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[REVIEW] X-Men: Apocalipse, de Brian Synger

Já estamos no sexto filme da franquia X-Men. Quem diria que chegaríamos a isso lá em 2001, quando a gente se estapeava para saber que atores iriam protagonizar o filme dos mutantes mais incríveis e fabulosos da Marvel? Eu achei um ótimo filme, que entrega muita ação e caracterização bem ao estilo dos X-Men. Mas faltou pisar na tecla mais importante da equipe mutante de Xavier: o preconceito com quem é diferente.

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O interessante do filme é que ele realiza uma fantasia de 9 entre 10 fãs de X-Men, que é botar seus integrantes para lutarem entre si, medindo seus poderes. Quem acompanhou a fase de Chris Claremont nos mutantes, sabe que isso é uma constante nas suas histórias. Ciclope medindo forças com Tempestade; Noturno enfrentando o Anjo e assim por diante. Preciso confessar que os primeiros 30 miniutos do filme não me captaram. Nem a origem de Apocalipse nem a aparição dos poderes de Ciclope. O que começou a chamar minha atenção foi o visual anos 80. O charme yuppie de Destrutor e o Professor Xavier com suas ombreiras largas no paletó. O cabelo à la Madonna de Mística enquanto ela vestia um visual gótico. Noturno vestindo a jaqueta de Michael Jackson em Thriller.

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Assim o filme foi conquistando minha simpatia. Enquanto Apocalipse arregimentava seus companheiros, Tempestade, por exemplo, num Cairo que parecia ter saído de Indiana Jones ou de um Mad Max, toda cúpula do trovão. Totalmente anos 80, onde a televisão e a Coca-Cola têm um papel essencial na insipiente globalização que tomaria de assalto nosso mundo naquela década. Anjo e Noturno se enfrentando em uma jaula dos Morlocks, regidos por ninguém menos que Caliban e Psylocke como sua guarda-costas.

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Mas o momento da virada foi quando Apocalipse destrói todas as armas de destruição de massa do mundo. Engraçado que um vilão megalomaníaco que quer deixar o mundo de herança para os mais fortes sabe que a nossa maior ameaça são aquelas que – dizem alguns – garantem nossa defesa. Daí para a cena memorável de Mercúrio – ao som de Erythmics e sua consagrada Sweet Dreams (que também está na trilha de Sandman: Prelúdios e Noturnos) – que realmente mostra que ele precisa de apenas alguns segundos para ir correndo para nosso coração mutante. E então não desgrudei mais os olhos da tela. Os X-Men são levados por William Stryker a uma famosa represa onde um famoso mutante canadense foi preso. O que acontece por lá é muito legal.

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Eu, como fã dos X-Men a partir do desenho animado dos anos 90, só tenho a agradecer pela realização desse filme. Quase tudo que me fez curtir aquele desenho está ali no filme X-Men: Apocalipse: boa caracterização de personagens, ação desenfreada, roupas coloridas, mutantes supermegapoderosos, o destino do mundo em jogo, transformações radicias, sacrifícios, referências.

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Mas o que faltou mesmo e apagou um pouco a vibe que os X-Men vinham tendo no cinema foi tocar no ponto do preconceito. Por poucas vezes isso é falado ou mostrado. Aqui, a ameaça maior que sim, o que é diferente prospere e prospere através de uma ditadura do poder. Talvez, levando isso em conta, seja a razão de que a temática do apoio às diferenças e o combate ao preconceito ficou um pouco apagada. X-Men: Apocalipse é um filme muito bem realizado, feito, entretanto, mais para encantar crianças do que para fazer adultos refletirem.

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2 comentários

  1. Maicon S. Beggi diz

    Oi. Boa tarde. Obrigado pelo Review do filme. A percepção que tenho no novo filme, é que a questão do preconceito mutante se tornou secundária, porque foi o tema central da trama do filme anterior foi essa, o futuro apocalíptico (sem trocadilho) que a humanidade teria se continua-se a forma de abordar a questão mutante, com medo, paranoia dos próprios filhos (lembro da frase que foi muito usada na “era Claremont” : “vocês sabem o que seus filhos são?”). Pode-se citar até a crença de coisas (no caso, os Sentinelas) tornariam melhor a vida das pessoas do que mudar a forma de se relacionarem ou procurar algum nível de entendimento do outro. Preferiu-se trabalhar um vilão mais maniqueísta no sentido clássico, o tirano pretendente ao domínio global, talvez porque o tema foi tratado no filme anterior ou seja o “efeito Vingadores”.
    Agora, com o levante do Apocalipse, acredito que teremos um retrocesso nas relações entre mutantes e humanos, mesmo com a declaração da Moira que Magneto (quem sabe futuro diretor da escola Xavier ?) foi importante para derrota de En Sabah Nur, apontando o risco de um déspota mutante, o retorno de algum programa Sentinela sancionado pelo governo (como a história ser passará na década de noventa, talvez os Supra Sentinelas do Bastion (humanos inválidos tratados com nano tecnologia) para quem se lembra da “Operação Tolerância Zero), talvez o surgimento dos Carrascos do Sr. Sinistro e o próprio Sr. Sinistro e aproveitar o vácuo deixado por En Sabah Nur (mesmo que no universo cinematográfico não tenham vínculos) ou então todo o diálogo em torno do filho da Moira (Proteus, talvez?) e o risco de um mutante muito poderoso sem o controle dos poderes e imaturo emocionalmente.
    Foi o filme, como citado por você, como maior número de elementos quadrinísticos, por isso foi uma aposta arriscada por parte do diretor, que deu uma quebra em relação aos outros filmes da trilogia inicial e os outros dois episódios da nova trilogia. Várias possibilidades foram lançadas para o futuro da franquia.

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