O Fator Fan Service Nos Personagens Masculinos de Super-Heróis

Você sabe o que é fan service? É quando o autor de um quadrinho coloca um personagem em uma situação em que as partes do seu corpo ficam mais à mostra, prestando um “serviço” aos fãs. Hoje vamos falar sobre como isso começou a afetar os personagens masculinos dos quadrinhos de super-heróis.

Não tem como negar que o fan service vem sendo usado há muito tempo no caso de personagens femininas dos quadrinhos de heróis. Bons exemplos de muito tempo atrás são a Tempestade dos X-Men, nua em meio a um temporal, ou nadando sem roupas na piscina da Mansão Xavier. Também temos o exemplo de Estelar, do Novos Titãs, que, ao não compreender muito a nossa cultura, usa vestes mínimas. E claro, as bad girls dos anos 90, como por exemplo Witchblade, criação de Marc Silvestri, que tinha um artefato místico que mal cobria suas partes pudendas.

Com o passar dos anos, esse fato de “descobrir” o corpo feminino foi se tornando condenável e personagens como a Safira Estrela e a Mulher-Aranha acabaram ganhando uniformes mais condizentes. Entretanto, como uma onda reversa, nos dias atuais os homens das revistas de super-heróis começaram a passar a ser entendidos também como objeto de desejo de leitores e leitoras e – apesar de seus uniformes colantes já serem coladinhos o suficiente – aparecer nus em suas histórias e revistas, como uma espécie de serviço para agradar fãs mulheres e gays.

Muito dessa “descoberta” por parte das editoras vêm do fato que os fãs desenhistas dessas publicações vêm produzindo material sensual e erótico com esses personagens. (você pode conferir aqui e aqui) . Muitas vezes eles shippam personagens – da palavra “friendship”, forma casais – entre personagens homens dos quadrinhos de heróis. E isso não agrada somente a homens gays. Mulheres são grandes consumidoras desse tipo de material. As “chans”, que curtem yaoi – uma espécie de quadrinho erótico japonês voltado para meninas que curtem homens se pegando. Além disso é usada a regra 34 da internet que diz que “se alguma coisa existe haverá pornô sobre ela”, rememorando o tempo dos Catecismos e das Tijuanas Bibles (comentadas neste artigo).

Alguns atores do filmes de Vingadores, como Chris Evans (Capitão América) e Robert Downey Jr. (Homem de Ferro) Já foram confrontados em programas de auditório com suas versões fanart fazendo sexo. O mesmo aconteceu com Michael Fassbender (Magneto) e James McAvoy (Professor X), dos filmes dos X-Men.

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A “jogada” do Gambit.

Ao reparar isso, a editoras ficaram sabendo que sim, seu público não quer consumir apenas heroínas saradas peitudas e boazudas, mas também quer alguns “beef cakes” – “pedaços de carne” – masculinos. É o caso hoje em dia de personagens como o Gavião Arqueiro e Hercules da Marvel. O novo visual de Hercules inclui até o famigerado coque samurai. Mas na Marvel nenhum personagem rendeu tanto fan service quanto Gambit na revista do Novíssimo X-Factor, principalmente em uma história que envolve gatos.

Já no lado da DC temos o caso da dupla Grayson (o primeiro Robin) e Meia-Noite (a versão gay do Batman), que além de servirem como beef cake nas suas revistas, acabaram causando frisson no mundo feminino que curte quadrinhos e no meio gay por, em uma história – compartilharem de uma sessão de sauna. Vale ressaltar que a DC escolheu bem o desenhista para as histórias de Grayson: o espanhol Mikel Janín, que faz homens lin´disimo, não apenas de corpo, mas de rosto. Até Constantine parece um gentleman nos seus desenhos da Liga da Justiça Dark.

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Só resta imaginar…

O fato é que durante anos, assim como Tempestade e Estelar, Dick Grayson, o Asa Noturna, permaneceu como um símbolo sexual para os gays, que não tinham nem voz nem vez nos quadrinhos. Sonhar com um relacionamento gay entre Batman e Robin era só o que lhes restava. Hoje em dia isso é possível. Mesmo que sejam só flertes de Meia-Noite para com Grayson na sauna. Ou seja, se pode haver uma política de fan service para que os homens heteros se deleitem, porque não o contrário? Sinais da evolução do público e da indústria de quadrinho de super-heróis, que apenas vai na onda daquilo que pode lhe render mais dinheiro.

BEEgaryson
Góticos Suados na Linha Banheirão
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6 Comments

  1. Muito bom o post, eu não acreditava em fan service masculino, sempre que via alguma coisa desse tipo ficava em duvida se era o desenhista ou só minha cabeça suja, porem algumas paginas de Fabulosos Vingadores desenhadas pelo Olivier Coipel me convenceram de que os tempos realmente estão mudando. Hoje em dia os gays e mulheres héteros tem muito mais voz e depois das minhas andanças pelo tumblr descobri que existe bastante demanda pra esse tipo de fan service.
    Capitão por Olivier Coipel: http://siguealconejoblanco.es/comics/wp-content/uploads/2013/07/marvel-now-Uncanny-Avengers-5_02.jpg

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    1. Obrigado, Miguel! O Coipel entende do riscado, porque também é do lado lado colorido da força. Ele namora um brasileiro e fala muito bem o português. Nada mais justo que ele nos trazer uns beef cakes. Abs!

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  2. Ótimo artigo e inclusive eu tava lendo mais ou menos sobre isso ontem (mas era uma crítica às famosas gostosonas). Uma coisa que eu reparei é que nós homens, sejamos homo ou hétero, somos muito visuais.

    Não sei se isso é uma questão fisiológica ou se apenas fomos condicionados a perceber assim, mas é fato que nós nos atentamos muito mais a detalhes do visual. Pegue o Hércules dessa imagem mesmo: eu vejo ele como a tal da power fantasy, eu queria ter aquele corpo pq eu ia me sentir um deus grego. Mas aí eu pensei: “o que impediria um gay de se sentir sexualmente atraído por isso? Nada, eu acho”.

    É por isso que acho que muitas mulheres batem tanto nessa tecla (e em vários casos elas têm razão, pq as mina tá lá só de enfeite tesudo mesmo), mas os homens parecem não estar nem aí. O Asa Noturna sempre fez sucesso entre elas, mas acho que era mais por causa de porte (vejo elas se importar mais com expressão e estilo do que com corpos em si. Pode ver que o Gambit tá mó cheio de charme na capa) e os homens de ambas as sexualidades parece abraçar isso. Ou pelo menos é assim que eu vejo. E claro que existem aquelas que se atraem pelos corpos saradões, mas eu tô generalizando mesmo. É um assunto que dá muito o que se pensar e discutir.

    PS: Não sabia que o Coipel é gay, muito menos que ele namora um brasileiro (mas isso explica porque o cara tá SEMPRE no Brasil).

    PS2: Eu só discordo da Tempestade nas cenas que você disse. Pra mim ela sempre foi uma naturista e essas cenas mostravam mais o conflito dela com a sociedade que obriga a usar roupas. Mas até aí eu também sou da ideia de que a gente só deveria usar roupa no frio e em temperaturas amenas todo mundo andar nu, então por isso que entre em conflito. Mas esse sou eu. :p

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