Cavaleiro das Trevas III Investe na Linguagem e Composição

Depois de ter feito o mundo dos quadrinhos vibrar com Batman: O Cavaleiro das Trevas e gerado uma grande polêmica e dividido opiniões com sua continuação, Batman: O Cavaleiro das Trevas Retorna, Frank Miller e companhia fecham a trilogia com uma sequencia intitulada A Raça Superior. Dessa vez acompanhado por Brian Azzarello, Andy Kubert e o frequente Klaus Janson, a história faz uma homenagem à primeira versão. Vamos à resenha!

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Se a primeira versão foi a que fez sucesso, então vamos segui-la à risca. O enredo da HQ é instigante, dessa vez se servindo de um tecnologia que não existia em 1986, quando o primeiro volume foi lançado. São os smatfones. Se antes a HQ começava com milhares de telas de TV pipocando nas páginas, agora é uma conversa de whatsapp que dá o tom do retorno do Cavaleiro das Trevas. As televisões já não são mais com bordas arredondadas como sugeriam suas versões anteriores, são retangulares e chatas, como a tela de um streaming de youtube.

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Mas é na composição de quadros e na linguagem de layout que está o maior legado do Cavaleiro das Trevas original. O grid com muitos quadros por página, a narrativa que cruza closes e detalhes com planos abertos, investem no clima pesado da primeira narrativa futurista do Batman de 1986. Na história contígua enfocando o átomo e desenhada por Miller, que a Panini decidiu trazer numa revista separada, Miller e/ou Azzarelo usam a justaposição palavra e imagem para mostrar como Ray Palmer se sentia ao lado de seus companheiros de Liga da Justiça. Um recurso bem próprio dos anos 80.

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Por quase a HQ inteira somos apresentados ao mundo visto de fora da cúpula dos super-heróis. Temos a visão do cidadão comum, que mexe em smartfones e em vídeos da internet. A comissão ria entra em ação para dar um close mais aproximado da situação enquanto caça o Batman e aí sim, pulamos para um glimpse da Mulher-Maravilha e sua filha Lana. Aqui reparamos como Andy Kubert e Klaus Janson se esforçam para pairar o fantasma do desenho de Miller, mas com a maneira toda própria de comunicar com imagens de cada um deles. Andy com suas hachuras e Janson com suas pinceladas grossas.

CTIII1_CAPA-600x917Assim, Cavaleiro das Trevas III, tanto em arte, linguagem, roteiro e tratamento fica longe do que foi feito em Batman & Robin: O Menino Prodígio, parceria de Miller com Jim Lee. Tudo parece ter sido feito e planejado por outra pessoa. O que, com certeza, foi. Parece que essa nova obra vem para redimir Miller de seus deslizes anteriores e que não agradaram o público. Na verdade tanto Retorna quanto & Robin desafiaram o mundo dos fãs – tática que Miller declarou várias vezes. Dessa vez, Cavaleiro das Trevas III – A Raça Superior, não perverte as expectativas dos fãs, mas vai ao encontro delas – pelo menos a minha – e pelo menos nesse primeiro número que saiu esse mês nas bancas brasileiras pela Panini Comics.

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