Constantine: O Personagem Melhor Construído dos Quadrinhos de Super-Heróis

Criado por ninguém menos que Alan Moore, o outro mago inglês surgiu pela primeira vez nas páginas de Saga do Monstro do Pântano. Baseado no cantor do The Police, Sting, o personagem John Constantine, o Hellblazer, conquistou gerações e gerações de leitores na marca adulta da DC Comics, o selo Vertigo. Lá ele ficou por trezentas edições – um recorde para qualquer personagem – quando migrou para o universo tradicional da DC Comics. Mas vamos entender porquê esse personagem é tão rico.

CONcapa
“Saco! Agora tenho que ir ao Brasil exorcizar o Temer!”

Para começar, ele acabou dentro do selo Vertigo, onde os escritores possuem uma maior liberdade nos seus personagens. Lá ele envelheceu e sofreu todos os revezes possíveis da vida. Cada escritor, quando trabalhou com o personagem, trabalhou camadas diferentes de sua personalidade. Fazendo com que John não fosse só um personagem plano que gosta de farra, cigarro, bebidas e mulheres. Ele se tornou um personagem esférico, que olhando para qualquer lado de sua forma ele é reconhecível.

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“O Frank Miller me contratou de modelo pro Spirit!”

O Hellblazer, Constantine, rompe com a imutabilidade do personagem, uma característica presente em quase todas as histórias dos super-heróis. Os super-heróis, como Umberto Eco já explicou, devem se manter imutáveis, para, dessa maneira, promover a identificação com o leitor que vai continuar comprando suas histórias anos a fio, sem nunca acabarem. A morte ou a evolução de um personagem super-herói da sociedade de consumo significaria o fim de uma publicação e o fim de muitos lucros para as empresas que estão por trás deles.

CONinfernal
Pigarrento!

Garth Ennis em sua passagem – batizada de Infernal aqui no Brasil – talvez tenha sido a pessoa que mais contribuiu nessa esfericidade de John Constantine. Avesso aos super-heróis, foi dado a Ennis uma oportunidade de mexer com um personagem nos limites do super-heroísmo. Lá ele fez Constantine se apaixonar irremediavelmente e cair em desgraça. Forjou amizades que destruiu num piscar de olhos de Satã.

Confesso que no começo eu não gostava muito de Constantine. Pareciam aquelas histórias desinteressantes que só queria chocar. Mas o incrível é que tem muito elemento humano nelas. Há um grande esforço de construção de personagem. Por isso digo de ele ser o personagem mais bem construído dos quadrinhos de super-heróis. Ele é canalha, mas ama seus amigos. Ele é mulherengo, mas sempre amou uma mulher só. Ele é ocultista, mas é casado. São essas incongruências congruentes que fazem dele tão cheio de falhas e tão adorável, que todos nós curtimos acompanhar esse canalha pigarrento e beberrão. Constantine é esférico e ainda assim, facilmente reconhecido em seus gestos, atos e diálogos.

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Titio Johnny

Talvez o grande mérito de John Constantine ser tão bem construído seja porque ele não precise apelar para o bom-mocismo o tempo todo. Ora, nenhum de nós é sempre o mocinho. Nem mesmo na nossa própria história nesse gibi que é a vida. Já outros super-heróis como Superman e Batman são sempre altruístas e infalíveis, coisa que nosso Hellblazer está longe de ser.

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“É uma brasa, mora?”

Agora a Panini promete uma nova levada de histórias do Constantine, dessa vez pelas mãos de Paul Jenkins, o cara responsável pela criação do Sentinela da Marvel e pela fabulosa minissérie dos Inumanos na Marvel Knights, mas que atualmente anda desaparecido. Assim, aos poucos, todo o material do mago inglês que não é o Alan Moore será publicado no Brasil e entenderemos ainda melhor essa construção do melhor personagem da Marvel e da DC Comics juntas.

 

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