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Eisner Awards Bate o Recorde de Indicações Femininas

Boas notícias para o mundo dos quadrinhos, principalmente para as produtoras e fãs mulheres! O prêmio Eisner, cujo nome é dedicado ao pioneiro Will Eisner, fez o seu recorde de indicações a produtoras de quadrinhos femininas. São 49 mulheres, que receberam 61 indicações em 27 categorias (de 30 no total). Este número representa um aumento em relação ao ano passado, quando 44 profissionais mulheres foram reconhecidas.

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São as mulheres, oba! São as mulheres, viva!

Bandette, do casal Paul Tobin e Coleen Cover, é uma das indicações de melhor publicação. A série apresenta uma protagonista feminina que é ladra e heroína ao mesmo tempo. Já Bitch Planet, de Kelly SueDe Connick e Valentine DeLandro foi indicada como melhor série estreante. As cores são por conta da nossa conterrânea gaúcha Cris Peter, que já foi indicada ao prêmio em outras oportunidades. Todas as meninas envolvidas em Bitch Planet, incluindo sua editora, possuem um histórico de defender e representar o público feminino dos quadrinhos.

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For a bitch is hard out here!

Conheça 10 Casais Que Fazem Quadrinhos Juntos!

Outra menina que vem se destacando em capas é Joelle Jones, e também em seu trabalho com sua dupla constante Jamie S. Rich, de 12 Razões Para Amá-la, que saiu aqui no Brasil pela Devir. Eles foram indicados por melhor minissérie por Lady Killer, uma HQ com anúncios de época divertidos convertendo produtos do cotidiano em armas mortíferas. Já Marjorie Liu, indicada com Sana Takeda por série estreante com Monstress, é autora de livros de fantasia e foi responsável por várias revistas da linha dos X-Men, como X-23 e Astonishing X-Men, na qual ela escreveu o casamento do Estrela Polar.

Veja um texto com Marjorie Liu dizendo que “Marvel e DC tem muito a aprender sobre diversidade”.

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Tan-tan, tan-tan, tan-tan…

Mudar as visões das pessoas sobre as meninas e sobre o mundo parece ser uma missão das mulheres quadrinistas. Nimona, de Nicolle Stevenson, foi indicado como melhor republicação. Trata-se de uma história de fantasia medieval, em que Nimona é a sidekick de um mago-vilão-lorde e que como missão, eles precisam provar para o rei que a academia de manutenção da lei não são os heróis que todo mundo pensa. Nicolle apresenta um humor cativante e atrapalhado, em que a heroína sai na frente para tomar suas atitudes.

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Hark, an ass barenaked! Or better, batnaked!

Já Hark, a Vagrant!, de Kate Beaton, uma das mais novas revelações em tirinhas de humor tanto impressas como na internet, tem vendido milhares de cópias ao longo da sua publicação. Ela é responsável pelas tirinhas hilárias do Sexy Batman. Dessa vez o último álbum da compilação de tiras de Kate foi indicado ao Eisner como melhor publicação de humor. As meninas tem poder de transformação, seja do mundo ou de opiniões, fazendo isso com delicadeza e jogo de cintura, que deixam muitos machos a ver navios.

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O ministério da saúde adverte: misoginia faz mal à saúde.

“Queremos falar sobre nosso universo de um modo que integre mais mulheres e que os homens nos percebam, vejam nossas atitudes perante o mundo. Queremos nos expressar.”, nos diz Ana ClaCla, uma jovem quadrinista porto-alegrense que publicou seu quadrinho existencial À Beira de Mim Mesmo, em parceria com outra menina, Juliana Koetz. Sobre o recorde das indicações femininas no Eisner ela falou: “Isso significa que o que temos a dizer é não é bobagem”.

Se teve uma coisa boa pela qual as redes sociais trouxeram, foi a representação das minorias. Antes caladas e sem representatividade, agora estão sendo cada vez mais empoderadas e valorizadas. É importante dizer que existem mais mulheres que homens no mundo e, muitas vezes as mulheres são as chefes de muitas famílias. Já o publico homossexual consome 30% mais que o público heterossexual. Então seria muita ignorância a industria do entretenimento não ligar para essa parcela da população de consumo.

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Chupando até o caroço!

Um exemplo de destaque é o desenho Hora da Aventura, que também é publicado em quadrinhos, em que seus personagens femininos, apesar de serem princesas, são tão ou mais representativos quanto os protagonistas, Finn e Jake. Também existe o fato de que a princesa Jujuba passou um tempo junto com a vampira Marceline. O desenho apresenta, ao mesmo tempo, variações gender bender – quando os sexos dos personagens são trocados –  em que o protagonista Finn se transforma em Fionna. São produções como essas que nos enchem de esperança que as próximas gerações não trarão o ranço preconceituoso das gerações atuais.

Há poucos meses foi tentado um boicote ao festival de quadrinhos Europeu de Angoulême pela inexistência de indicações femininas em suas listas. Ver que as mulheres por um lado angariam simpatia de quem lê as histórias e pretendem lutar pelo espaço delas ao mesmo tempo em que premiações as reconhecem como força criativa e de trabalho é um pequeno passo para a igualdade. Vale lembrar que no mundo dos negócios as mulheres continuam mais desvalorizadas em valores de salários perante aos homens e continuam sendo demitidas após tirarem licença maternidade. Uma realidade que – espera-se – vá mudando conforme o mundo vai abraçando mais e mais diversidade como algo normal e necessário.

Para ver a lista completa de indicados ao Eisner Awards 2016, clique aqui para ser redirecionado ao site O Grito!, do amigo Paulo Floro, que incitou esse artigo.

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