Como as Editoras de Quadrinhos Podem Evitar #fail ?

Com tantas campanhas de editoras de quadrinhos recebendo um hashtag fail de seu público, não seria a hora dessas empresas prestarem mais atenção no que estão fazendo e consultar mais seu público? Para isso apresento ferramentas de comunicação: o mercado e as sessões-teste, o cliente oculto e o ombudsman. Vamos falar mais sobre eles a seguir.

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Esse bigode é #fail!

Na segunda década do século XXI, a representações sociais estão em voga e saber apresentar bem os personagem faz uma boa diferença na popularidade dos mesmos no mercado consumidor. Isso pode influir na imagem de uma editora sobre o seu público e aumentar ou diminuir as vendas. Ao mesmo tempo erros de comunicação também são passíveis de influenciar esse fluxo. Um exemplo foi um anuncio no facebook da editora Mythos que vendia uma caixa com a coleção de histórias pulp da Dynamite – que foram muito criticadas pela blogosfera – com a chamada “Quem sabe o mal que habita nessas edições?”. Um trocadilho com a frase mais conhecida do herói O Sombra, que se tornou uma piada pronta, já que as histórias eram terríveis.

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#fail sem SOMBRA de dúvida

Clique aqui e leia uma crítica sobre O Aranha, uma dessas HQs mais criticadas, que foi uma das piores do ano de 2014.

Os grandes estúdios de Hollywood já trabalham com isso. Sempre antes de um filme ser lançado, é feita uma sessão-teste com jornalistas, pessoas do meio e influenciadores. Essa é a oportunidade que os estúdios usam como termômetro para seus filme e é a última chance de modificar a película antes de sua apresentação para o grande público. Essa é uma forma de testar o produto. Outra forma muito utilizada no marketing, é o mercado-teste. Localidades que são muito resistente a determinados tipos de produtos, como Curitiba e Porto Alegre, são experimentadas antes de aquele fabrico ter distribuição nacional. Refrigerantes como Mountain Dew e Pepsi Twist foram testados nessas localidades. Isso já foi feito muito com os quadrinhos nos anos 2000 – a tal distribuição setorizada – mas ela não funcionava como teste, mas sim, uma forma de diminuir o encalhe das revistas em quadrinhos. Um caso que talvez possa ser destcado como mercado-teste foram as edições da Salvat e da Eaglemoss. A coleção do Asterix, por exemplo, por não encontrar mercado nas localidades teste acabou descontinuada.

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Um produto com exemplo de mercado-teste que deu certo: Pepsi Twist.

Vemos cada vez mais as editoras americanas pisarem na bola com capas e personagens, tentando dar estofo a sua linha de quadrinhos. Vemos sempre as editoras estadunidenses se envolvendo em polêmicas como a das capas de Milo Manara envolvendo a Mulher-Aranha ou a capa de Rafael Albuquerque envolvendo a Batgirl. As acusações não são levianas e nem podem ser ignoradas. Mas podem ser evitadas ou reparadas de uma forma íntegra e sem ruídos na comunicação, algo que acontece diretamente com a maior editora de quadrinhos do país, a Panini Comics. Para que isso não ocorra, sugiro duas ferramentas da comunicação, que parecem novidade, mas estão aí desde muito tempo.

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Vai popozuda, vai descendo até o chão! Vai que sua moral já está baixa também!

Leia mais sobre a polêmica das capas de Milo Manara aqui nesse link.

Leia mais sobre a polêmica da capa da Batgirl por Rafael Albuquerque nesse link.

Para começar, o cliente oculto, ou cliente misterioso. Uma ferramenta usada por empresas de pesquisa de mercado para avaliar a qualidade do atendimento de um empresa ou para avaliar os seus produtos e serviços perante seu público consumidor. Ela funciona com determinadas pessoas não identificadas se passando por clientes para depois fornecerem um relatório detalhado para as empresas. Essa ferramenta começou a seu usada nos Estados Unidos nos anos 40 como uma forma de medir a eficiência e integridade dos funcionários. Porém, com o advento da internet essa forma avaliativa se popularizou e tornou as medições e pesquisas mais fáceis. Para as editoras de quadrinhos os clientes ocultos poderiam funcionar como uma sessão ou mercado-teste. Com uma massa heterogênea de avaliadores de suas publicações pertencentes a diversas classes, camadas, orientações e gêneros, mas que essas características estivessem ocultas da empresa. Funcionando como um estrategia inversa para atingir equidade, igualdade e integridade para suas revistas.

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Fale com nosso Ombudsman!

Então, indo para o lado do remediar e não do prevenir, surge  a figura do Ombusdman Editorial. Um dos meios de comunicação pioneiros a utilizar a figura do Ombudsman de Imprensa no Brasil foi a Folha de S. Paulo e, nos EUA, o jornal Washington Post. Essa palavra de origem sueca significa “representante do povo”, que poderia ser simplificada em bom português como “ouvidor”. Essa figura tem o papel de ouvir as reclamações, críticas e sugestões do público, bem como atuar como uma espécie de diplomata, mediando conflitos entre a empresa e seus consumidores. Apesar de o cargo ter surgido em 1809, para servir de uma espécie de intermediário entre o rei e o povo, atualmente o termo é usado tanto no âmbito privado como público para designar um elo imparcial entre uma instituição e sua comunidade de usuários.

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Se é Liga da Jusiça, a vida toda enguiça!

Tudo é uma questão de otimizar a comunicação entre uma empresa e seu público, fazendo com que o produto passe por uma gama cada vez maior de “testadores”, antes de atingir a grande massa ou o nicho. E, infelizmente, comunicação é o que tem mais feito falta entre as editoras de quadrinhos e o seu público. Por isso acabam acontecendo tantos #fails como a LIGA DA JUSIÇA, da Panini Comics.

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