Super-Heróis: Homens contra Deuses e Deuses contra Homens!

Super-heróis não existem no nosso mundo. mas quais são os paralelos e disparidades entre os acontecimentos históricos no nosso mundo com o dos super-heróis? Cada uma das grandes editoras, Marvel e DC, deram um jeito de explicar essas diferenças e similaridades. Vamos dar uma olhada de como funciona o humano e o divino – na figura dos Supers – nos universos das grandes editoras.

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Mitos mitando

Sabia que hoje nós só temos celular de uso diário graças ao desenvolvimento tecnológico ocorrido durante a 2ª Guerra Mundial? Que o mesmo pode ser dito da internet? O homem só pisou na lua tão cedo (será mesmo?) porque os EUA se viam obrigados a fazê-lo antes de sua rival, a famigerada URSS (Onde, dizem, é a lua que pisa em nós). Graças à existência de um pastor batista chamado Martin Luther King Jr., hoje se discute crimes de racismo nos EUA. Em um âmbito maior, se não tivesse existido um Cristo (ou a proposição religiosa da figura dele em um ambiente onde a igreja tinha influência no Estado), nossos calendários seriam diferentes, não haveria as eras cristãs, nem as igrejas, papas, e por ai vai. Nosso mundo de hoje é um reflexo de cada acontecimento importante que ocorreu em sua superfície durante toda a sua história. O mesmo acontece nos mundos fictícios dos quadrinhos de heróis que tanto amamos.

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– Temos que pegar! -Eu sei!

 

Imagine sair nas ruas e ver um homem voador, vestido de amarelo berrante e uma letra qualquer pintada em vermelho no peito. O que você pensaria? Alucinação? Algum tipo de campanha publicitária? Um doido qualquer pulou sem pára-quedas? Isso aconteceria em nosso mundo, mas não é o que ocorre no universo dos quadrinhos. Nele, encararíamos o fato com absoluta normalidade, no máximo pensaríamos: “Que uniforme horréveis”. Tamanha naturalidade é explicada pelas transformações e eventos ocorridos e vistos na histórias destes universos, culminando na “realidade” que hoje encontramos em nossos gibis favoritos. Neste quesito, existem particularidades que são interessantes de se notar:

O Passado: É um pássaro, é um avião?

Abismados com um homem voador? Naquela época era justificável que ninguém soubesse do que se tratava. No Universo DC, em suas origens, não exigia um pré-conhecimento de gente voando nos céus (ainda que cronologicamente eles já existissem, eu acho… depende… pós-crise, pré-crise?).

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Rosana nas alturas!

O povo estava estarrecido. Não havia uma consciência geral da existência do que seriam os super-heróis. Esse fenômeno acontece com toda novidade. Quer entender isso de forma bem didática? Anos atrás, quando se dizia ter um CD de determinado artista, havia a prerrogativa de explicar o que era um CD. Hoje em dia não existe a menor necessidade disso, pelo contrário, hoje temos que explicar o que é um LP para os mais novos, ou um MP3 para os mais antigos. O povo olhava para o alto e realmente se aglomerava. Não poderia ser diferente.
(nota de curiosidade. Fui ler esse texto em voz alta e meu filho de 8 anos me perguntou “o que é um CD”?)

O Presente: Um em cada dez habitantes da Terra nasceu em outro planeta

Ok, a frase acima pode até ser uma piada injusta do Universo DC. Mas todos por lá já conhecem o Superman. Em uma comparação livre, creio que para alguns, ele representa, naquele mundo, o que Jesus – ainda que como ícone – representa no nosso. Salvação, atuação divina e socorro. Ele marca a história e mudou o cotidiano. Sem ele, o Universo DC seria diferente, e eu acho que essa diferença vai além da estimada na série “O Outro Prego”, afetando os próprios fundamentos da DC. Sem a influencia sociológica de Kal-El, talvez não existisse a busca pelo herói divino nem pelo mito. Sem o Superman o povo não teria aprendido a idolatrar, a depender e a desejar seus super-heróis. Sem ele o universo DC estaria muito mais próximo da Marvel, onde os heróis agem, ninguém liga e muitas vezes rejeitam a maneira como eles alteram seu cotidiano.

A presença inicial de Clark Kent mudou este panorama. Onde antes haveria o medo dos alienígenas, hoje existe aceitação e acolhimento. O Superman se transformou em um membro da raça humana, mas sequer é humano.

É justamente neste marco inicial que encontramos o ponto de divergência destes dois mundos (Dc e Marvel). POr origens diferentes, trilharam histórias diferentes.
Enquanto no primeiro os heróis tornaram-se deuses titânicos, no outro, sem o marco de um deus inicial, sem a aprovação divina necessária, os heróis existem pela persistência provocada pela vocação pessoal.

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Alguém falou em Guerra?

O Passado: A guerra é para todos.

No Universo DC a 2ª Guerra mal aconteceu e se o Superman tivesse atuado nela, a guerra teria acabado em poucos dias. Anos depois caberia a Roy Thomas e sua Lança do Destino explicar a ausência dos heróis DC no combate. Já na Marvel os heróis surgiram justamente neste momento. Namor, Capitão América e o Tocha Humana original ingressaram as fileiras dos aliados ajudando-os aliados a vencer o Eixo formado pela Alemanha, Itália e Japão.

O Presente: Realidades Distintas.

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Tragédia e supers!

Comprovando a teoria. Com a presença do azulão em Metrópolis, a cidade acabou por se tornar mais importante que Nova York no cenário americano. Tal qual o povo partia para NY em busca de mais oportunidades na cidade grande, em Metrópolis se buscava a cidade mais segura do mundo todo. Assim, a cidade cresceu muito mais do que sua vizinha (Vizinha? Onde fica Metrópolis, afinal?). Então, quando as Torres Gêmeas foram derrubadas no atentado terrorista de 11/09/01, o Universo DC pouco mudou.

Já a Marvel não pode se dar ao luxo de se eximir. Não em um mundo em que os heróis surgiram em defesa da liberdade e do ideal norte-americano. Onde o primeiro de seus heróis foi criado exatamente pelo governo americano como uma arma de guerra… Lá esse acontecimento teria que ser terrível. Mesmo com Vingadores, Quarteto, Homem-Aranha… Onde eles estavam?

Naquele mundo, onde os heróis o são por vocação, um fato destes atordoa a humanidade, por isso a Marvel se viu obrigada a fazer um especial sobre o ocorrido. Naquele mundinho da Marvel a realidade é mais preservada, pois se trata do mundo abaixo dos pés do grande Olimpo, enquanto a DC trata daquela realidade grandiosa e titânica que é o mundo dos deuses, onde uma liga extraordinária (sem trocadilhos com a obra de Alan Moore) observa os humanos de sua torre espacial.

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SHAZAM!

Há, porém, fatores que são comuns aos dois universos, como a altíssima tecnologia. Apesar de ambos terem tecnologia semelhante, o surgimento e a evolução deste fato são diferentes. Na DC, a quantidade de alienígenas que invadiram a Terra, associada aos grandes feitos de seus heróis, inspiraram cientistas e até entregaram nas mãos deles tecnologia para ser desvendada e reutilizada. Até mesmo a tecnologia kriptoniana ajudou nessa evolução. Porém, como nos quer fazer acreditar Michael Crichton em seu livro Jurassic Park, “a natureza sempre dá um jeito” e no universo ao lado, surgiram mentes geniais a serviço da ciência.

Na verdade, permita-se um parenteses. Parece que todos… esqueci o parêntese (Parece que todos os heróis Marvel são gênios, não? Peter Parker, Hank Pym, Tony Stark, Amadeus Cho… Até alcançarmos a mente mais poderosa do mundo, Reed Richards, que desbancaria Lex Luthor com incrível facilidade).

Na Marvel surgiu a necessidade de se pensar; e a necessidade cria a resposta. Enquanto na DC Superman voava mais rápido que o som, do lado de lá surgia a pergunta: Como o Capitão América vai cruzar o país com seus Vingadores para deter uma crise? A resposta está lá no primeiro parágrafo. Assim como a Guerra Mundial tornou real a necessidade de comunicação imediata e o projeto dos telefones celulares surgia, lá na Marvel havia a necessidade de apoiar heróis e população com tecnologia. Afinal lá não se tinha um “deus azul” para resolver todos os problemas.

No fim, o grande evento da DC e o marco distintivo dos dois universos foi a queda de uma navezinha lá na comunidade rural de Pequenópolis e a decisão do Superman em defender a humanidade em vez de dominá-la.

Dois caminhos pelos mesmos passos.

Para concluir, iremos mais longe nesse mesmo pensamento (ou mais perto). Vamos analisar de maneira mais humana como estes mundos afetaram duas pessoas que têm (ou teriam) muito em comum, mas em universos diferentes.

Ambos são engenheiros mecatrônicos geniais (não necessariamente mecatrônicos, mas desenvolvem bem essa área), passando pela engenharia de informação, elétrica, etc. Ambos têm uma empresa com seu nome e a utilizam como laboratório para suas experiências e desenvolvimentos. Eles estão inseridos em universos diferentes:

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Por O-Dindin!

Um deles na Marvel, forjando heróis que precisaram encarar um mundo que não os odeia, mas também não os apóia. Neste mundo um jovem precisa ser um verdadeiro lutador para se tornar um grande herói. Outro nasceu no lado da DC, universo formador de heróis majestosos, grandiosos, lendas. Para chegar aos pés deles você tem que ser no mínimo um semi-deus, ou um humano achando que é um deus (como Bruce Wayne). Não, não estava falando dele aqui. Vou deixar essa dica pra te poupar de gritar Batman equivocadamente no final.

Lá na Marvel, o herói em questão tinha necessariamente que ser forte, precisava se defender e poderia, com esforço e dedicação até mesmo vir a ser o mais poderoso herói da Terra. Ele pode ter pensado “Se eu me empenhar, posso ser o maior de todos”. Na DC, entretanto, o segundo herói via grandes seres voando pra lá e pra cá, lutando contra ameaças divinais e agindo de maneira mitológica e pensava “Jamais vou chegar lá. No máximo serei mais um. Eu sou só um cara”.

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O esquadrão dos deuses!

Marvel: As grandes ameaças não tinham desafio. Havia a necessidade (de novo) de heróis poderosos o suficiente para enfrentar invasões alienígenas, monstros poderosos e os grandes vilões. Este herói precisava ser poderoso o suficiente pra se virar sozinho.

DC: Os heróis dividiam-se realmente em escalões. Os menos poderosos nem imaginavam enfrentar os grandes problemas. Obviamente esses assuntos seriam resolvidos pelos semi-deuses ou pela santa trindade da DC. Seria melhor que ele lutasse mais abaixo da estratosfera. Ele precisava ser bom o suficiente para enfrentar ladrões e impedir problemas urbanos.

Marvel: Existem mentes que obviamente escreveram livros, deram palestras e enriqueceram o conhecimento do nosso herói, que pôde contar com experiências de outros para melhorar continuamente seu projeto.

DC: A tecnologia de verdade era extra-terrestre, ou seja, fora do alcance de todos. Laboratórios de pesquisa na DC quase sempre são secretos e fechados a visitas.

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Os Beatles! Mas cadê o RINGO?

Por todos estes motivos, lá na Marvel Tony Stark criava o Homem de Ferro. Na DC, uma mente muito parecida com a sua – empresário de tecnologia, engenheiro – se tornava o Besouro Azul.

Percebe-se claramente a diferença entre os personagens e, ok, alguns pontos a mais poderiam mostrar que haviam outras diferenças não mencionadas entre eles, mas o que quero demonstrar é que, estivessem em universos diferentes, talvez Homem de Ferro fosse um combatente de segunda e o Besouro um dos heróis mais poderosos da Terra. Cada detalhe muda a realidade, cada fagulha altera o resultado de um incêndio. Apesar de motivações diferentes, ambos poderiam ter se tornado heróis de mesmo nível, mas indiscutivelmente o Homem de Ferro alcançou muito mais notoriedade e importância em seu respectivo universo.

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A armadura matadora de deuses!

As condições influenciam muito a realidade. Vamos a outro exemplo? Prometo falar do Batman.

Ambos perderam os pais muito cedo. Um deles traumaticamente o outro mal conviveu com eles. Este último sofreu um trauma ao perder o pai adotivo, ele era genial e poderia ter criado armas e equipamento incríveis, mas recebeu poderes e isso deu a ele um diferencial sobre os outros. O primeiro não. Jamais teve poderes, mas tinha a mesma vocação e vontade do segundo. Talvez, olhando pro alto este garoto tenha pensado “Porque eu não tenho raios da morte dos olhos e fogo das mãos para ajudar em minha vingança”? Ele se tornou amargo, frio, esforçou-se aos limites da sua humanidade e se tornou o Batman. O outro, apesar de genial, ficou poderoso e se tornou o Homem-Aranha. Enquanto um nasceu com o dom da genialidade e desperdiça continuamente, o outro teve de estudar, trabalhar sua mente ao máximo e usa isso até os dias de hoje a seu favor.

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Pra não dizer que não falei em Batman!

Enquanto na Marvel os deuses inicialmente estavam do lado “do mal” e a necessidade dos heróis fez surgir elementos de resposta como a genialidade de Reed, na DC não havia oponentes aos deuses heroicos e a mesma necessidade, porém na corrente inversa, fez surgir um Luthor com uma mente tão poderosa quanto à do Sr. Fantástico (ainda que eu duvide dessa afirmação) para derrubar tais deuses.

No fim a evolução de cada universo se faz na necessidade de enfrentar os deuses, o lado em que eles estão é que mudou tudo.

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2 Comments

  1. Resumindo, o “chato” da DC são seus super heróis ultra poderosos, criando em seu universo uma fantasia maior que o universo Marvel, este é um dos motivos que me leva a preferir a Marvel à DC, sem nenhum desmerecimento!

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