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Os Petralhas e os Coxinhas da Guerra Civil

Há 10 anos Mark Millar nos apresentava Guerra Civil, a mega saga Marvel da vez cujo nome é baseado numa única semelhança com o evento histórico: a divisão do país em dois lados distintos por uma ideologia.

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Biscoito e bolacha nível impitima!

A série é focada em ação e, na verdade, parece, como muitas das coisas do Millar, uma grande desculpa para fazer cenas épicas da mais pura “massa-velhice”. Dezenas de personagens em cada cena e socos e pontapés para todo lado (#quemnãoama?) no traço esquisitamente legal do Steve McNiven.

A proposta, ou melhor, a desculpa inicial era – ao menos me parece – criar um conflito onde nenhum dos lados teria razão e, eu acredito que o planejamento da história seria dar a nós, leitores, a oportunidade de experimentar a dúvida se estaríamos ou não escolhendo certo. E, ainda que acredite que a história falhou nesse sentido, acho que Millar queria que a gente refletisse sobre opiniões políticas, posicionamentos religiosos e talvez quebrássemos aquela barreira que separa a nossa certeza da certeza dos outros.

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Corre! Eu falei para não apertar a campainha!

Mas fomos incapazes. Não temos um espírito de compreensão, não conseguimos aceitar o alheio e o oposto, precisamos combatê-lo. Temos vivido isso todo dia enquanto o país passa por um momento de cisão quando “petralhas” e “coxinhas” discutem quem está certo. Não vemos que há um caminho do meio, um momento onde todos estão certos e errados ao mesmo tempo e onde, na união de ideias, mesmo as mais opostas, podemos encontrar uma solução. É assim no Brasil, no mundo e se houver um ser em uma outra galáxia com semelhanças humanas, possivelmente é assim lá também.

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Fez a lama? Deita na câmara!

Nos EUA, onde se passa a história, as ideias da batalha homenageada por Millar perdurou por muito tempo mesmo após o fim da “guerra”. Na verdade as ideologias venceram o tempo criando uma sociedade dualista onde quase não enxergamos ideias centrais e tudo parece ser colocado em uma balança que determina se algo é conservador ou liberal e é então, é jogado para aquele lado. Nesse sentido, a saga faz sim um paralelo claro entre o que no Brasil chamamos de Esquerda e Direita e que para eles são os “Democratas” mais liberais e os conservadores “Republicanos”.

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A Guerra Civil é assustadora! Posso ver de pertinho! Efeito 3-D!

A história da Marvel acerta quando propõe esse paralelo porque, apesar de estarmos começando a vivenciar isso no Brasil, é algo intensamente profundo na cultura americana. Além disso, o autor brinca com conceitos que eram explorados nos personagens principais, mudando pequenos aspectos ideológicos de cada um deles o que deu um tom mais dinâmico e inusitado.

Se o Capitão antes veria pontos positivos em um governo mais presente, assistencialista e com mais controle, agora estava lutando por menos controle e menos presença do Estado. Ao contrário disso, Stark, dono de industrias e empresas de representação e exportação, possivelmente era defensor exatamente de menos controle, menos presença, menos fiscalização, estava agora defendendo uma pressão governamental para controle mais rígido sobre o assunto. Sei que é uma análise simplista demais, mas serve aos propósitos da exposição.

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A gente dá a mão e eles querem o braço!

Onde eu acho que a Guerra Civil falhou foi em desenvolver lados com razões e erros equivalente. Na saga havia um lado que acabou retratado como certo por suas ideologias, e isso ficou muito claro, mas o roteirismo precisou dar uma mão para que o lado errado ganhasse algum prestígio e essa premissa viesse a funcionar. Millar não conseguiu dar razão ao Capitão América e seu lado parecia defender “a existência dos super-heróis” apelando ao emocional.  A solução para isso foi fazer com que as grandes mentes (as maiores) do universo ficcional Marvel começassem a tomar decisões estúpidas uma atrás da outra. Foi preciso vilanizar Homem de Ferro, Sr Fantástico, Hank Pym e outros para dar um pouco de crédito ao Capitão. Essa falha foi tão transparente que o final precisou ser o Mea Culpa de Steve Rogers.

Queria que fosse fácil assim pra gente!

5 comentários

  1. Rodrigo diz

    Os quadrinhos por ter uma narrativa diferente, deixa alguns buracos na história. O Livro de Stuart Moore é perfeito neste quesito, pois preencheu as lacunas com riqueza nos detalhes, e nos proporcionou uma aventura única além das páginas das HQs. Guerra Civil foi a primeira HQ que li depois de quase 20 anos sem ler e sensação que tive foi de nostalgia dos aúreos tempos da casa de ideias.

    Curtido por 1 pessoa

    • Guilherme Smee diz

      É, Rodrigo, não só tu como muita gente retornou aos quadrinhos por causa de Guerra Civil, não é à toa que ela é um inegável sucesso e que, quer queira, quer não, nos faz refletir. Abs! 😉

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