazendo par com Bryan Hitch, faz nessa edição o que ele faz de melhor. E o que ele faz de melhor é criar versões da Liga da Justiça. No caso deste volume, ele cria o Authority, mas não bem o Authority como o conhecemos, mas uma proto-versão dele, da qual faziam parte Apolo e Meia-Noite. Essa era uma equipe secreta do Homem do Tempo original. Mas a maoir contribuição para o Universo Wildstorm e para o Multiverso DC, vem na história seguinte, em que ele dá luz a Sangria: um mar de partículas desconhecidas que flutuam entre realidade e que, através dela é possível ver outras dimensões. Isso é outro exercício que Ellis faz bem: imaginar possibilidades de existências de outros universos, como explicou, por exemplo em Ultimate Quarteto Fantástico: as dimensões existem como uma pilha de panquecas e a Sangria seria o caldo de bordo (maple siroup) sobre e entre elas.


MELastro

ASTRO CITY: PORTAS ABERTAS

Na verdade este mês eu li dois volumes de Atro City, a obra-prima de Kurt Busiek, Alex Ross e Brent Anderson. Foram Portas Abertas – que é a renumeração da série em uma nova edição, agora pela Vertigo – e Álbum de Família – que continua as aventuras na cidade, com terceiro volume em ordem cronológica. Gostei mais de Portas Abertas, o que é sinal de que apesar de anos distantes da cidade, o trio ainda consegue entreter os leitores acostumados com outros tipos de leitura. Em Portas Abertas, a história começa com o Homem Quebrado se dirigindo para o leitor e avisando dos perigos de uma aporta gigante sobre o rio de Astro City. Assim, Busiek e Anderson sabem como aproveitar o ritmo dos quadrinhos para conduzir a leitura e o texto pelo caminho que bem entendem, dando a sensação ao leitor de estar xeretando nos pertences do Homem Quebrado, nos levando a questionar se o leitor não é mesmo um xereta adentrando sem permissão a vida dos personagens. Bem, uma questão Grant Morrisoneana que temos de deixar para depois. Bom saber que ainda temos pelo menos mais cinco álbuns de Astro City para xeretar.


 

MELmauricioMAURICI80

Bem, eu vou ter que confessar que comprei essa HQ por engano. Achei que era a quadrinização da vida do Maurício pela homenagem de vários artistas. Descobri, depois que comprei que essa edição eu pensava foi reprogramada para mais tarde. Entretanto, não me arrependi de ter comprado esse Maurici80, feito nos estúdios MSP, pelo roteirista Flávio Teixeira de Jesus e o desenhista Jairo Alves dos Santos. Logo no começo há uma homenagem ao Multiverso do Morrison com um mapa do Multiverso MSP. Na história acompanhamos a vida de Maurício e ele sendo visitado por seus gênios da inspiração. Destaque aqui para os designs dos gênios. Maurício passa por sua infância, onde cria a Turma da Mônica e são apresentadas algumas das tirinhas originais. Depois na adolescência, quando cria Piteco e Horácio e a juventude quando cria Astronauta e Tina. Uma HQ bem divertida, dessas da nova safra de HQs da MSP cheias de referências e homenagens como os leitores da Turma da Mônica aprenderam a gostar.


 

MELfarFAR SOUTH

Esse álbum saiu ano passado pelo Stout Club. Escrito por Rodolfo Santullo e desenhado pelo artista de Justiceiro MAX Leandro Fernandez, vai trazer identificação aos gaúchos e moradores das fronteiras com os Hermanos. A história se passa na fronteira, mas uma fronteira que poderia ser tanto no Brasil, na Argentina, Uruguai ou Paraguai. É uma história crua, mas que vai num crescendo. A princípio parecem que são historietas de causos desligados uns dos outros, mas na verdade as histórias se passam no mesmo tempo e espaço. Apesar das primeiras histórias não chamarem tanta atenção, a bagagem que o leitor vai ganhado durante a leitura é que faz essa HQ ser especial, pois é ela que vai fazer quem lê ligar os pontos e chegar até seu ribombante final. Os desenhos de Fernandez, aqui, estão mais caricatos do que estamos acostumados a ver na Marvel. Estão mais para uma revista Fierro do que para a Marvel Comics. O que não tira pontos da HQ, muito antes pelo contrário.


 

MELtommyO INESCRITO: TOMMY TAYLOR E O NAVIO QUE AFUNDOU DUAS VEZES

Este é um bom ponto de início para ler as aventuras de O Inescrito, o menino-bruxo/menino-real-literário criado por Mike Carey e Peter Gross. Aqui acompanhamos a primeira aventura desse pseudo-Harry Potter, ou seja, o que acontece no seu primeiro livro. Durante a série O Inescrito, temos pequenas pinceladas da série aqui e ali, mas nunca sabemos como exatamente é a história dos livros de Tommy Taylor. Ao mesmo tempo que discorrem a história, Carey e Gross nos mostram os bastidores da criação: como foi que Wilson Taylor, escritor e pai de Tom Taylor, chegou às inspirações para o livro do Navio Que Afundou Duas Vezes. A história é muito divertida e compele o leitor a virar páginas e páginas da mesma forma saborosa que faz um livro de Potter de J. K. Rowling. Além disso, a nossa dupla de criação original chamou dois artistas de livros infanto-juvenis, Kurt Huggins e Zelda Devon para fazer a arte da parte que conta a história fantasiosa. O resultado é fascinante. Quem nunca leu as histórias do Inescrito vai babar e quem já acompanha vai embarcar numa aventura onde o conhecimento vai emergir e o navio vai afundar – duas vezes.


 

MENÇÕES HONROSAS:

COLEÇÃO MARVEL TERROR: MOTOQUEIRO FANTASMA: VOLUME UM

BATMAN: ANO DOIS – A NOITE DO CEIFADOR


 

A PIOR LEITURA:

MElcoringaBATMAN, CORINGA & O MÁSKARA

Bem, esse gibi saiu lá em 2001, ainda pela Editora Abril. Mas eu fui atrás dela mesmo assim, porque imaginei que uma combinação desses três personagens daria uma combinação hilária, ou, no mínimo, interessante. Só que não. Na verdade, na história o Coringa acaba virando o Máskara e pegando os poderes do objeto encantado de criar objetos do nada para si. Os autores não sabem situar a história nem no universo animado do Batman, nem no universo do Máskara e nem no universo dos quadrinhos, o que causa um certo desconforto de quem lê, pois não sabemos se a história foi feita para crianças ou adultos. Temos uma história boba e inocente, mas com piadas pesadas, por exemplo, que não se apresentariam para crianças. Mas as tiradas também são fracas e os personagens muito, muito mal aproveitados. Enfim foi a decepçãozinha do mês em termos de leitura, porque em termos de humanidade, elas foram infinitas.


 

O JABÁ:

BoysLoveBOYS LOVE EM QUADRINHOS E QUADRINHOS: DO INÍCIO AO FIM

Uma das alegrias deste mês foi ter recebido finalmente um exemplar da coletânea Boys Love em Quadrinhos da Editora Draco. Uma coletânea de 6 histórias de 20 páginas, em estilo yaoi, sobre amor entre garotos. Você pode adquirí-lo através do site da Editora Draco. Uma das histórias, Anéis de Saturno, tem roteiro meu e desenhos da incrível Ju Loyola. Também em janeiro, ministrei na Galeria Hipotética, o minicurso sobre o autor Neil Gaiman, falando principalmente de Sandman. Mas não a caba por aí, dia 12 de março começa o curso Quadrinhos Do Início Ao Fim, com as meninas do Estúdio Complementares. Eu fui convidado para ministrar o primeiro módulo, sobre roteiros, com a sensacional Ana Luíza Koehler, a auora do lindo álbum Beco do Rosário. Quem tiver interesse em realizar o curso, clique no site da Galeria Hipotética. Serão todos os sábados, a partir das 14h. Confira!

 

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