… e Tudo Começou Com a: Patrulha do Destino, de Grant Morrison, Richard Case, Doug Braithwaite e Outros

A série mensal da Patrulha do Destino foi um laboratório para que Grant Morrison testasse suas esquisitices narrativas. Esses elementos acabaram sendo reaproveitados por Morrison e outros escribas para tornar narrativas suprarreais, metalinguisticas e dadaístas. Menos esquisita do que é vendido, a Patrulha do Destino é uma forma de entender que heróis não precisam atender a um perfil de conduta ou de anatomia. Mas vamos ver isso mais detalhadamente.

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Victor Von Doom não curtiu isso!
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Tesouras e tesouros.

A Patrulha do Destino original foi criada em 1968 por Arnold Drake. Era uma tentativa de se aproximar da Marvel, com seus heróis imperfeitos. Havia o Homem-Robô, um piloto  cujo cérebro foi preservado em um corpo mecânico; a Mulher-Elástica, cuja carreira foi encerrada com o escândalo dela poder aumentar seu corpo; o Homem-Negativo, que dividia a existência com o Ser Negativo e cujo corpo era todo enfaixado. Por fim, era liderados por Niles Cable, o Chefe, um grande cérebro inventivo encerrado numa cadeira de rodas. Podemos ver que os conceitos da Patrulha do Destino e dos X-Men eram bem parecidos. Tanto é que durante o evento Amálgama, as duas equipes se fundiram formando a Patrulha-X.

Quando Morrison assumiu a revista, em 1988, ele queria destacar a anormalidade da equipe em contraposição à normatividade dos outros super-heróis da DC. Ele consegue isso com primor logo nas primeiras cenas ao acompanharmos o ataque de fúria do Homem-Robô por estar preso em um corpo mecânico. Depois, somos apresentados à Crazy Jane, cuja mente encerra 64 personalidades, cada uma delas capaz de um poder. Então se forma Rebis, a fusão do Ser Negativo, com Larry Lance e a Doutora Eleanor Poole (que por acaso também é o nome da filha de Deadpool): a fusão dos três forma um ser hermafrodita que atende pelos três nomes. A última história do primeiro encadernado enfoca Dorothy Spinner, uma adolescente com aparência simiesca que pode dar forma às suas mais terríveis fantasias.

Personagens Normais Não Têm História? Saiba Mais Nesse Link!

Patrulha-do-Destino-pg013-034-09Mas o que pode ser destacado da Patrulha do Destino, agora lida quase 30 anos depois de sua REcriação, é que vários dos conceitos utilizados ali foram retrabalhados por outros escribas e também pelo próprio Morrison. Vemos que, apesar de quase totalmente inédita no Brasil, as histórias da Patrulha inspiraram e influenciaram muita gente, mesmo que não de propósito. A seguir, mapeamos alguns casos.

De Onde Vêm Essas Ideias Loucas do Grant Morrison?  Demos um chute nesse link.

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O estrelato subiu à sua cabeça!

Pra começar, o conceito da Patrulha, uma equipe que age globalmente, são esquisitos que não se encaixam no mundo e suas ações não são conhecidas pelo público mundial, passando em brancas nuvens, encaixa com o conceito que Morrison veio a trabalhar em Os Invisíveis, logo depois de encerrar seu trabalho com a Patrulha do Destino. Ao mesmo tempo nas páginas de Patrulha do Destino estão plantadas as sementes de Multiversidade, sua mais recente saga na DC Comics, em que a leitura de um quadrinho influencia coisas que acontecem em outro mundo e a mente de quem as lê. Durante o arco O Colecionador de Borboletas, Crazy Jane assume uma personalidade que tem uma miniestrela no lugar de sua cabeça. Isso se assemelha muito ao conceito do personagem Xorn, dos Novos X-Men do próprio Morrison.

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Ele é Legião!

Há alguns meses, a Fox anunciou a série televisiva do Legião, baseado nas histórias do mesmo em X-Men: Legado. A série, escrita por Simon Spurrier sobre ideias desenvolvidas por Zeb Wells e Mike Carey em que o mutante filho de Xavier encarcera milhares de personalidades em sua mente e cada uma tem um poder vai ao encontro das 64 personalidades poderosas de Crazy Jane. Além disso, a forma como a personagem faz magia com os livros para descobrir o que fazer, se assemelha muito ao que Lizie Hexam faz em O Inescrito, porém usando sangue.

Bem, acho que pra quem não leu a Patrulha, só citar esses pequenos glimpses de ideias já dá muita vontade de ler. E recomendo fortemente a última história que enfoca em Dorothy e os Sapatinhos Vermelhos, que possui uma analogia bastante perspicaz. Talvez lendo vocês possam encontrar outras referências ao futuro (que lindo isso, não?) e entender que tudo começou com a Patrulha do Destino. Boa leitura!

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